economia

Acordo Mercosul-UE beneficiará agricultura familiar, diz ministro

20 jan 2026 - 15:35

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Ministro Paulo Teixeira projeta que o setor vai "bombar" com a isenção de taxas para produtos processados e destaca recorde de investimentos no Plano Safra 2025-2026
Paulo Teixeira vê grandes possibilidades para produtores de café. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e a União Europeia trará benefícios diretos para a agricultura familiar brasileira, permitindo a exportação de café processado e frutas sem a incidência de taxas. A avaliação é do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, que participou na manhã desta terça-feira (20) do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC. Segundo o titular da pasta, a abertura do mercado europeu surge como uma alternativa estratégica frente à imposição de tarifas por outros mercados, como os Estados Unidos.

Durante a entrevista, Teixeira enfatizou que a produção de café no Brasil é conduzida majoritariamente por agricultores familiares. Com a validação do tratado, esses produtores ganham competitividade ao acessar um dos mercados consumidores mais ricos do mundo. “Eles, agora, poderão vender o café que tiver já processado sem taxas”, afirmou o ministro. O acordo prevê a eliminação de tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que o bloco europeu compra do Mercosul.

Além do café, item de relevância histórica para a economia capixaba e nacional, o ministro destacou o potencial das frutas brasileiras. “O açaí, por exemplo, está bombando no mundo inteiro. Temos também manga, uva, melão. Os agricultores familiares poderão vender os seus produtos na Europa sem taxas. A agricultura familiar vai bombar”, declarou Teixeira.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 21,8 bilhões em produtos agrícolas para a União Europeia, o que representou 44% da pauta exportadora para o bloco. A expectativa do governo é que a demanda externa eleve a qualidade da oferta e viabilize a diversificação dos produtos nacionais.

Oportunidades para o setor de lácteos
Outro segmento apontado como promissor é o de laticínios. Paulo Teixeira vislumbra a entrada de queijos brasileiros, especialmente os produzidos em Minas Gerais, no mercado do Velho Continente.

“Precisaremos produzir mais lácteos para exportar. Temos um grande mercado de queijo. Inclusive de queijos mineiros, que são muito famosos no mercado interno e que poderão também ser vendidos para o mercado externo”, disse o ministro, citando a região da Serra da Canastra como exemplo de potencial exportador de “especiarias”. O ministro resumiu a troca comercial: “Vamos ter de comprar queijo francês, mas poderemos exportar queijo mineiro para a França”.

Plano Safra e aquecimento da indústria de máquinas
O ministro aproveitou a ocasião para ressaltar o momento econômico do setor, afirmando que o Plano Safra da Agricultura Familiar 2025-2026 atingiu um recorde histórico de investimentos. Segundo Teixeira, o aumento da renda da população brasileira impulsionou o consumo de alimentos, o que gerou demanda para o pequeno produtor e, consequentemente, aqueceu a indústria de maquinário.

“Tenho a honra de dizer que o que puxa hoje a indústria de máquinas no Brasil são as máquinas pequenas dos agricultores familiares”, pontuou. Ele destacou ainda a elevação do limite de microcrédito, que passou de R$ 6 mil (em gestões anteriores) para os atuais R$ 50 mil, facilitando a inserção econômica das famílias.

Transferência de tecnologia e reforma agrária
Paulo Teixeira antecipou que, em breve, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará um programa voltado à “transferência de saberes e conhecimentos da Embrapa” para a agricultura familiar. A iniciativa, em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), terá como foco os jovens que permanecem no campo.

Ainda na agenda da semana, o ministro informou que o presidente Lula estará em Salvador na próxima sexta-feira (23), em encontro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), para anunciar um pacote de desapropriações voltado à reforma agrária. “O que nós estamos procurando é a paz no campo”, justificou Teixeira. O pacote incluirá terras, crédito, assistência técnica e fomento a cooperativas.

Como exemplo de progresso na área fundiária, o ministro citou o acordo recente que encerrou um conflito de 30 anos na Fazenda Giacometti-Marodin, no Paraná. A resolução, que envolveu a empresa Araupel e o governo federal, garantiu 34 mil hectares para a regularização de assentamentos, beneficiando cerca de 3 mil famílias. “Daqui a uma geração, as famílias vão estar em outro patamar socioeconômico”, concluiu.

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Atualizado: 20/01/2026 16:13

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