economia

Influenciada pela alta dos alimentos e remédios, inflação fica em 0,67% em abril

12 maio 2026 - 10:50

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

Share
IPCA de abril recua na comparação com março, porém atinge 4,39% no acumulado de 12 meses. Em Vitória, gratuidade nas passagens aos domingos ajuda a frear os custos do grupo de transportes
Inflação desacelera para 0,67% no país, mas alimentos e gasolina mantêm pressão no orçamento. Foto: Getty Images Signature

Nesta terça-feira (12), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) marcou 0,67% no Brasil em abril. Embora o índice represente uma desaceleração em relação à taxa de 0,88% registrada em março, a inflação do mês foi puxada para cima pelos grupos de alimentação e bebidas, saúde e combustíveis. O avanço ocorre sob a influência de fatores climáticos sazonais e dos impactos internacionais da guerra no Irã sobre o preço do petróleo, o que aproximou o acumulado de 12 meses (4,39%) do teto da meta contínua do Banco Central, estipulada em 4,5%.

Juntos, os grupos de Alimentação e Bebidas e de Saúde e Cuidados Pessoais representaram aproximadamente 67% de todo o resultado da inflação em abril. O índice oficial serve de base para a política de juros do Banco Central, cuja taxa Selic caiu a 14,5% ao ano neste mesmo mês.

O peso da alimentação
O grupo de Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,34% em abril, sendo responsável pelo maior impacto no índice do mês (0,29 ponto percentual). A alimentação no domicílio avançou 1,64%, com aumentos expressivos em itens essenciais:

  • Cenoura: 26,63%
  • Leite longa vida: 13,66% (segundo maior impacto individual no IPCA, com 0,09 p.p.)
  • Cebola: 11,76%
  • Tomate: 6,13%
  • Carnes: 1,59%

Por outro lado, o IBGE destacou quedas em produtos como o café moído (-2,30%), que reflete a expectativa de uma colheita maior no país, e o frango em pedaços (-2,14%). A alimentação fora do domicílio subiu 0,59%, com o lanche passando de 0,89% em março para 0,71% em abril, e a refeição variando de 0,49% para 0,54%.

O gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, detalhou os motivos da alta: “Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”.

Combustíveis e o cenário internacional
A gasolina foi o subitem com o maior impacto individual no IPCA de abril (0,10 p.p.). Apesar de ter desacelerado em relação a março (passando de 4,59% para 1,86%), o combustível continuou a pressionar o orçamento das famílias. A alta está ligada às cotações do petróleo no mercado internacional, tensionadas pela guerra no Irã. O óleo diesel também apresentou avanço de 4,46%, seguido pelo etanol (0,62%), enquanto o gás veicular recuou 1,24%.

Cenário capixaba
O grupo Transportes como um todo apresentou forte desaceleração, passando de 1,64% em março para 0,06% em abril. Esse cenário foi propiciado pela queda de 14,45% nas passagens aéreas e pela variação de -1,13% nos ônibus urbanos em nível nacional.

No âmbito local, a capital do Espírito Santo se destacou. A aplicação de gratuidades ou reduções de tarifas aos domingos e feriados gerou uma deflação de -0,60% no transporte público de Vitória. Outras capitais, como São Paulo, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Brasília, Belém e Belo Horizonte também registraram quedas no subitem pelo mesmo motivo.

Saúde, cuidados pessoais e habitação
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve alta de 1,16%, gerando um impacto de 0,16 p.p. no mês. Os produtos farmacêuticos subiram 1,77%, refletindo a autorização governamental de reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos a partir de 1º de abril. Os artigos de higiene pessoal avançaram 1,57%, com destaque para os perfumes (1,94%).

Em Habitação, o aumento de 0,63% foi impulsionado pelo gás de botijão (3,74%) e pela energia elétrica residencial (0,72%), que incorporou reajustes de concessionárias em diversos estados ao longo de março e abril.

Entre os índices regionais do IPCA, a maior variação do país ocorreu em Goiânia (1,12%) e a menor em Brasília (0,16%).

INPC e construção civil
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, teve alta de 0,81% em abril, acumulando 2,70% no ano e 4,11% em 12 meses.

Paralelamente, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) avançou 0,72% no mês, ficando 0,35 ponto percentual acima da taxa de março. O custo nacional da construção por metro quadrado fechou abril em R$ 1.946,09 (R$ 1.098,80 relativos aos materiais e R$ 847,29 à mão de obra). O acumulado do Sinapi nos últimos doze meses alcançou 7,01%. A Região Nordeste liderou a variação mensal com 0,98%, enquanto o Sudeste, que abriga o Espírito Santo, registrou 0,66%.

0
0
Atualizado: 12/05/2026 10:53

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.