O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, inauguram nesta segunda-feira (18), em Campinas (SP), quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius. A expansão, realizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), tem o objetivo de ampliar a capacidade de pesquisa do Brasil em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais. O equipamento funciona como um microscópio de alta potência para analisar estruturas em escala atômica e apoiar estudos avançados, com grande parte de seus componentes originados na engenharia brasileira.
A estrutura do Sirius representa a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no território nacional. Com a entrega, o Brasil permanece inserido no grupo restrito de países que possuem fontes de luz síncrotron de quarta geração. O desenvolvimento do acelerador envolveu diretamente a indústria nacional, uma vez que entre 85% e 90% de seus componentes foram produzidos ou desenvolvidos no próprio país, impulsionando a engenharia e fortalecendo as cadeias industriais de alta precisão.
Projeto Orion e inovação em saúde pública
O cronograma oficial de atividades do governo federal em Campinas compreende também uma visita técnica às obras do Projeto Orion. O complexo consistirá no futuro primeiro laboratório de Biossegurança de Nível 4 (NB4) da América Latina, além de ser a primeira instalação do tipo no mundo conectada de forma direta a uma fonte síncrotron avançada. O laboratório de contenção biológica será voltado ao estudo de tecidos e patógenos.
Paralelamente, o evento sedia o lançamento da Pedra Fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria conjunta com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O programa visa expandir o desenvolvimento em solo nacional de tecnologias estratégicas direcionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), focando na produção de biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos.
Desafios de atualização técnica e competitividade global
A preservação do patamar tecnológico alcançado pelo Sirius impõe exigências de investimento e atualização continuadas. Em discussões ocorridas durante a 75ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho de 2023, as diretrizes de manutenção da infraestrutura científica nacional foram debatidas por especialistas.
O diretor-geral e presidente do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, ressaltou na ocasião a importância do comprometimento político na atualização constante da estrutura. “Onde o Brasil quer chegar? A manutenção do estado da arte é uma atividade contínua. O que os outros países fazem para continuarem atualizados é manter o fluxo de pesquisadores em outros projetos. Uma das maneiras de fazer isso é se envolver com outros projetos mundiais. Para os futuros aceleradores, é central que a gente domine a tecnologia de supercondutividade. Ou a gente domina isso ou a gente não vai ser competitivo”, pontuou.
Atualmente, o Sirius figura como um dos três aceleradores de luz síncrotron de quarta geração em funcionamento no mundo, capacitando o país a executar experimentos científicos que não podem ser realizados em outras partes do planeta. O CNPEM, gestor da instalação, atua sob a figura de organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Modelos internacionais e propriedades da luz síncrotron
O planejamento de grandes estruturas voltadas à tecnologia segue dinâmicas observadas em potências como Estados Unidos, Europa, Japão e China. Em termos históricos, essas instalações caracterizam-se por operar em áreas estratégicas, demandar instalações especiais, promover o treinamento de pessoal altamente qualificado e gerar o transbordamento de tecnologia para o mercado produtivo.
“Estamos sempre buscando compreender os limites do conhecimento, entender o universo de forma ampla. Temos grandes desafios relacionados a matéria e energia escura. Para investigar essas grandes questões que o mundo enfrenta nos temas de saúde, energia, materiais, meio ambiente, agricultura e clima, você precisa de ferramentas especiais”, explicou Antonio José Roque da Silva.
A luz síncrotron utilizada no Sirius constitui uma radiação eletromagnética de alto brilho capaz de abranger um amplo espectro eletromagnético, incluindo do infravermelho até os raios X, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta. A radiação especial possui a propriedade de penetrar a matéria, revelando características de estruturas moleculares e atômicas. O alto nível de brilho viabiliza a execução de experimentos extremamente rápidos e possibilita a observação detalhada de materiais na escala de nanômetros.


















