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Fim do interurbano: ligações para cidades com o mesmo DDD agora ficam mais baratas no ES

14 maio 2026 - 11:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Medida já está em vigor no estado, beneficia consumidores unificando municípios sob uma única área local e reduzirá as atuais 4.118 regiões tarifárias do Brasil para apenas 67 até junho
Anatel extingue cobrança de interurbano para telefones fixos do mesmo DDD no Espírito Santo. Foto: Getty Images Signature

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) encerrou, a partir do último fim de semana, a cobrança de chamadas de longa distância para ligações de telefonia fixa entre cidades que compartilham o mesmo Código de Discagem Direta (DDD) no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. A mudança, que busca modernizar o setor, adequá-lo à evolução tecnológica e simplificar a estrutura tarifária, reduzirá o número de áreas locais no país de 4.118 para 67 até a conclusão do cronograma em junho, igualando os limites geográficos aos códigos de numeração para os 19,4 milhões de telefones fixos do Brasil.

No território capixaba, o estado passa a operar com apenas duas áreas locais, correspondentes aos DDDs 27 e 28. Com o novo modelo, as ligações realizadas entre os 50 municípios atendidos exclusivamente pelo código 27, por exemplo, deixam de ser tarifadas como interurbanos, passando a integrar uma área local única. O projeto de igualar as áreas locais da telefonia fixa aos limites geográficos das áreas de numeração teve início no país em janeiro deste ano.

Modernização e tarifas
A alteração é conduzida pela agência reguladora, vinculada ao Ministério das Comunicações. De acordo com o titular da pasta, ministro Frederico de Siqueira Filho, o objetivo central da reestruturação é garantir melhores condições para a população. “Estamos modernizando a telefonia brasileira para tornar os serviços mais simples, transparentes e vantajosos para a população. Essa mudança reduz barreiras tarifárias, acompanha a evolução tecnológica do setor e beneficia milhões de consumidores que utilizam a telefonia fixa em diferentes regiões do país”, afirmou.

O especialista em Regulação da Anatel, Joselito dos Santos, ressalta que o modelo anterior estava defasado frente aos avanços das redes móveis e daquelas baseadas em IP, que não possuem as restrições de infraestrutura do passado. “Essa redução busca simplificar a estrutura tarifária, diminuir distorções regionais e refletir o fato de que as redes atuais […] já não dependem das mesmas limitações geográficas que orientaram o desenho original dos DDDs”, explicou.

Segundo a Anatel, o novo formato estimula a harmonização, a convergência dos serviços, favorece a competição no mercado e amplia a transparência. A agência destaca ainda que o foco da modernização atende especialmente o setor corporativo e as regiões brasileiras onde a telefonia fixa se mantém como um serviço essencial.

Cronograma nacional
Após a implementação no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, a Anatel agendou a próxima fase de expansão para o dia 31 de maio. Nesta data, o novo modelo chegará a sete novas unidades da federação: Acre, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins. O cronograma será definitivamente concluído no mês de junho, com a implementação das regras no estado de São Paulo, alcançando todo o território nacional.

A evolução histórica dos DDDs
A organização geográfica por meio de códigos de área é parte da história de automação do setor de telecomunicações no Brasil. Até meados da década de 1950, as chamadas interurbanas exigiam a intermediação de telefonistas para serem completadas de forma manual.

Foi a partir dos anos 1960, com a introdução das centrais automáticas, que surgiu a necessidade de um sistema padronizado capaz de identificar a origem e o destino das chamadas sem intervenção humana. Inspirados em modelos internacionais, foram criados os primeiros códigos de área, inicialmente batizados de DDS. A distribuição numérica seguiu critérios estritamente técnicos, avaliando a densidade populacional, as áreas de tráfego e a capacidade das centrais de telefonia de cada região.

Na década de 1970, impulsionado pela consolidação do sistema Telebras, o plano de numeração nacional foi unificado, momento em que a sigla DDD (Discagem Direta à Distância) ganhou popularidade, tornando-se o pilar de organização da rede com a expansão da telefonia fixa no Brasil.

Com a privatização do setor a partir da década de 1990 e a rápida popularização da telefonia móvel, os códigos DDD foram incorporados aos números de celular. Esse movimento gerou novos desafios estruturais, que culminaram na ampliação da numeração, na reorganização de faixas e na posterior introdução do nono dígito.

Atualmente geridos pela Anatel, os DDDs continuam essenciais, mesmo diante do domínio das comunicações digitais via internet. A agência reforça que os códigos seguem organizando a numeração, determinando diretrizes regulatórias e tarifárias, além de funcionarem como forte elemento de identidade territorial e infraestrutura da conectividade brasileira.

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Atualizado: 14/05/2026 12:13

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