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ES foi o estado mais afetado por tarifaço de Trump, aponta pesquisa do Banco Central

22 maio 2026 - 14:40

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Estudo revela que a retração nas exportações em 2025 representou 0,55% do PIB capixaba, superando os efeitos registrados nos demais estados brasileiros
Impacto de tarifas dos EUA no Espírito Santo é o maior do país, aponta Banco Central. Foto: Getty Images

As restrições comerciais aplicadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros em 2025 atingiram a economia do Espírito Santo com mais severidade do que qualquer outra unidade da federação, segundo o Boletim Regional divulgado nesta quarta-feira (20) pelo Banco Central (BC). A sobretaxa, implementada pelo presidente norte-americano Donald Trump com o objetivo de diminuir o déficit comercial de seu país, provocou uma retração equivalente a 0,55% no Produto Interno Bruto (PIB) capixaba, afetando o estado principalmente por meio da redução no volume de exportações.

Retração estadual e regional
De acordo com o documento do Banco Central, a forma mais representativa de medir o impacto das tarifas na atividade doméstica é calcular a queda das exportações para os Estados Unidos como proporção do PIB local. Sob essa métrica, o Espírito Santo lidera o ranking de perdas, seguido por Maranhão (-0,42%), Rio de Janeiro (-0,35%) e Mato Grosso do Sul (-0,35%).

O relatório detalha o mecanismo dessa perda na economia capixaba: “O Estado mais afetado quando a queda é comparada com o nível de atividade foi o Espírito Santo, cuja retração equivaleu a 0,55% do PIB do Estado. A decomposição entre preço e quantum confirma que o efeito predominante foi via redução de volume, consistente com a natureza do choque tarifário”, diz o estudo.

Em uma análise por regiões, o Sul e o Sudeste concentraram a maior parte das exportações brasileiras para o mercado norte-americano e, consequentemente, os maiores impactos. A retração foi de 0,23% no PIB da região Sul (representando 1,5% de suas exportações totais) e de 0,14% no Sudeste (1% das exportações). Em valores absolutos, as vendas do Sudeste para os EUA caíram de US$ 28,7 bilhões em 2024 para US$ 27,0 bilhões em 2025. O Sul recuou de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões.

No Centro-Oeste, os números permaneceram praticamente estáveis. Já no Norte e no Nordeste, o BC registrou uma ligeira alta, embora o órgão ressalte que essas regiões movimentam valores absolutos menores e mais suscetíveis a oscilações pontuais.

O peso do “tarifaço” no Brasil
No plano macroeconômico, a autoridade monetária classificou a magnitude do impacto como moderada. No total, o aumento de tarifas reduziu em US$ 2,7 bilhões as exportações do Brasil para os Estados Unidos em 2025, um recuo de 6,7% em relação ao ano anterior, passando de US$ 40,4 bilhões para US$ 37,7 bilhões. O montante equivale a cerca de 0,1% do PIB nacional e a 0,8% do total das vendas brasileiras para o exterior.

O choque tarifário teve seu período mais crítico entre agosto e novembro de 2025, meses em que vigoraram as taxas mais elevadas. Nessa janela, a queda geral no valor das exportações para os EUA foi de 25,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com um recuo de 22% em volume.

A retração foi disseminada: o Sul registrou queda de 43,9% em valor e 42,5% em volume; o Centro-Oeste caiu 40,5% em valor e 36,8% em volume; e o Sudeste teve recuo de 25,3% em valor e 22,3% em volume. O Norte também apresentou saldo negativo, com queda de 14,4% no valor. Apenas o Nordeste teve alta nesse recorte temporal (13,6% em valor e 38,9% em volume), movimento impulsionado pelas exportações de aço pelo estado do Ceará.

“Essas quedas de dois dígitos evidenciam que o impacto tarifário foi severo em termos de volume embarcado no período mais crítico”, pontua o BC, referindo-se aos recuos expressivos de volume registrados também no Paraná (-55,7%), em Minas Gerais (-48,9%) e em Santa Catarina (-38,8%). Antes de agosto, as quedas vinham sendo mais moderadas, o que o Banco Central atribui a um clima de incerteza e a uma possível antecipação de compras pelos importadores estadunidenses.

Redirecionamento de mercado
Apesar das perdas diretas nas transações com os norte-americanos, o comércio exterior brasileiro registrou crescimento global. As exportações totais do Brasil passaram de US$ 337,0 bilhões em 2024 para US$ 348,3 bilhões em 2025, uma alta de 3,3%. As vendas para os demais países avançaram de US$ 296,7 bilhões para US$ 310,6 bilhões.

Segundo o estudo, produtos com forte presença na pauta exportadora para os Estados Unidos registraram alta nas vendas para outras nações. “Esse comportamento sugere que, ao menos em parte, houve redirecionamento de exportações para outros mercados”, analisa o BC.

Histórico das medidas restritivas
O governo norte-americano iniciou a aplicação das tarifas no mês de abril de 2025, no chamado Liberation Day, incidindo sobre produtos de todos os seus parceiros comerciais. Em julho do mesmo ano, Donald Trump anunciou um incremento específico das alíquotas para produtos originários do Brasil.

Em fevereiro de 2026, a política sofreu um revés judicial. A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a IEEPA (lei federal que permite ao Executivo declarar emergência nacional e regular o comércio internacional) não autorizava o presidente a impor tarifas com base nessa legislação. Diante da decisão, o mandatário republicano recorreu à Seção 122 do Trade Act de 1974 como nova base legal para instituir tarifas temporárias de 10% sobre as importações de todos os países.

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Atualizado: 22/05/2026 14:40

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