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Carnaval no ES deve movimentar R$ 228 milhões e bater recorde de empregos temporários

02 fev 2026 - 18:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Projeção aponta crescimento de 3,5% em relação a 2025, o melhor resultado da década. Setor de serviços lidera receitas e contratações somam maior volume em sete anos
Carnaval deve injetar R$ 228,7 milhões na economia capixaba e gerar recorde de vagas temporárias. Foto: Pollyana Ventura / Getty Images Signature

O Carnaval de 2026 no Espírito Santo projeta uma movimentação financeira de R$ 228,7 milhões, consolidando-se como o melhor resultado da última década no estado. Segundo análise divulgada nesta segunda-feira (2), o montante representa um crescimento real de 3,5% em comparação a 2025 e supera a média histórica de expansão anual registrada nos últimos dez anos, que girou em torno de 2%.

Os dados são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), baseados em levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Caso a estimativa se confirme, o volume financeiro será o maior registrado desde o período anterior à pandemia de covid-19.

No cenário nacional, a expectativa também é de alta, com a CNC prevendo R$ 14,48 bilhões em receitas, um avanço real de 3,8% frente ao ano passado. André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, avalia que os números locais refletem um cenário econômico positivo.

“O crescimento projetado para o Carnaval no Espírito Santo indica um ambiente mais favorável para o consumo e para a atividade turística, com reflexos diretos na geração de renda e empregos temporários”, afirmou Spalenza.

Estratégia de calendário e turismo
Um dos fatores decisivos para o desempenho capixaba é a antecipação do Carnaval de Vitória, realizado uma semana antes do calendário oficial nacional. Essa estratégia insere a capital em um circuito ampliado de eventos, atraindo turistas que buscam aproveitar a folia por mais tempo.

“Essa antecipação reduz a concorrência direta com outros grandes destinos e ajuda a ampliar o fluxo turístico em um momento distinto do pico nacional”, explicou o coordenador.

Os efeitos dessa medida são observados na maior ocupação da rede hoteleira e no aumento do fluxo de clientes em bares, restaurantes e no comércio varejista. A movimentação econômica deve se concentrar majoritariamente em Vitória, Guarapari e demais municípios do litoral, destinos tradicionais de turistas nesta época do ano.

Emprego e setores aquecidos
O aquecimento da economia também impulsiona o mercado de trabalho. A projeção indica a abertura de 704 vagas temporárias durante o período festivo, o maior volume de contratações dos últimos sete anos no Espírito Santo. Para a Fecomércio-ES, o dado sinaliza confiança dos empresários na demanda e gera efeitos positivos na renda local.

Em termos de faturamento, os setores de alimentação, hospedagem, lazer e transporte (rodoviário e aéreo) concentram as maiores receitas. A estimativa detalhada aponta:

  • Serviços de alimentação: R$ 91,1 milhões (39,8% do total).
  • Serviços de hospedagem: R$ 22,7 milhões (9,9% do total).

Variação de preços e impacto no bolso
Apesar da expectativa de alta movimentação, o consumidor enfrenta inflação em itens essenciais da folia. Na Grande Vitória, a inflação acumulada da cesta de consumo domiciliar atingiu 4,99% até dezembro de 2025, superando a média nacional de 4,26%.

A pressão nos preços varia conforme o perfil do consumidor:

  • Para quem fica em casa: O grupo de bebidas e infusões liderou as altas (+16,97%), com destaque para a cerveja, que subiu 9,27%. Em contrapartida, a alimentação no domicílio teve alta moderada (0,78%) e os pescados registraram deflação.
  • Para os foliões de bloco: A alimentação fora de casa subiu 9,31%. Os lanches, item popular nas ruas, encareceram 14,17%, enquanto refrigerantes e água mineral tiveram alta de 8,05%. No vestuário, joias e bijuterias para fantasias dispararam 20,15%.
  • Para quem viaja: O transporte intermunicipal via ônibus foi o vilão, com alta de 12,57%. Já as passagens aéreas (+2,91%) e a gasolina (+3,6%) tiveram reajustes mais contidos. O grupo transportes, no geral, teve inflação acumulada de 3,59%.

Mesmo com os custos elevados em categorias específicas, a avaliação final é de otimismo para o setor produtivo. “O conjunto de dados mostra que o Carnaval segue como um importante indutor da atividade econômica, capaz de dinamizar diferentes setores e fortalecer o desempenho do estado no início do ano”, concluiu André Spalenza.

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Atualizado: 02/02/2026 18:07

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