O Ministério da Saúde oficializou, nesta sexta-feira (6), o início do processo de transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). A mudança será implementada inicialmente em formato de projeto-piloto no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. Na mesma data, durante agenda oficial em Salvador (BA), a pasta anunciou um investimento de R$ 815 milhões por meio do Novo PAC Saúde para a aquisição de veículos sanitários e equipamentos hospitalares.
A nova diretriz terapêutica para o diabetes contempla, nesta primeira fase, crianças e adolescentes de até 17 anos que vivem com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa do governo federal é de que mais de 50 mil pessoas sejam beneficiadas nesta etapa inicial nos quatro estados selecionados.
Ainda não há data definida para a chegada do novo protocolo ao Espírito Santo. Segundo o Ministério, após os primeiros meses de implementação nas localidades piloto, será realizada uma avaliação dos resultados para a construção de um cronograma de expansão para os demais estados do país.
Diferenciais da nova insulina
A insulina glargina é considerada um medicamento mais moderno em comparação à NPH, atualmente a mais utilizada na rede pública. De ação prolongada, ela atua por até 24 horas no organismo, o que facilita a manutenção dos níveis de glicose e exige apenas uma aplicação diária. Na rede privada, o tratamento com a glargina pode custar até R$ 250 para um período de dois meses.
Em nota, o Ministério da Saúde classificou a iniciativa como um “avanço histórico” e destacou que a ampliação da oferta no SUS alinha o Brasil às melhores práticas internacionais. “É um medicamento mais moderno, de ação prolongada, que facilita a rotina dos pacientes”, informou a pasta.
A transição será gradual e baseada na avaliação individual de cada paciente. Nos estados participantes do piloto, o Ministério já iniciou treinamentos, que ocorrem desde 27 de janeiro e seguem até meados de fevereiro, para capacitar profissionais da Atenção Primária sobre o uso das canetas aplicadoras.
Produção nacional e autonomia
A incorporação da glargina é fruto de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee. O acordo prevê a transferência de tecnologia para o Brasil.
Em 2025, a parceria resultou na entrega de mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com um aporte de R$ 131 milhões. A meta é alcançar, até o fim de 2026, uma capacidade produtiva de 36 milhões de tubetes para abastecer a rede pública.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância estratégica da medida. “A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial”, afirmou Padilha. Ele destacou ainda que, após duas décadas, o país voltou a produzir insulina internamente, garantindo segurança diante da escassez global do insumo.
Além da glargina, o governo mantém parceria para a fabricação nacional das insulinas NPH e Regular (frascos e tubetes) com a farmacêutica indiana Wockhardt, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm. O contrato prevê 8 milhões de unidades até 2026, das quais quase 2 milhões já foram entregues.
Investimentos em transporte e equipamentos
Paralelamente à mudança no tratamento do diabetes, o governo federal lançou novas ações do Novo PAC Saúde. O anúncio prevê a primeira compra de 2,1 mil veículos para o transporte de pacientes do SUS que necessitam de deslocamento para tratamentos especializados, programa batizado de “Caminhos da Saúde”.
O investimento de R$ 815 milhões contempla a aquisição de: 700 micro-ônibus; 700 vans e 700 ambulâncias de suporte básico.
Os veículos darão prioridade ao cuidado de pacientes com câncer, e a previsão de entrega de todo o quantitativo é para este ano de 2026.
Também foram assinados contratos para a compra de 80 novos tomógrafos, somando R$ 170 milhões, e a aquisição de 150 “combos” de equipamentos cirúrgicos para equipar hospitais em cerca de 120 municípios, visando a realização de cirurgias gerais e oftalmológicas.
Segundo dados apresentados pela pasta, o SUS registrou um recorde de 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025, um aumento de 40% em relação a 2022. O programa “Agora Tem Especialistas” também promoveu mutirões e parcerias com a rede privada, que ofertarão 85 mil cirurgias e exames adicionais por ano sem custo para os pacientes.


















