A caderneta de poupança, investimento mais tradicional dos brasileiros, iniciou o ano de 2026 marcada por uma forte volatilidade nos fluxos de entrada e saída de recursos. Dados oficiais divulgados pelo Banco Central (BC) nesta semana mostram que o saldo total da modalidade, somando as captações do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e da Poupança Rural, encerrou o dia 8 de janeiro em R$ 1,022 trilhão.
O comportamento dos poupadores na primeira semana útil do ano revelou movimentos bruscos. Após registrar uma captação líquida positiva (depósitos superando saques) de R$ 3,38 bilhões no dia 6 de janeiro, a caderneta sofreu uma reversão dois dias depois, em 8 de janeiro, contabilizando uma saída líquida de R$ 2,53 bilhões em apenas 24 horas.
A instabilidade foi sentida nos dois principais segmentos da aplicação. O SBPE, utilizado pelos bancos para o financiamento imobiliário, fechou o período analisado com um saldo de R$ 767 bilhões (dado de 4 de janeiro) a R$ 769 bilhões (dado de 6 de janeiro). Já a Poupança Rural, voltada ao crédito agrícola, manteve um saldo na casa dos R$ 255 bilhões, apresentando uma captação líquida positiva de R$ 251 milhões no dia 6, mas revertendo para um saldo negativo ligeiro nos dias subsequentes.
Commodities em alta no mês, mas com queda no ano
Paralelamente aos dados da poupança, o Banco Central atualizou o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), indicador que mensura a variação de preços dos produtos primários brasileiros nos mercados internacionais. O relatório, expedido em 4 de fevereiro de 2026, aponta que o índice composto (medido em reais) registrou uma alta mensal de 1,95%.
O resultado positivo do mês foi impulsionado principalmente pelo segmento de Metais, que teve uma valorização expressiva de 4,10%, seguido pelo setor de Energia, com alta de 1,28%. Na contramão, o setor Agropecuário, de grande peso na economia capixaba e nacional, registrou retração de 0,79% no comparativo mensal.
Quando analisado o horizonte de 12 meses, o cenário se inverte, mostrando uma deflação nos preços das commodities brasileiras. O IC-Br acumula uma queda de 8,77% no período.
A composição desse resultado anual revela uma disparidade entre os setores:
- Metais: São o destaque positivo, acumulando uma alta robusta de 42,07% em 12 meses.
- Energia: Registra queda acentuada de 22,91%.
- Agropecuária: Acumula desvalorização de 16,85%.
Em dólares, o índice composto apresentou comportamento similar, com alta mensal de 2,91% e queda acumulada em 12 meses de 6,24%, evidenciando que a tendência de preços é um fenômeno global e não apenas um efeito cambial.


















