agricultura

Jaguaré terá estudos para levar gás natural aos secadores de café

01 dez 2025 - 17:35

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Protocolo de intenções firmado no encerramento da Feira Internacional do Café Conilon busca viabilizar alternativa à lenha, focando em eficiência, redução de custos e qualidade da pós-colheita
Último dia da Feira Internacional do Café Conilon traz parceria inédita para levar gás natural aos secadores. Foto: Leticia Orlandi

O encerramento da primeira edição da Feira Internacional do Café Conilon, realizada em Jaguaré, foi marcado pela formalização de uma parceria estratégica visando a modernização da cafeicultura capixaba. O Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV) e a concessionária ES Gás assinaram um protocolo de intenções para iniciar os estudos que visam adequar o fornecimento de gás natural para uso em secadores de café. A iniciativa responde a uma demanda do setor produtivo por maior eficiência, segurança e sustentabilidade na etapa de pós-colheita.

O acordo busca viabilizar o gás natural como uma alternativa energética à biomassa tradicional, essencial para garantir a regularidade e a competitividade do produto no mercado. A expectativa das instituições envolvidas é que a mudança de matriz energética reduza custos operacionais, ofereça maior estabilidade ao processo de secagem e promova práticas mais limpas no campo.

Interiorização do desenvolvimento
O documento foi assinado pelo presidente do CCCV, Fabrício Tristão, e pelo diretor-presidente da ES Gás, Fábio Bertolo. O objetivo imediato é iniciar análises de viabilidade técnica e econômica para desenvolver soluções que beneficiem os cafeicultores de Jaguaré e região.

Segundo Fábio Bertolo, o projeto representa um passo importante na expansão da infraestrutura de distribuição da companhia, reforçando o vínculo com o agronegócio, um dos pilares da economia do Espírito Santo.

“Estamos buscando interiorizar o desenvolvimento no Estado e, à medida que a gente encontra pontos de consumo importantes como esse da secagem do café, a gente consegue viabilizar ainda mais e mais rápido o nosso projeto de expansão. Vamos identificar vários pontos e todos os agentes da cadeia para estudar a viabilidade técnica e a viabilidade econômica desses projetos”, destacou Bertolo.

Marco tecnológico e escassez de biomassa
Para o setor cafeeiro, a transição para o gás natural é vista como uma solução para gargalos recentes enfrentados pelos produtores. O presidente do CCCV, Fabrício Tristão, apontou que a dificuldade na obtenção de lenha tem sido um obstáculo crescente.

“Identificamos nos últimos dois anos uma dificuldade muito grande na condução do processo de secagem aqui no Estado, principalmente em relação à disponibilidade e preço da lenha, que é a principal biomassa. E encontramos na ES Gás uma disposição, uma viabilidade, para poder apoiar esse projeto pela magnitude que ele pretende ter. Então, é um projeto que é um marco tecnológico e que vai além da questão somente da secagem. Tem aspectos de qualidade e sustentabilidade muito relevantes”, ressaltou Tristão.

Apoio municipal e impacto no campo
O prefeito de Jaguaré, Marcos Guerra, celebrou a assinatura do convênio, classificando-o como uma validação do evento que também contou com a presença da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) e da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS).

“A feira foi um grande evento aqui no nosso município, foram dias intensos, com muito aprendizado. E, muito importante, o Centro de Comércio de Café de Vitória e a ES Gás acabaram assinando um convênio, uma intenção para trazer o gás canalizado, passar por Jaguaré e chegar até o produtor rural trazendo ainda mais benefícios para o produtor em relação à produtividade e qualidade do nosso café”, afirmou o prefeito.

Vantagens operacionais e de qualidade
A introdução do gás natural na secagem do café promete trazer benefícios técnicos diretos. Entre as vantagens operacionais listadas, destaca-se o alto poder calorífico do gás, que se apresenta mais econômico que a eletricidade e reduz o consumo de lenha ou palha. O sistema permite controle eletrônico programável, garantindo temperatura uniforme e evitando superaquecimento, o que reduz a necessidade de intervenção manual constante.

Além disso, o uso do combustível resulta em uma queima mais limpa, com redução de fumaça prejudicial à saúde do operador e ao meio ambiente.

No quesito qualidade e produtividade, a tecnologia oferece:

  • Agilidade: Secagem mais rápida e eficiente, reduzindo o tempo total do processo.
  • Preservação dos grãos: A uniformidade térmica evita fermentações indesejadas, comuns na secagem ao sol, preservando a qualidade de cafés especiais.
  • Independência climática: Permite maior controle sobre o planejamento da colheita, independente das condições do tempo.
  • Otimização de espaço: A secagem mecânica a gás demanda menos área de terreiro, sendo viável para propriedades com espaço limitado.

A parceria segue agora para a fase de estudos, etapa decisiva para o planejamento da implantação da infraestrutura nos próximos anos, consolidando a intenção de Jaguaré de se tornar referência em tecnologia e sustentabilidade para o café conilon.

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Atualizado: 01/12/2025 20:29

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