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Inadimplência cai no ES e 117 mil capixabas saem do vermelho no fim de 2025

04 fev 2026 - 16:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Retração nas contas em atraso alivia orçamento das famílias às vésperas de despesas como IPVA e IPTU. Melhoria foi puxada principalmente pela baixa renda
Inadimplência recua e 117 mil capixabas limpam o nome no encerramento de 2025. Foto: Gabriel Queiroz/Getty Images Pro

O Espírito Santo encerrou o ano de 2025 com um indicador positivo para a economia local: 117,6 mil consumidores deixaram o cadastro de inadimplentes em dezembro. Após um último trimestre de pressão sobre o orçamento doméstico, o recuo das contas em atraso devolve fôlego ao consumo e amplia a capacidade de pagamento das famílias em um momento estratégico, marcado pela chegada de despesas obrigatórias de início de ano, como IPVA e IPTU.

De acordo com análises do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), baseadas na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a taxa de inadimplência geral no estado fechou dezembro em 33,9%, apresentando uma queda em relação a novembro. A retração de 2,9 pontos percentuais no indicador coloca o estado com um percentual inferior à média observada durante o ano de 2024.

Para André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, os números apontam para um reequilíbrio financeiro. “Esse resultado indica uma melhora relevante na capacidade de pagamento das famílias capixabas ao final do ano, o que tende a impactar positivamente o início de 2026, tanto do ponto de vista do consumo quanto da organização financeira dos domicílios”, avalia.

Perfil da recuperação de crédito
A saída do vermelho não ocorreu de forma homogênea entre as classes sociais. Dos 117,6 mil capixabas que regularizaram suas pendências em dezembro, a grande maioria, 108,7 mil pessoas, pertence a famílias com renda inferior a 10 salários mínimos (R$ 16.210). Já no grupo com rendimento acima desse valor, 8,8 mil consumidores conseguiram quitar débitos em atraso.

Os dados da Peic mostram que a taxa de inadimplência entre as famílias de menor renda caiu de 41,1% em novembro para 38,0% em dezembro de 2025. Na faixa de renda mais alta, o índice recuou de 12,0% para 10,5% no mesmo período.

“Os dados mostram que a melhora foi mais concentrada entre as famílias de menor renda, o que é positivo, mas também revela a maior sensibilidade desse grupo às oscilações econômicas”, observa Spalenza. Segundo o coordenador, a redução da inadimplência também beneficia o setor produtivo, pois aumenta a probabilidade de recuperação de crédito e fortalece a renda disponível no estado, criando um ambiente mais favorável para a atividade econômica.

Capacidade de pagamento e dívidas antigas
Além da redução no número absoluto de inadimplentes, houve melhora na qualidade do endividamento, especialmente entre as famílias de maior renda. Neste grupo, a parcela de dívidas com atraso superior a 90 dias caiu significativamente, passando de 33,3% para 23,8%. O percentual de famílias de alta renda que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas no mês seguinte recuou 9,5 pontos percentuais.

Já entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, embora a maioria das dívidas em atraso (61,4%) ainda supere os 90 dias, houve avanço na solvência. A capacidade de pagamento total (quitação integral da dívida em atraso) ficou em 15% neste grupo, enquanto o percentual dos que declaram não ter condições de pagar caiu, situando-se em 57,2%.

“A melhora foi mais significativa entre as famílias de maior renda, que conseguiram reduzir tanto o volume de dívidas prolongadas quanto o percentual sem condições de pagamento”, explica Spalenza.

Endividamento permanece alto
É importante distinguir inadimplência (contas em atraso) de endividamento (possuir dívidas, mesmo que em dia). Apesar do alívio na inadimplência, a taxa de endividamento dos capixabas segue elevada, atingindo 89,5% em dezembro de 2025, um índice superior à média nacional de 79,5% para o mesmo mês.

O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento para todas as faixas de renda. No entanto, excluindo-se o cartão, o perfil das dívidas varia conforme a classe social:

Renda acima de 10 salários mínimos: O endividamento é composto majoritariamente por compromissos de longo prazo e maior valor agregado. O financiamento de casa representa 17,3% das dívidas, seguido pelo financiamento de carro (9,6%) e crédito consignado (8,3%).

Renda até 10 salários mínimos: As dívidas estão mais associadas a crédito para consumo imediato. O crédito pessoal responde por 15,2% das fontes de endividamento (exceto cartão), seguido pelos carnês (8,2%).

Essa distinção reflete, segundo a análise da Fecomércio-ES, que enquanto a alta renda compromete o orçamento com a aquisição de bens duráveis, a baixa renda recorre a modalidades de curto prazo e custo mais elevado, como o crédito pessoal, para fechar as contas do mês.

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Atualizado: 04/02/2026 17:05

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