política

Mirando as eleições, PT lança carta aos evangélicos para reforçar laços e rejeitar manipulação política da religião

09 jun 2026 - 08:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Texto, elaborado durante encontro nacional do partido em Brasília, destaca ações pela liberdade de culto. Movimento ocorre na mesma semana em que oposição marcou presença na Marcha para Jesus em São Paulo com discursos sobre guerra espiritual
PT publica documento direcionado a evangélicos para reforçar laços e rejeitar manipulação política da religião. Foto: Ricardo Stuckert

O Partido dos Trabalhadores publicou, na noite de segunda-feira (8), uma carta voltada aos evangélicos brasileiros na qual ressalta que as gestões federais da legenda mantiveram postura de respeito e reconhecimento da importância dessas igrejas. O documento é fruto do IV Encontro Nacional de Evangélicos do partido, ocorrido na sede da instituição em Brasília, e visa ampliar o diálogo para a construção de pontes com esse eleitorado estratégico. A ação acontece dias após a Marcha para Jesus, evento realizado em São Paulo que reuniu opositores políticos e evidenciou a necessidade de aproximação do atual governo com o público cristão, em meio a quedas recentes nos índices de popularidade.

Detalhes do documento e ações governamentais
A carta aos evangélicos busca evitar temas relacionados à pauta de costumes e foca em pontos de convergência. O texto elenca ações implementadas durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva voltadas à garantia da liberdade religiosa. Entre as medidas destacadas no documento estão a criação de leis para assegurar o livre exercício de cultos, a facilitação burocrática para a abertura de novas igrejas, o reconhecimento da música gospel como patrimônio cultural e a instituição de datas nacionais ligadas à fé cristã e ao combate à intolerância religiosa.

No material divulgado, o partido reforça que suas administrações nunca atuaram contra as instituições de base cristã. “Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica”, aponta um trecho da publicação.

O documento também declara apoio à continuidade do projeto democrático liderado por Lula e enfatiza que a iniciativa não possui objetivos eleitorais de curto prazo, citando o entendimento do próprio presidente de que não se deve tirar proveito político de elementos sagrados. A carta é finalizada com uma bênção ao povo brasileiro e menções diretas à defesa da democracia, à soberania nacional e aos valores cristãos, pedindo que Deus conduza a nação por caminhos de justiça e paz.

Marcha para Jesus e a presença da oposição política
A mobilização petista ganha força em um cenário de embate direto pelo apoio do segmento evangélico. Na última quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi, foi realizada a tradicional Marcha para Jesus na capital paulista. O presidente Lula optou por não comparecer ao evento, enviando o advogado-geral da União, Jorge Messias, como seu representante institucional. Em ligação telefônica aos organizadores, o chefe do Executivo justificou a ausência argumentando que evita participar desse tipo de agenda em anos de eleições para não transparecer o uso político da fé.

Apesar da falta do presidente da República, lideranças ligadas à oposição marcaram forte presença no trio elétrico da marcha. Participaram do trajeto o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

Durante a celebração, Flávio Bolsonaro utilizou o microfone para discursar ao público presente, elevando o tom do embate político. “Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano”, declarou o senador.

Encontro nacional e o discurso das lideranças em Brasília
Com o tema “Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026”, o encontro que originou a carta reuniu pastores, parlamentares, representantes de movimentos sociais e militantes em Brasília. O evento foi organizado em conjunto pelo Setorial Nacional Inter-religioso, pelo Núcleo Nacional de Evangélicos e Evangélicas do partido e pela Fundação Perseu Abramo.

O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, abriu o encontro defendendo que a fé não deve ser instrumentalizada para as disputas eleitorais de outubro. “Nós não vamos manipular a fé de ninguém. Não vamos fazer disputa político-eleitoral usando a fé de ninguém. Nós temos que construir o espaço de diálogo”, ressaltou o dirigente.

Edinho também argumentou que o projeto de mundo defendido pela legenda, fundamentado no combate à fome, à miséria e às desigualdades, dialoga de forma direta com as propostas do Evangelho. O dirigente mencionou o histórico do governo com o segmento religioso e destacou o trabalho da primeira-dama Janja, que estava presente no evento, no acolhimento de mulheres vítimas de violência, conectando a causa feminina à centralidade da mulher nas escrituras sagradas.

Outras figuras públicas do partido aproveitaram o espaço para delinear estratégias de comunicação e mobilização. A senadora Eliziane Gama defendeu a necessidade de estabelecer canais permanentes de conversa dentro dos espaços religiosos para comunicar de forma mais efetiva as ações do governo federal. Já a deputada federal Benedita da Silva alertou para o avanço da extrema direita no país e reforçou a importância do combate às notícias falsas, além de clamar por unidade em torno da reeleição do presidente Lula, o qual classificou como um líder respeitado universalmente.

Para o coordenador nacional do Setorial Inter-religioso, Gutierres Barbosa, o evento também cumpriu o papel de reafirmar a presença histórica de centenas de milhares de filiados evangélicos dentro da própria legenda estrutural. Fechando o encontro, a secretária nacional de Movimentos Populares, Lucinha Barbosa, sinalizou que a organização inter-religiosa assumirá uma função determinante não apenas para a esquerda, mas como pilar fundamental na campanha de reeleição presidencial.

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Atualizado: 09/06/2026 10:03

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