O Espírito Santo avança na consolidação de uma agricultura mais competitiva e responsável por meio do Projeto de Cafeicultura Sustentável, uma iniciativa que integra produtividade e adequação socioambiental. Com atividades iniciadas em 2024 e cronograma previsto até 2027, o programa oferece assistência técnica especializada e planos de ação personalizados para produtores de café arábica e conilon, visando aumentar a oferta de cafés especiais e posicionar o estado como referência mundial no setor.
A ação é coordenada pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), contando com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
Diagnóstico preciso e 39 indicadores
O funcionamento do projeto baseia-se em um acompanhamento técnico detalhado. Para participar, o cafeicultor deve dirigir-se ao escritório local do Incaper em seu município e solicitar o cadastro. A partir daí, um técnico visita a propriedade para realizar um diagnóstico fundamentado em 39 indicadores de sustentabilidade, todos alinhados a protocolos internacionais.
Com base nessa avaliação inicial, é traçado um plano de ação personalizado que abrange as dimensões ambiental, econômica e social do negócio rural. O foco é elevar os níveis de adequação da propriedade, aprimorar o manejo da lavoura e qualificar os processos de colheita e pós-colheita.
Welington Braida Marré, extensionista do Incaper e um dos coordenadores do projeto, destaca que o rigor técnico é o grande diferencial da iniciativa. “O diferencial do projeto está no diagnóstico detalhado das propriedades, baseado em indicadores de sustentabilidade, que permite identificar pontos críticos e orientar intervenções precisas no manejo da lavoura”, explica.
Segundo Marré, o acompanhamento abrange desde a conservação do solo e uso eficiente da água até o processamento final do grão.
Tecnologia no campo
Além da consultoria individual, o projeto investe na transferência de tecnologia através de unidades demonstrativas instaladas em propriedades cadastradas. Nestes locais, são apresentadas soluções práticas como manejo de irrigação, microterraceamento, jardins clonais e novas técnicas de secagem.
A gerente de Projetos de Cafeicultura, Aline dos Santos Silva, ressalta que essas ações práticas são essenciais para transformar conhecimento teórico em resultados tangíveis. “As atividades aproximam os produtores das inovações técnicas, permitem a demonstração de manejos mais eficientes e incentivam a adoção de soluções adaptadas à realidade de cada propriedade”, afirma Aline.
O programa também realiza dias de campo, cursos e excursões técnicas para incentivar a troca de experiências e a capacitação contínua.
Impacto econômico e abrangência
A cafeicultura é um dos pilares da economia capixaba, presente na quase totalidade dos municípios do estado. De acordo com Alessandro Broedel, diretor-geral do Incaper, a capilaridade do projeto reflete a importância do setor: a iniciativa já alcançou cerca de 6.200 propriedades.
“A cafeicultura tem papel estratégico na geração de renda, emprego e na dinamização do meio rural. Esse resultado contribui para o desenvolvimento socioeconômico e para consolidar uma agricultura capixaba cada vez mais estruturada, sustentável e competitiva”, avalia Broedel.
Para o subsecretário de Estado de Desenvolvimento Rural, Michel Tesch, o programa reforça o protagonismo local. “Estamos apoiando o cafeicultor com assistência técnica qualificada, inovação e planejamento, para garantir renda no campo e fortalecer ainda mais a posição do Espírito Santo como referência nacional e internacional na produção de cafés”, conclui.


















