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Deputados querem investigar sumiço de bebês em hospitais do ES

24 jun 2025 - 17:00

Redação Em Dia ES

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Denúncias apuradas em reunião na Assembleia Legislativa envolvem casos ocorridos entre 1960 e 2000; famílias relatam que recém-nascidos foram dados como mortos sem que pudessem ver os corpos
Deputados querem investigar sumiço de bebês em hospitais do ES. Foto: Heloísa Mendonça Ribeiro

A Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) debateu, em reunião nesta terça-feira (24), uma série de denúncias sobre o desaparecimento de bebês em hospitais da Grande Vitória e propôs a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos. As ocorrências, que teriam acontecido entre as décadas de 1960 e 2000, foram relatadas por familiares que, até hoje, buscam respostas sobre o paradeiro de seus filhos e apontam um padrão nos desaparecimentos.

A proposta de uma CPI foi apresentada pelo presidente da comissão, Delegado Danilo Bahiense (PL), como uma medida para reforçar a apuração dos casos. Durante a reunião, ele criticou a precariedade da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas, que, segundo ele, não possui um delegado titular exclusivo e até recentemente não dispunha de uma viatura própria. Para o deputado, o cenário deixa “clara a total omissão e o descaso da administração”.

“É necessário que haja um efetivo investimento, seja sob o aspecto preventivo, através de campanhas, e a criação de uma rede de apoio, ou mesmo através de recursos tecnológicos e melhoria do efetivo, para que torne viável a busca da pessoa desaparecida, como forma de sensibilidade por parte do Estado ao sofrimento das famílias”, afirmou Bahiense.

O deputado também ressaltou a importância de desmistificar a crença de que é preciso aguardar 24 ou 48 horas para registrar um desaparecimento, incentivando o uso imediato de canais como o 190, o Disque Denúncia 181 e o Disque 100.

Relatos das famílias
Membros do grupo “Meu Bebê Sumiu” participaram da reunião e narraram histórias com elementos em comum. Segundo os relatos, bebês eram internados para tratamento em hospitais de Vitória e, tempos depois, eram declarados mortos. As famílias, muitas delas do interior do estado e com poucos recursos, não conseguiam acompanhar a internação de perto e não viam os corpos das crianças, que seriam enterradas como indigentes, muitas vezes sem a emissão de uma certidão de óbito.

Alair Hollunder Dias contou o caso de sua irmã recém-nascida, internada no Hospital Infantil de Vitória em 1966. A família, de Domingos Martins, foi informada da morte e do sepultamento sem ter visto o corpo. “É uma dor que sangra sem parar”, resumiu. Histórias similares foram contadas por Maria da Glória Borges da Silva, Marleide do Carmo Serafim da Silva, Nilson Mariano, Manuza Paixão Rodrigues e Maria Aparecida Barbosa Gama.

O coordenador da Comissão de Segurança, o delegado aposentado André Cunha, criticou o que chamou de respostas evasivas dos hospitais, cemitérios e cartórios citados pelas famílias.

A posição da Polícia Civil
Responsável por acumular a chefia da Delegacia de Pessoas Desaparecidas há cerca de um ano, o delegado Luiz Carlos Ximenes da Silva detalhou que a unidade conta hoje com quatro policiais e duas viaturas. Ele informou que implementou um procedimento operacional padrão para as investigações e classificou os casos antigos como complexos, podendo envolver adoções irregulares, falsidade ideológica e até crime organizado.

Atualmente, segundo o delegado, existem quatro verificações preliminares de informação (VPIs) abertas para apurar os relatos. Ximenes da Silva destacou, contudo, a necessidade de que todas as famílias registrem boletins de ocorrência formais. O procedimento é fundamental para a instauração de inquéritos policiais e para que órgãos como hospitais, cartórios e cemitérios possam ser acionados legalmente a fornecer informações.

O que dizem os hospitais
O Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, a Pró-Matre e o Hospital Estadual Infantil de Vitória foram as unidades de saúde citadas pelos familiares. Apenas o diretor-geral do Hospital Infantil, Clio Venturim, compareceu à reunião.

No cargo desde 2023, Venturim afirmou que soube das denúncias recentemente e que a instituição buscará respostas. Ele mencionou dificuldades operacionais, como o tempo decorrido e o fato de que a digitalização dos arquivos começou apenas em 1998. “A presença minha aqui hoje traz a seriedade com que vamos tratar desses casos”, garantiu. O diretor orientou os familiares a procurarem diretamente o hospital para solicitar os prontuários.

Durante a reunião, o perito oficial criminal Lucas Alves Viana apresentou dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Entre 2015 e 2025, 16.211 pessoas desapareceram no Espírito Santo, uma média de seis casos por dia, sendo a maioria do sexo masculino. Desse total, aproximadamente 30% são menores de 18 anos. Dentro desse universo de crianças e adolescentes, 532 foram localizadas (vivas ou mortas) e 4.249 permanecem desaparecidas.

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Atualizado: 25/06/2025 22:19

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