economia

Gasolina encosta em R$ 7 no ES e força-tarefa aperta fiscalização contra preços abusivos

13 mar 2026 - 10:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Procon-ES monitora repasses nas bombas capixabas, impulsionados pela guerra entre EUA e Irã. Para conter a escalada, União zera impostos do diesel e aperta a fiscalização sobre o setor revendedor
Força-tarefa federal mira postos de combustíveis enquanto gasolina beira os R$ 7 no Espírito Santo. Foto: Tunaru Dorin's Images

Os motoristas da Grande Vitória enfrentam o litro da gasolina a quase R$ 7 nesta semana, reflexo direto das tensões no mercado de petróleo causadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Em resposta ao cenário de instabilidade global e ao impacto no bolso do consumidor, o governo federal instituiu na quinta-feira (12) uma força-tarefa para coibir o aumento abusivo e a especulação nos postos de combustíveis de todo o país, unindo ações de monitoramento a um pacote de subsídios e desoneração.

Impacto nas bombas capixabas
No Espírito Santo, os reflexos do mercado internacional já são percebidos na ponta da cadeia de consumo. Um levantamento baseado em dados do aplicativo Menor Preço indica que a gasolina comum atingiu R$ 6,79 em um posto localizado em Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. O diesel foi registrado a R$ 6,99 em Cariacica, enquanto o etanol chegou a R$ 5,19 no bairro Carapina, na Serra.

O Procon-ES acompanha a movimentação para identificar se o reajuste aplicado nas bombas corresponde a um aumento real no custo de aquisição por parte dos revendedores. Segundo o órgão, elevações sem justificativa clara configuram prática abusiva, por representarem vantagem excessiva sobre o cliente. Consumidores que identificarem preços desproporcionais podem registrar denúncia por meio da Denúncia Eletrônica, disponível no site procon.es.gov.br.

Além da pressão inflacionária, a diferença de preços entre regiões atrai compradores de fora. Há relatos de que revendedores da Bahia e de Minas Gerais cruzam a divisa para adquirir combustível mais barato no Espírito Santo. Em paralelo, o receio de desabastecimento gerado pela guerra fez com que sindicatos de outros estados, a exemplo do Rio Grande do Sul, apelassem à população para que não faça corridas aos postos.

Ação do Governo Federal
Para mitigar a crise e garantir o abastecimento nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que formaliza a cooperação entre a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Receita Federal. O ato conjunto será disciplinado pelos ministros Wellington Lima (Justiça e Segurança Pública), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Fernando Haddad (Fazenda).

A estratégia estabelece o compartilhamento de dados e a coordenação de fiscalizações conjuntas nos elos de distribuição e revenda. “O trabalho integrado do governo busca construir um modelo que defina, objetivamente, o que é um aumento de preço abusivo. ANP, Receita Federal, Cade e Senacon estabelecerão essa modelagem e teremos parâmetros que podem potencializar as ações de monitoramento e fiscalização dos Procons e órgãos do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor para enfrentar altas abusivas de preços”, afirma o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.

No âmbito econômico, o pacote inclui a isenção das alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre o diesel e a edição de uma Medida Provisória que concede subvenção a produtores e importadores. Também foi criado um imposto de exportação sobre o petróleo bruto, desenhado para desestimular a venda externa e reter o produto no país. De acordo com o ministro Fernando Haddad, as mudanças têm potencial para reduzir o preço do diesel em R$ 0,64 por litro nas refinarias.

Transparência e posicionamento do setor
Como medida imediata de transparência, o decreto obriga os postos a fixarem placas, faixas ou avisos em locais visíveis e de fácil acesso. Os informativos devem identificar claramente os tipos de combustíveis, seus respectivos preços e eventuais descontos decorrentes de políticas públicas, sendo vedada qualquer apresentação que induza o consumidor ao erro.

Diante das críticas aos reajustes, o Sindipostos-ES manifestou-se atribuindo a alta à instabilidade causada pelo conflito no Oriente Médio. O sindicato esclarece que, embora a Petrobras detenha grande poder sobre o mercado interno, cerca de 30% do combustível consumido no Brasil é importado, e as refinarias privadas seguem integralmente as cotações internacionais. A entidade ressalta ainda que, em um leilão realizado nesta semana, a própria Petrobras comercializou diesel com um ágio de R$ 1,78 por litro sobre o seu preço atual de tabela.

Por fim, o Sindipostos-ES enfatiza que os revendedores compram das distribuidoras, e não diretamente das refinarias ou importadoras, sofrendo os reflexos de todos os repasses anteriores. A entidade lembra que o mercado brasileiro atua sob regime de livre concorrência, permitindo que cada empresa defina seus preços conforme seus custos operacionais, despesas de aquisição e estratégias comerciais.

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