O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, na manhã desta terça-feira (31), no Palácio do Planalto, a reedição da chapa com Geraldo Alckmin (PSB) para a disputa à reeleição presidencial de outubro. Durante a reunião ministerial, o chefe do Executivo também oficializou a reestruturação da Esplanada com a saída de 18 dos 39 ministros, que deixarão seus cargos até o dia 4 de abril para concorrer a cargos eletivos ou coordenar campanhas, cumprindo a exigência de desincompatibilização da legislação eleitoral.
A confirmação do vice-presidente
A decisão pela manutenção de Geraldo Alckmin encerra as especulações sobre a vaga, que chegou a ser cogitada para o MDB, aliança que, segundo a cúpula petista, ficará restrita aos palanques estaduais. Para integrar a chapa, Alckmin precisará deixar o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A legislação eleitoral isenta o presidente e o vice-presidente de deixarem seus mandatos, mas exige a exoneração de cargos no Executivo seis meses antes das eleições para evitar o uso da máquina pública, garantir igualdade entre os candidatos e separar a função pública do interesse eleitoral. “O companheiro Alckmin vai ter que deixar o MDIC porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez”, declarou Lula durante o encontro com sua equipe.
Estratégia de continuidade na Esplanada
Para suprir a saída de quase metade de sua equipe ministerial, o presidente optou por não nomear novos perfis políticos, priorizando a promoção de secretários-executivos (os “números dois” de cada pasta) e o remanejamento interno. O objetivo é evitar a paralisação de projetos nos últimos meses de mandato.
“Na saída dos ministérios, tomei como decisão não ficar colocando ministros novos. Temos uma máquina funcionando há três anos e quatro meses. Não quero que nenhum ministério comece tudo outra vez. Temos muita coisa para concluir até 31 de dezembro e a obrigação de quem vai ficar é concluir”, afirmou o presidente.
O modelo já foi aplicado no Ministério da Fazenda, onde Dario Durigan assumiu o posto de Fernando Haddad (PT). Na Casa Civil, Miriam Belchior substituirá Rui Costa (PT). Na Educação, Leonardo Barchini entra no lugar de Camilo Santana (PT), enquanto George Santoro assume a vaga de Renan Filho (MDB) nos Transportes.
Há também acomodações políticas: no Ministério da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD) será substituído por André de Paula (PSD), atual ministro da Pesca. No Planejamento, o economista Bruno Moretti ocupará a vaga de Simone Tebet (PSB). O substituto de Gleisi Hoffmann (PT) na Secretaria de Relações Institucionais segue indefinido, podendo a pasta ser chefiada interinamente.
Foco nas entregas e embate político
A reunião também serviu para alinhar o discurso político contra a oposição, com foco especial no enfrentamento ao bolsonarismo, que deve ter o senador Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário do governo. Lula pediu que os ministros de saída defendam as ações da gestão e atuem para moralizar o cenário político.
“A política piorou muito. Hoje ainda tem muita gente séria, que faz política com P maiúsculo, mas a verdade é que, em muitos casos, a política virou negócio. Quem está sendo candidato sabe: os cargos têm um preço muito alto”, disse o presidente, convocando os aliados a ajudarem a “mudar a promiscuidade que está estabelecida na política mundial e brasileira”.
O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, destacou vitrines do governo que devem ser exploradas na campanha, como a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. “Houve uma mudança da água para o vinho, de um deserto de projetos, obras e governança, para um governo que tem um líder que montou uma equipe com vontade de trabalhar”, pontuou Costa. O marqueteiro de Lula, Sidônio Palmeira, que deixará a Secretaria de Comunicação Social no meio do ano, foi cobrado a evidenciar esses números para a população.
O destino dos ministros que deixam o governo
As mudanças já confirmadas ou encaminhadas na Esplanada dos Ministérios incluem candidaturas ao Senado, à Câmara dos Deputados e a governos estaduais, além de atuações nos bastidores das campanhas:
Governos Estaduais:
- Fernando Haddad (PT / Fazenda): deve disputar o governo de São Paulo.
- Renan Filho (MDB / Transportes): deve disputar o governo de Alagoas.
Senado Federal:
- Rui Costa (PT / Casa Civil): deve disputar pela Bahia.
- Gleisi Hoffmann (PT / Relações Institucionais): deve disputar pelo Paraná.
- Simone Tebet (PSB / Planejamento): deve disputar por São Paulo.
- Marina Silva (Rede / Meio Ambiente): deve disputar por São Paulo.
- André Fufuca (PP / Esporte): deve disputar pelo Maranhão.
- Carlos Fávaro (PSD / Agricultura): deve disputar por Mato Grosso.
- Waldez Góes (PDT / Integração Nacional/Desenvolvimento Regional): deve disputar pelo Amapá.
Câmara dos Deputados e Legislativo Estadual:
- Sílvio Costa Filho (Republicanos / Portos e Aeroportos): deve disputar a Câmara por Pernambuco.
- Paulo Teixeira (PT / Desenvolvimento Agrário): deve disputar a Câmara por São Paulo.
- Anielle Franco (PT / Igualdade Racial): deve disputar a Câmara pelo Rio de Janeiro.
- Sônia Guajajara (Psol / Povos Indígenas): deve disputar a Câmara por São Paulo.
- Macaé Evaristo (PT / Direitos Humanos): deve disputar a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Campanha eleitoral:
- Camilo Santana (PT / Educação): deixa o cargo para atuar na coordenação da campanha de 2026.
- Sidônio Palmeira (Comunicação Social): deve ser exonerado no meio do ano para assumir o marketing da campanha de Lula.
Saída confirmada (sem cargo especificado):
- Jader Filho (MDB / Cidades): saída confirmada para as eleições, com substituição pelo secretário-executivo.
Situação indefinida:
- Márcio França (PSB / Empreendedorismo): deixará o governo, mas avalia atuar na campanha ou disputar o Senado por São Paulo.
- Wolney Queiroz (PDT / Previdência): saída certa, indeciso entre a campanha ou vaga de deputado federal por Pernambuco.
- Alexandre Silveira (PSD / Minas e Energia): avalia candidatura ao Senado por Minas Gerais ou permanência no governo.
- Luciana Santos (PCdoB / Ciência e Tecnologia): avalia candidatura em Pernambuco ou permanência no governo.


















