Entram em vigor nesta segunda-feira (2) as novas diretrizes estabelecidas pelo Banco Central (BC) para aumentar a segurança nas transações realizadas via Pix. As medidas têm como foco principal a atualização do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que agora permite o rastreamento do dinheiro desviado mesmo após passar por diferentes contas, além de determinar o bloqueio automático de chaves envolvidas em denúncias de fraude.
O objetivo das alterações é tornar o sistema de pagamentos instantâneos mais seguro e aumentar a proteção dos usuários contra golpes. As instituições financeiras passam a ser obrigadas a adotar critérios mais rigorosos na identificação de transações suspeitas e na oferta de ferramentas de contestação.
Rastreabilidade ampliada: o MED 2.0
A principal mudança reside no funcionamento do Mecanismo Especial de Devolução, que chega à sua versão 2.0. Até então, o bloqueio e a tentativa de recuperação de valores limitavam-se à primeira conta recebedora dos recursos. Dados de 2025 apontam que essa limitação resultou em uma taxa de recuperação de apenas 9,3% dos valores contestados, uma vez que o dinheiro oriundo de golpes é rapidamente “pulverizado” (transferido para diversas outras contas) pelos criminosos.
Com a nova regra, o sistema de rastreamento vai além da conta inicial. Se uma fraude for denunciada e não houver saldo na primeira conta receptora, o mecanismo seguirá o rastro da transferência, tentando bloquear a conta seguinte. O processo se repete sucessivamente, acompanhando o caminho do dinheiro. Segundo o Banco Central, isso eleva o custo para os fraudadores, dificulta a dispersão dos valores e aumenta as chances de ressarcimento às vítimas.
Bloqueio preventivo e facilidade na denúncia
As novas normas permitem que os bancos bloqueiem automaticamente, por até 72 horas, contas com suspeita de envolvimento em fraudes logo após o recebimento de uma denúncia. Além disso, as instituições devem bloquear operações que apresentem indícios de irregularidade.
Para o usuário, o processo de contestação torna-se mais acessível. Todos os bancos agora são obrigados a disponibilizar, em seus aplicativos, um botão específico para acesso ao MED ou contestação de Pix, similar ao procedimento já existente para compras com cartão de crédito.
Em entrevista recente, o especialista em segurança digital e CEO da Acadi-TI, Josué Adil, destacou que a ferramenta poderá ser acionada diretamente pelo aplicativo, sem a necessidade imediata de um boletim de ocorrência policial.
“Antes de você fazer qualquer boletim de ocorrência pelos meios que anteriormente era a regra principal, você dentro do próprio aplicativo do banco, tem o MED, o Mecanismo Especial de Devolução, que você aciona ele. O banco já automaticamente, a tecnologia já vai bloquear a conta de destino do fraudador”, explicou Adil.
Orientações de segurança
Apesar das novas camadas de proteção, especialistas reforçam a necessidade de cautela. Josué Adil alerta para fraudes comuns, como o golpe do “Pix errado”, e orienta que usuários não transfiram valores para contas indicadas por desconhecidos.
O especialista também esclareceu rumores sobre um suposto monitoramento governamental para fins de taxação. Adil negou a criação de impostos sobre o Pix e reforçou que a rastreabilidade serve exclusivamente para proteção do usuário. “A rastreabilidade é justamente por segurança nesse momento, para você se proteger através desse mecanismo especial de devolução, que é o MED”, concluiu.


















