A Polícia Federal (PF) encontrou no celular de Jair Bolsonaro um documento no qual o ex-presidente cogita pedir asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei.
O material foi localizado no aparelho apreendido durante operação da PF autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga supostas sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.
Segundo as investigações, o documento tem 33 páginas e estava salvo desde 2024, ano em que Bolsonaro foi alvo de outra operação, relacionada à apuração da trama golpista.
“De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos. No âmbito de tal perseguição, recentemente, fui alvo de diversas medidas cautelares”, afirma um trecho do texto.
Nesta quarta-feira (20), Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram indiciados pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
De acordo com a PF, a decisão ocorreu após a conclusão das investigações sobre a atuação de Eduardo junto ao governo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em iniciativas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo. Em março deste ano, Eduardo pediu licença do mandato parlamentar e mudou-se para os Estados Unidos, alegando perseguição política.
No atual processo, Bolsonaro é investigado por enviar recursos, via Pix, para custear a permanência do filho no exterior. Ele também responde no Supremo Tribunal Federal (STF) por ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado.
Viagem à Argentina
Ainda segundo a PF, Bolsonaro atualizou o documento de asilo em seu celular no dia 5 de dezembro de 2023, dois dias antes de viajar para Buenos Aires para acompanhar a posse de Milei. A viagem ocorreu entre 7 e 11 de dezembro.
Os investigadores afirmam que o texto poderia servir para viabilizar uma eventual fuga do ex-presidente.
“Os elementos informativos encontrados indicam, portanto, que o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha em sua posse documento que viabilizaria sua evasão do Brasil em direção à República Argentina, notadamente após a deflagração de investigação pela Polícia Federal com a identificação de materialidade e autoridade delitiva quanto aos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito por organização criminosa”, declarou a PF.


















