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Páscoa deve injetar R$ 71,9 milhões na economia do Espírito Santo

25 mar 2026 - 16:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Projeção aponta alta de 3,1% em relação ao ano anterior. Apesar da inflação pressionar os preços do cacau e do bacalhau, itens da tradicional torta capixaba estão mais baratos
Vendas de Páscoa avançam no ES e injetam R$ 71,9 milhões no comércio. Foto: Reprodução

O comércio varejista do Espírito Santo deve movimentar R$ 71,9 milhões durante o período da Páscoa em 2026, consolidando o segundo ano consecutivo de crescimento nas vendas do setor. A projeção, que representa um avanço de 3,1% frente aos R$ 69,3 milhões registrados em 2025, é impulsionada pela melhora gradual nas condições financeiras das famílias, com a redução da inadimplência e do endividamento.

Os dados integram um levantamento do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), formulado a partir de indicadores da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O volume de vendas esperado se concentra prioritariamente em supermercados, atacarejos e lojas especializadas em chocolates, estabelecimentos que registram o maior fluxo de busca por itens típicos do período. De acordo com o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o cenário reflete um equilíbrio entre a recuperação econômica e o planejamento do consumidor. “A Páscoa deste ano combina melhora no ambiente econômico com um consumidor mais atento aos preços. Isso sustenta o crescimento, mas em um ritmo moderado”, afirma.

Impacto da inflação e variação de preços
A inflação acumulada em 12 meses até fevereiro de 2026 no Espírito Santo atingiu 4,3%, índice superior à média nacional de 3,8%, exercendo influência direta nas decisões de compra. Entre os produtos mais procurados para a data, os chocolates lideram as altas: barras e bombons subiram 16,51%, enquanto o chocolate em pó registrou acréscimo de 11,32%. O bacalhau também apresenta elevação de 13,35% no período.

Por outro lado, ingredientes essenciais para o preparo da tradicional torta capixaba registraram queda, aliviando o custo das refeições. O azeite de oliva acumula recuo de 29,64% em 12 meses, acompanhado pelos ovos, que ficaram 19,71% mais baratos. Essa dinâmica de preços favorece o consumo doméstico, visto que a alimentação no domicílio apresentou queda de 0,7%. Em contrapartida, a alimentação fora do lar subiu 7,8% e os custos com recreação avançaram 11%.

“A inflação continua sendo um fator determinante. O consumidor está mais criterioso, pesquisa preços e prioriza o melhor custo-benefício. Isso exige do varejo estratégias mais ajustadas e sensibilidade à demanda”, pontua Spalenza. Segundo o coordenador, a seletividade não anula a participação na data. “O consumidor pode ajustar o volume ou o tipo de compra, mas dificilmente deixa de participar desse momento, que tem forte apelo cultural e afetivo”.

A Páscoa das experiências
A alta expressiva nos chocolates no Brasil está atrelada ao encarecimento do cacau no mercado internacional, motivado por restrições recentes às importações de países produtores, como a Costa do Marfim. Essa pressão nos custos da indústria, combinada ao orçamento restrito de parte da população, tem provocado uma reorganização da demanda.

O levantamento da Fecomércio-ES identifica um deslocamento das compras: os tradicionais ovos de chocolate de supermercado estão dividindo espaço com experiências personalizadas. Há um crescimento no interesse por kits montados, ovos artesanais, cestas temáticas e oficinas de confeitaria.

“Essa tendência reflete uma lógica já observada em outros segmentos do consumo: em contextos de restrição orçamentária, a experiência, entendida como a combinação entre produto, apresentação, personalização e emoção, passa a desempenhar papel central na decisão de compra”, explica Spalenza.

A mudança no perfil de consumo gera novas frentes para os comerciantes capixabas. “Pequenos empreendedores e negócios locais, especialmente aqueles com maior flexibilidade produtiva, ganham espaço ao oferecer produtos diferenciados e adaptados ao perfil do cliente. Ao mesmo tempo, empresas de maior porte têm buscado inovar em portfólio e comunicação, incorporando elementos que ampliem a percepção de valor para além do preço”, conclui o coordenador.

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Atualizado: 25/03/2026 17:50

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