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Assassino de comandante Dayse respondia por tentativa de estupro contra colega da PRF

24 mar 2026 - 09:55

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Corregedoria da PRF já finalizava processo que resultaria na demissão do agente por importunação sexual contra colega. Agente premeditou feminicídio da ex-namorada com ferramentas e munições
Assassino de comandante Dayse respondia por tentativa de estupro contra colega da PRF. Foto: Reprodução

O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, autor do feminicídio contra a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, na madrugada desta segunda-feira (23), era alvo de um processo de demissão por tentativa de estupro contra uma colega de corporação. As frentes de investigação revelam que o atirador planejou a invasão à casa da vítima, no bairro Santo Antônio, portando ferramentas para arrombamento, e possuía um histórico de comportamento possessivo e violento relatado por outra ex-companheira.

Processo disciplinar e denúncia na PRF
Admitido na Polícia Rodoviária Federal em 2020 e lotado em Campos dos Goytacazes (RJ), Diego Oliveira de Souza respondia a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado em meados de 2025. Oficialmente investigado por incontinência pública e conduta escandalosa, o agente foi denunciado por uma colega de farda por tentativa de estupro.

O caso ocorreu durante o horário de serviço, quando ambos se deslocaram a uma Unidade Operacional (UOP) a cerca de 50 quilômetros da base. Segundo o relato da vítima à corporação, Diego pediu que ela entrasse na unidade para buscá-lo. Ao entrar, ela o encontrou sem o colete balístico. O agente tentou beijá-la, retirar seu colete e a empurrou para dentro de um banheiro, onde retirou o cinto de guarnição da policial, que abriga a arma e as algemas.

Desarmada, a vítima ameaçou atingi-lo com a chave da viatura. “Eu falei para ele: ‘Diego, eu vou furar você, porque vou precisar furar você para isso parar’”, relatou a agente. Ela afirmou que o policial apenas cessou as investidas quando ela tipificou o crime verbalmente: “Eu falei assim: ‘Diego, para com isso, isso é estupro. Você vai me estuprar aqui?’ Foi nesse momento que ele parou”.

Em nota, a Corregedoria da PRF no Rio de Janeiro confirmou que adotou medidas para afastar os dois agentes no ambiente de trabalho e que a apuração, que poderia resultar na demissão do servidor, estava em fase final.

Dinâmica da invasão e premeditação
O assassinato de Dayse Barbosa, de 37 anos, ocorreu por volta da 1h da manhã de segunda-feira (23). O titular da Secretaria de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, confirmou que há indícios claros de premeditação.

Para acessar o imóvel, Diego utilizou uma escada para alcançar a marquise e invadiu a casa pela área do ar-condicionado. Na mochila do atirador, a perícia encontrou um kit que reforça o planejamento do crime:

  • Alicate e chave de corte;
  • Canivete e faca;
  • Vidro de álcool e isqueiro;
  • Carregadores de munição.

Dayse dormia no quarto da filha de 8 anos e, segundo a cena do crime, tentou se levantar antes de ser atingida por cinco disparos na cabeça. Após o homicídio, Diego dirigiu-se à cozinha da residência e cometeu suicídio.

O pai da vítima, Carlos Roberto Teixeira, estava na casa e acordou com o barulho. “Não deu tempo de nada, ele entrou atirando. No primeiro tiro eu já acordei. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair”, relatou.

Histórico de controle e violência de gênero
A delegada Raffaella Aguiar, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), informou que a motivação do crime foi a recusa de Diego em aceitar o fim do relacionamento, ocorrido há cerca de um mês. De acordo com as investigações, Dayse tentava se afastar do policial, descrito como possessivo. A delegada revelou ainda que o atirador já havia tentado enforcar a comandante em uma ocasião anterior, embora não houvesse registros na Polícia Civil ou relatos aos colegas de corporação.

Esse padrão de comportamento foi corroborado por uma ex-namorada de Diego, que se relacionou com ele até 2016, época em que o atirador ainda integrava a Guarda Municipal de Vitória. Sob condição de anonimato, ela relatou que o agente vigiava seus eletrônicos e ditava suas roupas. “A partir do momento que eu disse ‘não quero mais’, minha vida virou um inferno. Me afastei do trabalho, depois pedi exoneração e sumi”, declarou a jovem, afirmando acreditar que também teria sido morta se não tivesse fugido.

Despedida e impacto no Estado
O sepultamento de Dayse Barbosa ocorreu na tarde de segunda-feira (23) no Cemitério de Santo Antônio, sob forte comoção e com um cortejo de viaturas da Guarda Municipal. Primeira mulher a comandar a instituição, ela era formada em Pedagogia e construiu sua carreira com foco na proteção às mulheres e no policiamento de proximidade.

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, lamentou o ocorrido e destacou que o assassinato encerra um ciclo de 650 dias sem registros de feminicídios na capital, marca que, segundo ele, teve participação direta do trabalho da comandante.

Na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), os deputados realizaram um minuto de silêncio. A deputada Janete de Sá (PSB) ressaltou que, com a morte de Dayse, o Espírito Santo atinge a marca de 17 mulheres assassinadas em 2026, sendo quatro tipificadas como feminicídio. O presidente da Casa, Marcelo Santos (União), cobrou políticas públicas direcionadas e alertou para a urgência de assistência psicológica e psiquiátrica para os profissionais das forças de segurança.

Os celulares de Diego e Dayse foram recolhidos pela Polícia Científica e passarão por análise para a conclusão do inquérito conduzido pelo Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

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Atualizado: 24/03/2026 09:56

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