Os estudantes da rede pública de ensino médio do Espírito Santo registram avanços na permanência e na conclusão dos estudos, com a taxa de aprovação estadual atingindo 98,8% em 2025. O índice consolida o estado com o quarto melhor desempenho do país, segundo dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025, divulgados nesta sexta-feira, 26 de junho, pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O resultado é reflexo direto da redução no abandono e na reprovação escolar, em um cenário de ampliação de programas educacionais de fomento à educação básica.
O cenário capixaba
A rede estadual do Espírito Santo apresentou melhoria substancial em seus indicadores de rendimento escolar entre 2022 e 2025. A taxa de abandono escolar no estado caiu de 2% para 0,5%, enquanto a reprovação recuou de 6,7% para 1,1%. A distorção idade-série, que mede o atraso escolar, foi reduzida de 22,8% para 14,8%.
Em números absolutos, dos cerca de 102 mil alunos matriculados no ensino médio da rede estadual capixaba no ano passado, aproximadamente 700 foram reprovados e cerca de 500 abandonaram os estudos. Com a aprovação de 98,8%, o Espírito Santo ficou atrás apenas do Piauí (99,5%), do Pará (99,3%) e de Mato Grosso (99,2%). O índice estadual supera a média nacional das redes estaduais, que se fixou em 94,3%, o maior percentual registrado desde 2020.
No âmbito das políticas de incentivo, o programa federal Pé-de-Meia tem participação direta nos números do estado. Lançada no início de 2024, a iniciativa beneficia 114.637 estudantes capixabas, sendo 51,9% do sexo feminino e 48,1% do sexo masculino.
Alerta sobre os índices de aprovação
Apesar dos recordes nas taxas de aprovação dos quatro estados mais bem colocados, que alcançaram os maiores índices desde o início da série histórica em 2015, especialistas da área da educação recomendam cautela na análise. Em locais como Pará e Piauí, a adoção da progressão continuada, modelo em que o estudante só é reprovado ao fim do ciclo de ensino, contribuiu para elevar as aprovações.
Pesquisadores apontam que, embora a redução da reprovação auxilie no combate à evasão escolar, os aumentos expressivos devem estar atrelados a indicadores de frequência e de real aprendizagem. A aprovação isolada, alertam, pode mascarar as deficiências e não é suficiente para medir a qualidade do ensino.
Panorama nacional e a retenção de alunos
No panorama brasileiro, o ensino médio público registrou quedas de 62% na reprovação, 61% no abandono escolar e 28% no atraso escolar, entre 2022 e 2025. A taxa de aprovação geral no país cresceu 11%.
Os dados do Inep indicam que a taxa de não-retorno ao ensino médio caiu 28% no mesmo período, o que assegurou a permanência de milhares de jovens nas escolas de um ano letivo para o outro. “Um resultado novo, produzido pelo Inep, observa o que aconteceu com os estudantes que deveriam voltar à escola no ano seguinte e indica que a taxa de não-retorno ao ensino médio caiu 28% entre 2022 e 2025, o que significa que mais jovens permaneceram estudando. Esse avanço faz bastante diferença: se esse indicador tivesse permanecido no nível observado em 2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio, ou seja, um número muito grande de jovens que poderia estar fora da escola seguiu estudando”, explica o presidente do Inep, Manuel Palacios.
O cenário de evolução também é corroborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pnad Contínua Educação 2025. A taxa ajustada de frequência escolar líquida entre os jovens passou de 76,8% em 2024 para 80,6% em 2025, marcando o maior valor da série histórica desde 2016. A proporção de jovens de 15 a 17 anos fora do ensino médio caiu de 23,2% para 19,4%, uma redução equivalente a 16,3% em apenas um ano, número que supera a queda registrada nos quatro anos anteriores combinados.
Programas estruturantes do ministério da educação
O Ministério da Educação atribui os resultados à implementação e ampliação de programas estruturantes iniciados a partir de 2023. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destaca os reflexos das novas políticas na vida dos estudantes. “Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado. O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica. Observamos, ainda, uma melhoria simultânea nos indicadores de abandono, repetência e atraso escolar no Brasil”, avalia o ministro.
Em âmbito nacional, o programa Pé-de-Meia já beneficia 7,2 milhões de estudantes, funcionando como um incentivo financeiro para a frequência, aprovação e realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para Barchini, o programa é o carro-chefe da recuperação da educação básica. “O jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda. É uma política educacional para melhorar a permanência e o desempenho dos estudantes”, defende.
Outras ações paralelas demonstram resultados na educação básica:
- Alfabetização: O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada ajudou a elevar o índice de alfabetização infantil de 36%, em 2021, para 66%, em 2025.
- Tempo integral: O percentual de matrículas no ensino de tempo integral subiu de 15,1% (2021) para 25,8% (2025), atingindo 8,8 milhões de alunos. A marca cumpriu, pela primeira vez, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de ter um em cada quatro estudantes nessa modalidade, gerando 1,8 milhão de novas matrículas.
- Conectividade: Com investimentos que ultrapassam R$ 3 bilhões, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas ampliou em 43,7% as unidades com internet para uso pedagógico. O número saltou de 66,8 mil (2023) para 100 mil escolas em 2026, favorecendo cerca de 24 milhões de alunos.
O papel do exame nacional do ensino médio
O Enem, principal via de acesso ao ensino superior através de programas como Sisu, ProUni e Fies, acompanhou a curva de crescimento. O exame registrou um aumento de 46% nas inscrições realizadas por concluintes da rede pública entre 2022 e 2025.
Além de ter voltado a certificar a conclusão do ensino médio, o Enem adotou a inscrição pré-preenchida para os alunos da educação básica pública. A partir de 2026, de maneira inédita, a prova também passará a ser utilizada como instrumento oficial para avaliar a qualidade do ensino médio em todo o país.


















