economia

Copom mantém Selic em 15% ao ano pela 3ª vez, apesar da pressão do governo por corte

05 nov 2025 - 19:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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Decisão unânime adota tom conservador e mantém indefinição sobre futuros cortes. Brasil segue com 2º maior juro real do mundo
Copom mantém Selic em 15% ao ano pela 3ª vez, apesar da pressão do governo por corte. Foto: Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira (5), manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. Esta é a terceira reunião seguida que o colegiado opta pela manutenção, uma decisão que ocorre apesar da crescente pressão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma redução.

A decisão era amplamente esperada pelos agentes do mercado financeiro; um levantamento da Bloomberg mostrou que todas as 31 instituições consultadas previam a manutenção. O Copom adotou um tom conservador em seu comunicado, com linguagem quase idêntica à de setembro, e manteve a indefinição sobre quando um ciclo de cortes de juros poderá começar.

Incerteza e pressão do governo
No comunicado oficial, o comitê repetiu que avalia se a estratégia de manter a taxa no nível atual por um período “bastante prolongado” será suficiente para assegurar a convergência da inflação para a meta. O órgão citou que o cenário atual, marcado por “elevada incerteza”, exige cautela na condução da política de juros e reafirmou que seguirá vigilante.

A manutenção contraria diretamente a posição de membros do governo. Um dia antes da decisão, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirmou que, se fosse membro do colegiado, votaria pela queda, avaliando o patamar da Selic como “insustentável”. O discurso de Haddad ecoa cobranças feitas pelo presidente Lula, responsável pela indicação de Gabriel Galípolo à presidência do BC.

Com a decisão, a diferença entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos aumentou. Na semana passada, o Federal Reserve (BC dos EUA) reduziu sua taxa para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, elevando o diferencial para 11 pontos percentuais, considerando o limite superior americano.

Cenário da inflação e economia
A Selic está fixada em seu maior nível em quase duas décadas. O ciclo de alta foi interrompido em julho, após sete aumentos consecutivos que elevaram a taxa de 10,5% (setembro de 2024) para os 15% atuais (desde junho).

O Copom, que mira a inflação do segundo trimestre de 2027, ajustou suas projeções. No cenário de referência do comitê, a estimativa para a inflação deste ano caiu de 4,8% para 4,6%, enquanto para 2026 se manteve em 3,6%. Para o 2º trimestre de 2027, a estimativa ficou em 3,3%, mais próxima do centro da meta de 3%.

Apesar disso, o colegiado destacou que as expectativas de inflação, especialmente as do mercado, seguem distantes da meta. Segundo o último boletim Focus, analistas projetam que o IPCA termine 2026 em 4,2% e 2027 em 3,8%.

O BC também mostrou preocupação com a força da atividade econômica e a pressão sobre os preços vinda do mercado de trabalho. Embora tenha reconhecido uma moderação no crescimento, o comitê ressaltou o dinamismo do emprego. A taxa de desemprego no Brasil foi de 5,6% no trimestre até setembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.

Sobre o ambiente externo e fiscal, o Copom se limitou a repetir o discurso de setembro, afirmando que segue acompanhando os anúncios de tarifas comerciais dos EUA ao Brasil e os impactos da política fiscal doméstica. O comitê não reconheceu o encontro entre Lula e Donald Trump, ocorrido em 26 de outubro na Malásia, sobre o tarifaço.

A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 9 e 10 de dezembro.

Brasil mantém 2º lugar no ranking de juros reais
Com a Selic em 15%, o Brasil segue na segunda posição no ranking mundial de juros reais (taxa descontada a inflação), ficando atrás apenas da Turquia.

Segundo levantamento do Portal MoneYou e da Lev Intelligence, a taxa real brasileira subiu de 9,51% ao ano (em setembro) para 9,74% ao ano. Na Turquia, os juros reais subiram de 12,34% para 17,80% no mesmo período.

O cálculo para o número brasileiro combina a inflação projetada para os próximos 12 meses, que recuou de 4,45% para 3,94% desde setembro, e os juros de mercado de 12 meses à frente.

No ranking de juros reais, o Brasil (9,74%) está à frente da Rússia (9,10%), Argentina (5,16%) e Índia (4,21%). Em termos nominais, a taxa brasileira de 15% é a quarta maior do mundo, abaixo de Turquia (39,5%), Argentina (29%) e Rússia (16,5%).

Brasil é o segundo país com maior juro real
País Juro Real (% ao ano)
Turquia 17,8
Brasil 9,74
Rússia 9,1
Argentina 5,16
Índia 4,21
Colômbia 3,66
México 3,54
África do Sul 3,31
Tailândia 2,77
Indonésia 2,41
Filipinas 2,09
Hungria 1,97
Israel 1,87
China 1,76
Malásia 1,67
Hong Kong 1,52
Suécia 1,40
Chile 1,16
República Tcheca 1,06
França 1,03
Polônia 0,9
Itália 0,71
Cingapura 0,66
Nova Zelândia 0,58
Grécia 0,36
Coreia do Sul 0,31
Estados Unidos 0,26
Austrália 0,23
Suíça 0,07
Reino Unido 0,03
Taiwan 0,01
Bélgica 0,01
Portugal -0,17
Alemanha -0,4
Dinamarca -0,52
Espanha -1,08
Japão -1,35
Canadá -1,62
Áustria -1,99
Holanda -3,05
Fonte: MoneyYou e Lev Intelligence
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Atualizado: 05/11/2025 20:04

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