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Inadimplência de aluguel sobe no Espírito Santo e fecha 2025 em 2,40%

10 fev 2026 - 11:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Mesmo com oscilação positiva, estado segue com números melhores que a média nacional; cenário econômico e gastos com 'bets' influenciam orçamento das famílias
Atraso no aluguel cresce no Espírito Santo e taxa de inadimplência fecha 2025 em 2,40%. Foto: Monster Ztudio/Reprodução

A inadimplência no pagamento de aluguéis no Espírito Santo encerrou o ano de 2025 com uma leve alta, passando de 2,33% em 2024 para o patamar de 2,40%. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (9) pelo Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, indicam que, apesar do avanço de 0,07 ponto percentual, o indicador capixaba permanece abaixo da média da região Sudeste (3,24%) e da média nacional (3,50%).

O levantamento foi realizado com base em dados anonimizados de mais de 600 mil clientes da plataforma, que atua nos mercados condominial e imobiliário. Segundo a análise, o comportamento do mercado no Espírito Santo demonstra certa estabilidade quando comparado a outras unidades da federação, mas exige cautela diante do cenário macroeconômico.

Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, avalia o desempenho local. “Apesar da alta, o Espírito Santo segue como um estado com taxas abaixo da média nacional e da regional, o que demonstra resiliência do mercado local. Ainda assim, é essencial seguir atento à evolução dos indicadores macroeconômicos, como inflação e juros, que impactam diretamente a capacidade de pagamento das famílias”, afirma.

Impacto das apostas e do orçamento familiar
O relatório aponta que fatores externos ao mercado imobiliário têm pressionado o orçamento doméstico. Um dos pontos destacados é o comprometimento de renda com apostas online. Segundo dados do Banco Central citados no levantamento, as “bets” provocaram perdas econômicas de R$ 38,8 milhões no último ano. “Outros fatores externos também podem impactar o orçamento das famílias, entre eles, as bets […] e devem ser considerados para manter as contas no azul”, complementa Gonçalves.

Além disso, o cenário econômico de 2025 foi marcado pela maior taxa de juros em quase duas décadas, com a Selic atingindo 15%, e pela desaceleração da atividade econômica, que teve expectativa de crescimento de 2,6% em 2025, contra 3,4% em 2024. O diretor da Superlógica alerta que esses fatores impactam o poder de compra e o pagamento de despesas básicas.

Imóveis comerciais lideram atrasos no Sudeste
Ao analisar especificamente a região Sudeste, onde o Espírito Santo está inserido, observa-se um aumento na inadimplência geral de 3,12% em 2024 para 3,24% em 2025. O segmento de imóveis comerciais foi o mais afetado, liderando a falta de pagamentos com uma taxa de 4,54%, um aumento de 0,44 ponto percentual em relação ao ano anterior.

O desempenho por tipo de imóvel no Sudeste ficou da seguinte forma:

  • Imóveis comerciais: 4,54% (ante 4,10% em 2024).
  • Casas: 3,68% (ante 3,61% em 2024).
  • Apartamentos: Estabilidade técnica, com 2,26% em 2025 (ante 2,27% em 2024).

No âmbito nacional, os imóveis comerciais também apresentaram as maiores taxas de inadimplência durante todo o ano de 2025, oscilando entre 4,12% e 5,55%, com pico em setembro. “Esse tipo de imóvel pode ser mais afetado considerando a instabilidade econômica e os desafios enfrentados por empresas, refletindo muitas vezes as dificuldades financeiras de empreendedores brasileiros”, analisa o especialista.

Comparativo regional
O estudo traz ainda um ranking das regiões brasileiras. Embora o Sudeste tenha registrado aumento, as taxas mais elevadas do país concentraram-se no Norte e no Nordeste.

O Nordeste manteve o índice mais alto do Brasil, fechando o ano com 5,15% de inadimplência, apesar de uma queda de 0,68 ponto percentual em relação a 2024. Já a região Norte encerrou o período com 4,88%. O Centro-Oeste ocupou a terceira posição, com 3,59%, seguido pelo Sudeste e pelo Sul, que registrou a menor taxa do país (2,89%).

“As taxas dessas regiões [Centro-Oeste, Sudeste e Sul] são mais baixas em relação ao Norte e Nordeste, mas tiveram aumento em relação ao ano anterior, o que acende um alerta para essas regiões também”, pondera Gonçalves.

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