O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de otimismo nesta quinta-feira (11), com o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), atingindo um novo recorde nominal histórico de fechamento, e o dólar comercial recuando para o menor patamar em um mês. A valorização da bolsa e a queda da moeda americana foram impulsionadas por uma combinação de fatores, incluindo a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos, sinais de desaceleração da economia brasileira e a repercussão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O Ibovespa encerrou o dia com uma alta de 0,56%, alcançando 143.150,03 pontos, o terceiro recorde de fechamento em um intervalo de apenas 12 dias. Durante o pregão, o índice chegou a superar os 144 mil pontos. Já o dólar comercial fechou em R$ 5,392, uma queda de 0,27%, atingindo o valor mais baixo desde 12 de agosto de 2025. A cotação da moeda variou entre a mínima de R$ 5,374 e a máxima de R$ 5,425.
Cenário externo e juros nos EUA
A atenção dos investidores globais esteve voltada para os Estados Unidos. A divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação do país, mostrou uma taxa anualizada de 2,9% em agosto, um leve aumento de 0,2 ponto percentual em relação a julho. Apesar da aceleração e de o índice permanecer acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, o mercado reagiu positivamente.
O que consolidou a aposta em um corte dos juros nos EUA na próxima semana foi o dado sobre os pedidos de auxílio-desemprego. Foram registradas 263 mil novas solicitações, um número superior à estimativa de 235 mil. Para analistas, o aumento nos pedidos é mais uma evidência da desaceleração do mercado de trabalho americano.
“Os dados de hoje sobre os pedidos de seguro-desemprego nos EUA vieram muito acima do esperado, confirmando que o mercado de trabalho está enfraquecendo, juntamente com a inflação mais ou menos em linha. Isso coloca os cortes do Fed em pauta”, afirmou Marco Oviedo, estrategista para a América Latina na XP. Atualmente, o intervalo dos juros no país está entre 4,25% e 4,50% ao ano. A perspectiva de queda nos juros americanos torna mercados emergentes, como o Brasil, mais atraentes para o capital estrangeiro em busca de maior rentabilidade.
Economia brasileira e fatores internos
No Brasil, os indicadores econômicos também influenciaram o humor do mercado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas do comércio varejista caíram 0,3% em julho, registrando a quarta queda mensal consecutiva. O dado reforça a percepção de que a atividade econômica está perdendo força, em parte devido ao patamar restritivo da taxa de juros, atualmente em 15%.
Na mesma linha, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, reduzindo a estimativa de 2,5% para 2,3%. Em relatório, o órgão afirmou haver “sinais de desaceleração”, citando a moderação no crescimento de atividades cíclicas e a redução no ritmo de concessão de crédito.
Para Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações do BTG Pactual, essa dinâmica adiciona positividade à Bolsa. “Está se confirmando a cada indicador a sinalização que a Selic vai cair, e vai cair razoavelmente”, disse. A expectativa de juros mais baixos no futuro tende a beneficiar as empresas e, consequentemente, o mercado de ações.
O bom desempenho dos balanços corporativos no segundo trimestre também é apontado como um fator de atração para o investidor. “Um dos drivers (fatores) foram os resultados corporativos nas empresas. Mesmo com taxa de juro muito alta, vimos um dever de casa pelas empresas desde o ano passado, reportando resultados melhores”, avalia Gustavo Bertotti, responsável pela renda variável na Fami Capital.
Fator político no radar
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, pela 1ª turma do STF por liderar uma tentativa de golpe de Estado, entrou no radar dos agentes financeiros. A decisão, que pode impactar o cenário para as eleições presidenciais de 2026, foi um dos elementos monitorados durante o pregão.
No final da tarde, o mercado também reagiu à divulgação de uma pesquisa Datafolha, que mostrou um crescimento na avaliação positiva do governo Lula, que subiu quatro pontos percentuais, para 33%. O Ibovespa chegou a perder parte de sua força após a publicação dos dados. Para Gustavo Bertotti, da Fami Capital, o cenário político deve ganhar cada vez mais peso nas decisões dos investidores. “O mercado hoje está lendo muito as questões políticas e vai começar a fazer preço. E isso vai trazer volatilidade no curto prazo”, afirmou.


















