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Nova proposta de delação de Vorcaro cita Flávio Bolsonaro e devolução de 60 bilhões de reais

03 jun 2026 - 15:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Ex-dono do Master entregou documentos adicionais após rejeição da primeira tentativa de acordo. Documento detalha repasses milionários para filme e amplia lista de envolvidos no esquema criminoso
Nova proposta de delação de Vorcaro cita Flávio Bolsonaro e devolução de 60 bilhões de reais. Foto: Reprodução

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou nesta segunda (1º) e terça-feira (2) uma nova versão do seu acordo de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, em Brasília. O documento atualizado busca reverter a rejeição da primeira proposta e traz fatos inéditos, como o relato de repasses milionários a pedido do senador Flávio Bolsonaro e o compromisso de devolver 60 bilhões de reais aos cofres públicos. As autoridades cancelaram uma reunião prevista para esta quarta-feira (3) para analisar detalhadamente o material recém-entregue.

Na nova entrega, Vorcaro incluiu episódios que aprofundam histórias narradas de forma superficial na versão anterior. Entre as novidades, o empresário detalha cobranças e pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à Presidência da República. Segundo o relato, o parlamentar solicitou patrocínio para a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia inspirada na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Vorcaro afirma ter transferido cerca de 60 milhões de reais para a produção do longa-metragem. Além de políticos, a nova versão acrescenta outros personagens ao esquema investigado.

Negociação bilionária e mudança na defesa
O eixo central para a aceitação do acordo baseia-se na devolução de recursos e na comprovação de atos de ofício praticados por autoridades citadas. O ex-dono do Banco Master, que está preso desde 4 de março por suspeita de fraudes financeiras, aceitou elevar o valor a ser devolvido de 40 bilhões para 60 bilhões de reais, após exigência da Procuradoria-Geral da República. Segundo os investigadores, a negociação ocorre seguindo uma lógica estritamente técnica, sem alvos pré-definidos ou exclusões.

As mudanças na estratégia de colaboração também refletiram na equipe jurídica de Vorcaro. No dia 22 de maio, o advogado José Luís Oliveira Lima deixou o caso após a rejeição da primeira proposta. A defesa passou a ser conduzida de forma integral por Sérgio Leonardo, advogado que possui proximidade com o ex-banqueiro desde a juventude.

Rejeição da primeira proposta e novas descobertas
A primeira versão dos anexos da colaboração foi entregue em 6 de maio em um pen drive. A Polícia Federal rejeitou formalmente o material semanas depois, alegando que o conteúdo era seletivo e apresentava omissões. Os investigadores avaliaram que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas e que as informações acrescentavam pouco ao que já havia sido descoberto. O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator dos inquéritos do caso Master, também demonstrou ceticismo sobre a eficácia do acordo inicial.

Apesar da rejeição inicial, a PGR decidiu manter o diálogo, e a Polícia Federal voltou à mesa de negociação dias depois. O que a polícia já descobriu, a partir da apreensão e da perícia inicial de parte dos mais de oito celulares de Vorcaro, é que as atividades ilícitas extrapolam o setor financeiro. O esquema envolve corrupção, organização criminosa e o uso de uma milícia privada para acessar dados sigilosos e atacar adversários.

Condições de prisão
Vorcaro cumpre pena em Brasília e obteve autorização do ministro André Mendonça para retornar a uma cela especial de 6 metros quadrados na Superintendência da Polícia Federal, o mesmo local onde elaborou os relatos da delação aos seus advogados. Antes disso, no mês passado e a pedido da PF, ele havia sido transferido para uma cela comum no mesmo prédio, submetido às regras regulares para o recebimento de visitas.

O espaço especial tem o estilo de uma sala de Estado-maior e é o mesmo ambiente ocupado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano. A transferência inicial de Vorcaro da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência ocorreu em 19 de março, um dia após sua defesa manifestar interesse no acordo de colaboração e assinar o termo de confidencialidade.

Agora, as equipes da PF e da PGR analisam de forma conjunta o ineditismo dos fatos da nova proposta. Os investigadores avaliam a capacidade de ressarcimento por parte de Vorcaro aos cofres públicos e a existência de elementos concretos que comprovem as narrativas apresentadas no novo documento.

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Atualizado: 03/06/2026 16:12

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