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Comandante da Guarda Municipal de Vitória é assassinada a tiros pelo namorado PRF

23 mar 2026 - 09:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Primeira mulher a chefiar a corporação, Dayse Barbosa foi atingida por cinco tiros enquanto dormia. Diego Oliveira de Souza, que cometeu suicídio em seguida, possuía histórico de ciúmes e já havia ameaçado a vítima de morte dias antes
Policial rodoviário federal usa escada para invadir casa e mata comandante da Guarda de Vitória. Foto: Reprodução

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, de 39 anos, na madrugada desta segunda-feira (23), no bairro Caratoíra, na capital. O suspeito utilizou uma escada para acessar a residência da vítima, arrombou a porta e efetuou cinco disparos contra a cabeça da agente enquanto ela dormia, cometendo suicídio logo na sequência. O crime, classificado inicialmente como feminicídio, ocorreu após um histórico de violência e ameaças relatado por familiares.

A dinâmica do crime
De acordo com as informações registradas pelas autoridades e o relato de testemunhas, o crime aconteceu por volta de 1h da madrugada. Diego chegou ao local de carro e posicionou uma escada para acessar a sacada da casa onde Dayse morava com o pai e a filha.

O pai da vítima, Carlos Roberto Trindade Teixeira, de 64 anos, estava na residência no momento da invasão. Ele relatou que assistiu ao jogo entre Flamengo e Corinthians, viu um filme e foi deitar por volta de meia-noite e meia.

“Eram por volta de 00:50, eu ouvi um ‘pá’, um barulho de algo quebrando e logo em seguida ouvi os tiros. Quando olhei pela janela eu vi uma escada, que ele usou pra entrar na casa e arrombar a porta”, detalhou o pai.

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, também confirmou a dinâmica do arrombamento ao quarto. A comandante foi surpreendida enquanto dormia e não teve chance de defesa. Após atirar no rosto da namorada, Diego seguiu para outro cômodo da casa e disparou contra a própria cabeça.

Equipes da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas e mobilizadas para o local, mas ambos já estavam sem vida. A Polícia Científica realizou a perícia na residência ainda na madrugada.

Histórico de ameaças e violência
Dayse e Diego mantinham um relacionamento há cerca de quatro anos, marcado por discussões constantes. Segundo Carlos Roberto, as ameaças haviam se intensificado nos dias que antecederam o crime.

Cerca de dois dias antes do assassinato, o policial rodoviário federal ameaçou a comandante de morte e estendeu a ameaça a uma amiga de Dayse, caso houvesse denúncias. “Essa semana ela desabafou, ele disse que iria matá-la. Ela já tinha falado para a mãe dele e a mãe dele disse que ia até a corregedoria da Polícia Federal”, contou o pai à TV Vitória/Record.

Devido às intimidações recentes, a comandante havia trocado as fechaduras e os cadeados da casa na tentativa de impedir o acesso do namorado. O pai de Dayse relembrou outro episódio de violência ocorrido há cerca de cinco meses: “Já tinha quebrado o trinco do portão (…) pegou a arma dela para ameaçar a Dayse. Eu consegui intervir e ele foi embora”.

Carlos Roberto afirmou que sempre alertou a filha sobre o comportamento de Diego. “Ele é covarde, ele não é homem. Eu nunca gostei dele. (…) Pelo jeito que ele tratava ela, sabia que ele não prestava e alertei ela, mas ela não me ouvia”, lamentou.

Investigação
A Polícia Civil informou que o caso será investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória. O delegado chefe do Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Fabrício Dutra, declarou que todos os indícios apontam para feminicídio seguido de suicídio. Os aparelhos celulares de Dayse e Diego foram apreendidos e encaminhados para análise pericial para auxiliar no esclarecimento integral da motivação e do planejamento do crime.

Diego Oliveira de Souza ingressou na Polícia Rodoviária Federal (PRF) no ano de 2020 e, atualmente, estava lotado no município de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

Voz contra a violência e luto oficial
A morte de Dayse Barbosa expõe uma trágica contradição: a comandante era uma voz ativa no combate à violência contra a mulher. Horas antes de ser assassinada, ela havia publicado uma mensagem em suas redes sociais sobre o tema. Em junho de 2025, ao compartilhar uma reportagem sobre o uso do botão do pânico em Vitória, ela escreveu: “Violência contra a mulher é crime. E a gente não fecha os olhos pra isso. Mulher, você não está sozinha”.

Primeira mulher a assumir o comando da Guarda Civil Municipal de Vitória, ela chegou ao posto por capacidade técnica e mérito, conforme destacou o secretário Municipal de Segurança Urbana, Amarilio Luiz Boni. “A Dayse era uma líder nata, uma pessoa que se envolvia demais”, pontuou o secretário.

O crime gerou forte comoção entre autoridades do Espírito Santo. Em nota, a Prefeitura de Vitória manifestou profundo pesar, destacando o legado de “respeito, força e compromisso com o serviço público” da comandante. O prefeito Lorenzo Pazolini decretou luto oficial de três dias na capital.

O governador Renato Casagrande utilizou as redes sociais para classificar o caso como um “crime brutal, que evidencia a gravidade da violência contra a mulher”, ressaltando que não há justificativa para tamanha crueldade.

A cice-prefeita Cris Samorini lamentou a perda de um “símbolo de coragem e disciplina” que fez história na cidade.

A capitã do Corpo de Bombeiros, Carla Andresa, lembrou o trabalho de acolhimento realizado por Dayse. “Uma mulher que foi voz e ação no enfrentamento à violência. Que orientava, acolhia e incentivava outras mulheres a não se calarem. E hoje… se torna mais uma vítima”.

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Atualizado: 23/03/2026 10:39

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