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Banco Central eleva juros para 15% ao ano e indica pausa no ciclo de alta

19 jun 2025 - 08:15

Redação Em Dia ES

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Decisão unânime do Copom leva taxa básica ao maior patamar desde julho de 2006 para conter inflação acima da meta; colegiado, porém, prevê interrupção dos aumentos a partir da próxima reunião, em julho
Banco Central eleva juros para 15% ao ano e indica pausa no ciclo de alta. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (18), fixando-a em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006. A decisão unânime, a sétima consecutiva no atual ciclo de alta iniciado em setembro de 2024, busca conter a inflação persistente e foi acompanhada da sinalização de uma provável interrupção nos aumentos a partir da próxima reunião do comitê.

A medida representa uma desaceleração no ritmo de ajuste, uma vez que na reunião de maio o aumento havia sido de 0,50 ponto percentual. O ciclo de aperto monetário já acumula uma alta de 4,5 pontos percentuais, partindo de 10,50% ao ano. A nova taxa de 15% a.a. é a mais elevada em quase duas décadas, embora em julho de 2006, quando estava em 15,25% a.a., a Selic estivesse em trajetória de queda.

No comunicado oficial, o BC justificou a decisão. “O Copom decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, afirmou a instituição.

Inflação e cenário econômico motivam decisão
A principal razão para a continuidade da alta dos juros é a inflação, que se mantém acima da meta. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até maio registrou 5,32%, superando o teto da meta para 2025, que é de 3,0%, com intervalo de tolerância de 1,5 a 4,5%.

Nas projeções do próprio Banco Central, a inflação para este ano subiu de 4,8% para 4,9%. Para 2026, prazo que o BC utiliza como horizonte relevante para sua política, a projeção se manteve em 3,6%, ainda acima do centro da meta. As expectativas do mercado financeiro, apuradas pelo Boletim Focus, também estão distantes do alvo, projetando 5,25% para 2025 e 4,5% para 2026.

O Copom, cuja composição atual tem sete dos nove membros indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avalia que o cenário exige uma política de juros em nível “significativamente contracionista” por um período “bastante prolongado”. A justificativa se baseia em “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”.

Sinalização de pausa e próximos passos
Apesar do aumento, o Comitê antecipou que deve interromper o ciclo de altas na próxima reunião, marcada para os dias 29 e 30 de julho. O objetivo é usar esse período para “entender se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Contudo, o colegiado não descartou futuras elevações caso o cenário exija. “O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, completa o comunicado, mantendo a flexibilidade para as decisões futuras.

Fatores externos e fiscais no radar
O cenário internacional foi classificado pelo Copom como “adverso e particularmente incerto”, com destaque para as políticas econômica e comercial dos Estados Unidos. A instituição também mencionou que o acirramento da tensão geopolítica exige cautela de países emergentes.

No âmbito doméstico, a questão fiscal continua sendo um ponto de atenção, embora a declaração sobre o tema tenha sido mais sucinta que em comunicados anteriores. “O comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros”, afirmou a nota.

Mercado dividido e repercussão
A decisão desta quarta-feira não era um consenso no mercado financeiro. Um levantamento do Valor Pro com 126 instituições mostrou que 78 projetavam manutenção em 14,75%, enquanto 48 esperavam a alta para 15%. Outra pesquisa, da Bloomberg, com 32 instituições, apontava que 20 apostavam na manutenção e 12 no aumento.

Para a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, a comunicação do BC foi acertada. “Não dá para falar que está melhorando. Há certa tendência de melhora, não o suficiente para cortar os juros, mas talvez seja o momento de parar e ver como o aumento já realizado vai bater na economia”, analisou.

Já Carlos Kawall, economista e sócio-fundador da Oriz Partners, avalia que a comunicação do Copom visa afastar discussões sobre um corte de juros no curto prazo. Ele aponta, no entanto, um contraste entre o discurso duro e a projeção de inflação do próprio BC para 2026 (3,6%), que está abaixo da previsão do mercado (4,5%).

Na avaliação do economista-chefe da XP, Caio Megale, a alta desta quarta-feira foi provavelmente a última do ano. “A política monetária segue bastante contracionista e a inflação parece ter se estabilizado — embora em níveis elevados”, disse em relatório, prevendo que uma flexibilização monetária é provável em 2026, mas dependerá dos cenários global e doméstico.

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