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Governo federal anuncia ações diárias em março para frear violência contra a mulher

25 fev 2026 - 14:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Durante o Mês da Mulher, ministério inaugura novas unidades de acolhimento, regulamenta educação preventiva nas escolas e cobra adesão de governadores ao pacto contra o feminicídio
A ministra das mulheres Márcia Lopes, participa do programa Bom Dia, Ministra. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, detalhou nesta quarta-feira (25) um calendário diário de ações previstas para o mês de março com foco no combate à violência de gênero e ao feminicídio no Brasil. Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministra”, transmitido pelo Canal Gov, a titular da pasta cobrou a participação de estados e municípios na formulação de políticas públicas, anunciou a inauguração de novas Casas da Mulher Brasileira e confirmou a regulamentação de projetos educacionais voltados à prevenção do machismo.

“Nós sabemos que o machismo e o desprezo à política para as mulheres ainda é presente. Então, continuamos num processo de convencimento de todos os atores e os agentes públicos, no sentido de que coloque a centralidade na vida das mulheres”, afirmou a ministra, destacando que a mudança de realidade depende do compromisso direto de prefeitos, governadores e lideranças locais.

Abertura do Mês da Mulher e homenagem
Apesar de o Dia Internacional das Mulheres ser celebrado oficialmente em 8 de março, o governo federal estendeu a mobilização para todos os dias do mês. A primeira atividade oficial ocorrerá neste domingo (1º), às 10h, na Marginal Tietê, em São Paulo.

O ato será uma homenagem à memória de Tainara Souza Santos, de 31 anos. Em 29 de novembro de 2025, ela foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-companheiro no local onde ocorrerá a manifestação. Com as pernas mutiladas, Tainara ficou internada por quase um mês e faleceu na véspera do Natal do ano passado. O agressor está preso e responde por feminicídio.

Durante a homenagem, que contará com a presença da família da vítima e de movimentos sociais em um trio elétrico, grafiteiras farão intervenções artísticas em muros de prédios da região e um mastro com mensagens contra o feminicídio será instalado.

“Vai ser um ato que marca não só uma homenagem à memória da Tainara, que foi brutalmente assassinada, que sofreu esse feminicídio, mas a todas as mulheres do Brasil”, pontuou Márcia Lopes.

Pacto Nacional e estatísticas de violência
A ministra ressaltou a urgência do enfrentamento à violência de gênero citando dados de 2025, ano em que o Brasil registrou o recorde de 1.518 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes a cada 24 horas.

Para combater esses índices, o governo lançou o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que envolve 11 ministérios e já conta com a adesão de 19 estados e do Distrito Federal. A ministra informou que visitará, no próximo mês, os estados que ainda não firmaram o compromisso.

“E eu não tenho nem palavras para tentar explicar por que alguns estados não entram no pacto. É inexplicável”, criticou. A ministra reforçou que a ausência de secretarias exclusivas de políticas para as mulheres em alguns estados dificulta a intersetorialidade necessária para a proteção das vítimas.

Expansão da rede de atendimento
Desde o início da atual gestão, o governo federal investiu R$ 373 milhões nos projetos da Casa da Mulher Brasileira e dos Centros de Referência, em contraste com os R$ 47 milhões investidos na gestão anterior. Já foram inaugurados 19 novos serviços especializados, sendo quatro Casas da Mulher e 15 Centros de Referência.

Essas unidades integram, em um único espaço, serviços de triagem, apoio psicossocial, delegacia, Juizado, Ministério Público, Defensoria Pública e alojamento de passagem. Atualmente, há 11 unidades em funcionamento no país e outras 31 em processo de implementação.

Além disso, a ministra anunciou a instalação de uma lavanderia coletiva em Mossoró (RN) e a meta de implantar, até o final do ano, mais de 20 “Cuidotecas”, espaços dentro de universidades e institutos federais dedicados ao cuidado de crianças enquanto as mães estudam.

Canais de denúncia e educação
O fortalecimento do Ligue 180 foi outro ponto de destaque. O serviço, que funciona 24 horas por dia em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e Libras) e é operado exclusivamente por 350 mulheres, registra atualmente cerca de 3 mil atendimentos diários, dos quais 425 são denúncias de violência.

Segundo a ministra, o canal foi reestruturado a partir de 2023 para corrigir os prejuízos causados pela fusão com outros números telefônicos ocorrida entre 2016 e 2022. Agora, o Ligue 180 aciona diretamente delegacias e a Patrulha Maria da Penha a partir da localização da vítima.

No âmbito da prevenção, Márcia Lopes antecipou que o Ministério da Educação (MEC) regulamentará em março o projeto “Maria da Penha vai à escola”. O objetivo é inserir a discussão sobre igualdade de gênero e respeito nos currículos escolares.

Machismo no esporte
Ao final da entrevista, a ministra repudiou um caso recente de machismo no futebol. Ela criticou as declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, direcionadas à árbitra Daiane Muniz durante uma partida do Campeonato Paulista no último sábado (21).

“Esse é mais um caso de violência de gênero, de absoluto desprezo, de absoluto machismo. Infelizmente. É inadmissível”, declarou. A ministra também mencionou que a pasta está trabalhando em parceria com a CBF para que a Copa do Mundo Feminina de 2027, sediada no Brasil, seja um marco de respeito e mobilização pelas mulheres no esporte.

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Atualizado: 25/02/2026 14:57

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