O comércio varejista no Espírito Santo registrou um crescimento de 4% no acumulado de janeiro a agosto de 2025, um desempenho que supera em quase quatro vezes a média da Região Sudeste (1,1%) e também a nacional (1,6%). O principal vetor desse avanço foi o segmento de tecidos, vestuário e calçados, que apresentou alta de 17,4% no período. As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado posiciona o Espírito Santo como o estado que mais avançou na região Sudeste, seguido por Minas Gerais (1,5%) e São Paulo (0,8%). O Rio de Janeiro registrou variação negativa (-2%). No ranking brasileiro, o estado ficou em 6º lugar no crescimento do volume de vendas do varejo.
De acordo com André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, o desempenho reflete a força do consumo local. “O comércio capixaba tem mostrado consistência no crescimento, sustentado por fatores como a recuperação da renda das famílias, a confiança do consumidor e a modernização das estratégias de vendas”, afirmou.
Spalenza destacou que o varejo do Espírito Santo mantém índices superiores aos da média nacional há vários meses, o que, segundo ele, demonstra uma estrutura empresarial mais sólida e resiliente.
Vestuário e farmácia puxam o crescimento
Além do expressivo desempenho do segmento de tecidos, vestuário e calçados (17,4%), outros setores impulsionaram o resultado positivo no Espírito Santo nos primeiros oito meses de 2025. O setor de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos teve alta de 11,8%.
Na sequência, aparecem Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (5,1%); Móveis e eletrodomésticos (4,3%); e Hipermercados e supermercados (2,5%).
Segundo Spalenza, esses resultados refletem uma tendência positiva de diversificação das vendas. “Mesmo com uma leve retração em agosto (1,2%), os números de 2025 confirmam o vigor do setor e reforçam as expectativas otimistas para o último quadrimestre do ano, especialmente com datas importantes como Black Friday e Natal”, explicou.
Varejo ampliado e atacado se destacam
No conceito de varejo ampliado, que inclui veículos, motocicletas, material de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, o Espírito Santo também registrou crescimento. A alta foi de 2,2% no acumulado do ano, resultado superior ao do Brasil (-0,4%) e ao da média do Sudeste (-0,8%).
O segmento de atacado de alimentos e bebidas teve papel essencial nesse avanço, com alta de 23,4% no acumulado de 2025, o melhor desempenho registrado desde 2022.
Para Spalenza, esse cenário indica um ambiente comercial mais maduro. “O Espírito Santo tem conseguido conciliar expansão com sustentabilidade financeira, o que o posiciona como líder regional em competitividade varejista”, destacou.
Inovação e cashback como estratégias de fidelização
Para o empresário Édson Wander de Souza, sócio-diretor do Grupo Prenda Shop, a explicação para os bons resultados passa pela inovação e pela aproximação com o cliente. “Mesmo com um mercado mais estável, temos investido em marketing digital, treinamento das equipes e estratégias de fidelização, como o cashback, que estimula o cliente a voltar e comprar novamente com desconto”, explicou.
Souza detalhou a estratégia de foco na experiência do consumidor. “Essa recompra contínua cria um vínculo forte com o consumidor e reforça a experiência do cliente dentro da loja. Nosso foco tem sido fazer com que o consumidor se sinta realmente bem atendido, confortável e valorizado. Esse cuidado é essencial para diferenciar o comércio físico da concorrência digital, que é cada vez mais forte”.
A prática do cashback (devolver parte do valor gasto para uso em futuras compras) tem se consolidado como uma tendência nacional. Segundo André Spalenza, da Fecomércio-ES, essa estratégia cria um ciclo de engajamento constante.
“Essa tendência evidencia que, mesmo em um cenário econômico desafiador, é possível estimular o consumo de forma estratégica”, disse Spalenza. “O cashback não apenas fortalece a fidelização, mas também cria oportunidades para lojistas de todos os portes inovarem em ofertas e experiências de compra, garantindo que o consumidor permaneça ativo e conectado à marca de maneira constante e previsível”.


















