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“Aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, diz Lula em visita a hospital

15 maio 2026 - 14:25

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil e O Globo

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Durante anúncio de recursos para o SUS em São Paulo, presidente provoca o senador, que admitiu ter pedido patrocínio ao dono do extinto Banco Master para financiar filme sobre o pai
"Aqui não tem dinheiro do Vorcaro": Lula ironiza elo entre Flávio Bolsonaro e banqueiro preso. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou, nesta sexta-feira (15), a relação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro. Durante uma agenda no Hospital de Amor, em Barretos (SP), para o anúncio de um pacote bilionário voltado ao tratamento de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS), o chefe do Executivo aproveitou o palanque para alfinetar o adversário político, garantindo que os investimentos destinados àquela unidade de saúde não contam com recursos do empresário investigado.

Em meio a aplausos e gritos de apoio de representantes da área da saúde, Lula disparou de forma rápida: “Nesse hospital aqui não tem dinheiro do Vorcaro”. A fala ocorreu em um contexto no qual o presidente discursava sobre as prioridades de seu governo em relação ao atendimento médico. “Esse país precisa voltar a ser humano. É preciso extirpar o ódio. Nesse hospital aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, enfatizou.

A declaração no interior paulista marca uma mudança na abordagem do presidente sobre o assunto. Apenas um dia antes, na quinta-feira (14), durante visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras (Fafen) em Camaçari (BA), Lula havia sido questionado sobre o tema, mas evitou provocações diretas. Na ocasião, limitou-se a dizer: “Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”.

O escândalo do financiamento
A menção de Lula em Barretos ocorre no esteio da repercussão de uma reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil na última quarta-feira (13). O portal revelou que Flávio Bolsonaro articulou repasses no valor de R$ 134 milhões junto a Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. O objetivo do montante seria financiar a produção de um filme biográfico internacional sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem divulgou áudios e mensagens de WhatsApp vazadas que mostram o senador cobrando o banqueiro em 8 de setembro de 2025. “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o parlamentar na gravação.

Documentos bancários apontam que parte do dinheiro teria sido repassada entre fevereiro e maio de 2025. O esquema, segundo as investigações jornalísticas, envolveria transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Recuo e defesa
Após negar inicialmente o caso, Flávio Bolsonaro recuou horas depois da publicação da reportagem e admitiu ter buscado o banqueiro, mas defendeu a legalidade da operação. Em nota e em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que Vorcaro havia deixado de honrar um contrato de patrocínio e frisou tratar-se de um acordo sem dinheiro público.

“O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou o senador. Ele afirmou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, após o término do governo do pai, negou ter oferecido vantagens ou intermediado negócios no atual governo e pediu a abertura de uma “CPI do Master”.

Apesar da defesa, a revelação mobilizou deputados federais da base governista, que acionaram a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal para que investiguem se houve pagamento de propina ou outras ilegalidades nas transações.

A prisão do banqueiro
A última troca de mensagens entre o senador e o empresário ocorreu no início de novembro do ano passado. Pouco mais de uma semana depois, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master por incapacidade de honrar depósitos de clientes.

Na mesma época, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. O empresário, que atualmente negocia um acordo de delação premiada na Superintendência da PF em Brasília, é investigado sob a suspeita de liderar uma organização criminosa bilionária responsável por fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e emissão de títulos de crédito fraudulentos.

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Atualizado: 15/05/2026 14:28

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