economia

Com o consumidor capixaba mais confiante, comércio e serviços criam mais de 2 mil vagas

11 set 2025 - 09:35

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Indicador de Intenção de Consumo das Famílias supera as médias do Sudeste e do Brasil em agosto, enquanto dados de julho mostram que os dois setores foram responsáveis por mais de 2 mil novas vagas de trabalho com carteira assinada
Com o consumidor capixaba mais confiante, comércio e serviços criam mais de 2 mil vagas. Foto: Junior Bergamaschi/Em Dia ES

A confiança do consumidor capixaba se mantém em alta e reflete diretamente no mercado de trabalho. Um levantamento sobre a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) do Espírito Santo, referente a agosto, aponta que o otimismo para compras segue em patamar de satisfação, superando as médias regional e nacional. Esse cenário favorável se materializou na geração de mais de 2 mil novos empregos nos setores de comércio e serviços em julho, consolidando-os como os principais motores da economia do estado.

As análises, divulgadas pelo Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), foram baseadas em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Otimismo acima da média
Em agosto, a Intenção de Consumo das Famílias capixabas alcançou 103,1 pontos, permanecendo acima da zona de satisfação (acima de 100 pontos). O indicador do estado ficou à frente da média da região Sudeste, que foi de 102,9 pontos, e da média nacional, registrada em 101,6 pontos.

O principal componente que impulsionou o índice foi a satisfação com a renda atual, que cresceu 1,6% no mês e atingiu 122,2 pontos. “Esses resultados indicam que o consumidor está mais seguro com sua renda e com o mercado de trabalho. Isso sustenta a confiança para o consumo e beneficia diretamente o comércio e os serviços”, afirmou André Spalenza, coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES.

A capacidade de consumo das famílias também se manteve elevada, com 113,6 pontos, um reflexo de condições mais favoráveis no mercado de trabalho. A disposição para o consumo imediato, no entanto, permaneceu em 89 pontos, o que, segundo Spalenza, demonstra um equilíbrio entre cautela e um ambiente positivo. “As famílias estão planejando mais suas compras, mas dispõem de condições efetivas para manter o consumo em alta”, completou.

O levantamento também apontou particularidades por faixa de renda. Famílias com ganhos de até 10 salários mínimos (R$ 15.180) registraram um aumento de 2,1% na percepção da renda atual. Já as famílias com renda superior a esse patamar apresentaram maior confiança na perspectiva profissional, com uma alta de 4,3%.

Segundo Spalenza, os meses de agosto dos últimos três anos têm registrado níveis elevados de intenção de consumo, indicando uma recuperação sólida da confiança do consumidor capixaba após os impactos da pandemia.

Para o vice-presidente de Administração e Finanças do Grupo Coutinho, Fabricio Coutinho, a conjuntura econômica estimula o consumo. “O que tem impulsionado as vendas no varejo é, principalmente, o fato de que hoje a população está com dinheiro na mão. O desemprego está baixo, as pessoas estão empregadas e com renda, o que cria condições mais favoráveis para o consumo”, destacou.

Setores de comércio e serviços lideram geração de vagas
O reflexo direto do otimismo do consumidor foi visto na geração de empregos em julho. Juntos, os setores de comércio e serviços criaram 2.024 novas vagas com carteira assinada no Espírito Santo. O desempenho dos dois segmentos ajudou o estado a manter um patamar de 927.504 vínculos formais de trabalho, um crescimento de 2,6% em relação a julho do ano passado.

O setor de serviços foi o que mais contratou, com um saldo de 1.233 novos postos, com destaque para as áreas de informação, comunicação e atividades financeiras e imobiliárias (831 vagas), transporte rodoviário de cargas (250) e atenção à saúde humana (429).

O comércio, por sua vez, abriu 791 vagas, impulsionado principalmente pelo segmento atacadista (407), seguido pelo varejista (259). A indústria capixaba também teve um resultado positivo, com a criação de 785 oportunidades.

Nos últimos 12 meses, de julho de 2024 a julho de 2025, o setor de serviços liderou a criação de vagas formais, com 12.293 novos postos, seguido pelo comércio, com 6.969. Juntos, os dois segmentos responderam por 81,5% de todos os novos empregos gerados no estado nesse período. “O desempenho de julho mostra que o comércio e os serviços continuam sendo grandes motores, refletindo a confiança dos consumidores e o dinamismo das empresas locais”, avaliou André Spalenza.

Sazonalidade da agricultura impacta saldo geral
Apesar do forte desempenho dos setores de comércio e serviços, o saldo geral de empregos no Espírito Santo em julho ficou negativo, com o fechamento de 2.381 postos. O resultado foi majoritariamente influenciado pela agropecuária, que encerrou 5.030 vagas, e pela construção civil, com um saldo negativo de 160 postos.

O movimento na agropecuária é sazonal e esperado para o período, devido ao fim da safra do café, que havia gerado um volume recorde de contratações temporárias em abril e maio. “Esse comportamento é esperado para o período, em que ocorre um grande volume de contratações temporárias entre abril e maio e, posteriormente, o desligamento dos trabalhadores após o fim da safra”, explicou Spalenza.

A diferença entre os setores também se refletiu na geografia do emprego. A Região Metropolitana da Grande Vitória apresentou um saldo positivo de 1.218 novas vagas, com Serra (478), Vitória (368) e Viana (250) liderando as contratações. Em contrapartida, os municípios do interior registraram uma perda de 3.599 postos de trabalho, um reflexo direto do fim das colheitas.

Para a gerente-executiva do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Espírito Santo (Sincades), Ivete Paganini, a prorrogação de incentivos fiscais tem sido um fator de atratividade para empresas. “Desde 2021, houve aumento no número de contratações no setor atacadista. Agora, o desafio é investir em infraestrutura, melhorar nossas estradas, portos, aeroportos, fomentar turismo e criar um ambiente de negócios robusto o suficiente para sustentar esse crescimento”, pontuou.

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Atualizado: 11/09/2025 10:26

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