economia

Empresas capixabas se destacam como as melhores pagadoras do Brasil

21 out 2025 - 16:35

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Taxa de CNPJs com contas em atraso no estado cai para 24,73%, a menor do país e bem abaixo da média nacional, segundo estudo da Fecomércio-ES. Endividamento das famílias também recua
Empresas capixabas se destacam como as melhores pagadoras do Brasil. Foto: Rafael Carvalho

O Espírito Santo alcançou a menor taxa de inadimplência empresarial do Brasil, posicionando o empresário capixaba como o “melhor pagador” do país, segundo o estudo “Retrato da Inadimplência”, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES com base em dados do Serasa Experian. O levantamento aponta que a taxa de CNPJs com contas em atraso caiu para 24,73% em maio de 2025, ficando significativamente abaixo da média nacional (31,75%) e da média da região Sudeste (31,27%). A inadimplência das famílias no estado também registrou queda em agosto, atingindo o menor patamar desde 2022.

Os dados de maio de 2025 revelam que 433 empresas capixabas conseguiram sair da inadimplência, reduzindo o número total de CNPJs com contas no vermelho para 129.420. O cenário representa uma melhora contínua em relação a maio de 2024, quando o índice era de 25,55%, marcando uma queda de 0,82 ponto percentual no período de um ano.

Apesar dos custos de crédito elevados, o estudo mostra que as empresas do estado mantiveram estabilidade no número de dívidas por CNPJ, que permaneceu em 5,5, mesmo nível de abril. O valor médio dessas dívidas chegou a R$ 14.503,40.

André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, avalia que o desempenho indica um ambiente de negócios mais sólido no estado. “O resultado mostra que o Espírito Santo mantém um ambiente de negócios mais equilibrado e sustentável. A redução da inadimplência reduz o risco sistêmico, atrai investimentos e fortalece a competitividade do setor produtivo local”, explicou.

Outro indicador positivo foi a redução do estoque de dívidas empresariais, que passou de R$ 2,34 bilhões em 2020 para R$ 1,88 bilhão em 2025. Segundo o estudo, essa reorganização financeira ocorreu mesmo com a taxa Selic em patamar elevado, em torno de 15%, o que aponta para um ambiente mais previsível e favorável ao planejamento de longo prazo.

“As empresas do Espírito Santo têm demonstrado capacidade de adaptação. Mesmo em um contexto de crédito caro, conseguiram reduzir o endividamento e aumentar a eficiência na gestão do capital de giro”, observou Spalenza.

Micro e pequenas empresas puxam melhora
O levantamento destaca ainda o papel relevante das micro e pequenas empresas (MPEs) para o resultado positivo. Houve uma queda de 0,7% no número de MPEs inadimplentes, totalizando 123,6 mil.

Com isso, o Espírito Santo se distancia do comportamento registrado na região Sudeste e no Brasil, onde a inadimplência empresarial cresceu 0,3 e 0,27 ponto percentual, respectivamente, no mesmo período.

O estudo aponta que a baixa inadimplência proporciona maior liquidez e flexibilidade financeira, permitindo que as companhias locais adotem políticas de crédito mais flexíveis, ampliem prazos de pagamento e negociem melhor com fornecedores. Essa solidez se converte em vantagem competitiva para períodos estratégicos do varejo, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

“Empresas financeiramente equilibradas conseguem planejar promoções, investir em inovação e reforçar estoques com mais segurança. Isso aumenta a competitividade e gera confiança no mercado”, complementou Spalenza.

Inadimplência das famílias também recua
O bom momento financeiro não se restringiu às pessoas jurídicas. A inadimplência das famílias capixabas caiu para 33,3% em agosto de 2025, o menor patamar registrado desde 2022.

Na comparação com agosto de 2024, quando a taxa era de 35%, a redução foi de 1,7 ponto percentual. Isso representa 70,5 mil pessoas a menos com dívidas em atraso no estado. A dívida média por pessoa física ficou em R$ 5.904,37.

A melhora foi mais acentuada entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 15.180), cuja taxa de inadimplência caiu de 39,7% para 37,2%. O avanço indica maior controle financeiro e renegociação de débitos.

O levantamento aponta, no entanto, que as dívidas com mais de 90 dias de atraso seguem como o principal desafio, representando 55,3% do total entre as famílias de menor renda e 52,4% entre as de maior renda. Apesar disso, houve um leve avanço na capacidade de pagamento declarada: 45,3% das famílias de menor renda afirmaram que conseguirão quitar total ou parcialmente seus débitos no próximo mês, contra 45% em julho.

“A queda da inadimplência empresarial e familiar mostra que o Espírito Santo está consolidando uma base financeira mais saudável. Isso amplia a confiança de consumidores e empresários e cria um ciclo virtuoso de crescimento”, concluiu André Spalenza.

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