Nas unidades básicas de saúde, nos hospitais, nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), enfim, em toda rede assistencial da saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), os assistentes sociais estão presentes desenvolvendo uma atividade muito desafiadora: o acesso a direitos dos pacientes e a promoção da justiça social e da igualdade, que juntas geram transversalmente saúde e transformam vidas.
Neste dia 15 de maio, a Secretaria da Saúde (Sesa) celebra e reconhece a atividade como fundamental nesse serviço, sobretudo, neste ano em que o Serviço Social comemora 90 anos em todo o Brasil. O assistente social avalia as fragilidades que impactam diretamente na saúde, como falta de renda e de vínculo com a família ou sociais, por exemplo, e atua diretamente na solução desses problemas, devolvendo a dignidade e autonomia dos pacientes.
“Dentro do Caps, os assistentes sociais são importantes articuladores, que atuam diretamente com a rede de proteção social. As vulnerabilidades são promotoras e gatilhos para o sofrimento psíquico e/ou os transtornos mentais. Por isso, eles são imprescindíveis na promoção da saúde mental como um todo no SUS”, ressaltou a coordenadora do Caps Cidade, Adriana Zoppi.
A assistente social Jaqueline Muricy Santiago Radaelli, de 52 anos, trabalha na equipe de Avaliação e Acompanhamento de Medidas Terapêuticas Aplicáveis à Pessoa com Transtorno Mental em Conflito com a Lei (EAP-Desinst) da Sesa, diretamente com pacientes com transtorno mental em conflito com a lei. O trabalho é voltado para a desinstitucionalização, promovendo o cuidado em liberdade e a reinserção social.
“Uma das experiências mais marcantes neste setor foi acompanhar o processo integrado do fechamento da Unidade de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (UCTP), focado na reinserção familiar e no retorno ao território de origem da maioria dos pacientes que estavam internados, possibilitando o cuidado em liberdade, a reconstrução de vínculos e a continuidade do acompanhamento em rede. Nestes 20 anos de carreira, tive a oportunidade de contribuir para a reintegração familiar de três irmãos que estavam em acolhimento institucional, enquanto a mãe era dependente de álcool. As crianças seriam encaminhadas para adoção. Com a nossa contribuição, a mãe recuperou a guarda dos filhos. Hoje ela continua sem fazer uso de álcool e permanece com família. Os filhos trabalham e estudam, o que torna essa história ainda mais gratificante e inspiradora”, revelou Jaqueline.
Com quase 20 anos de formada, a assistente social Simone Endlich, de 45 anos, acredita que o Serviço Social é uma atividade desafiadora. “Ser assistente social não é simples: lidamos com pessoas na linha da pobreza ou da miséria, que não possuem muitas vezes qualquer orientação sobre direitos, ou estão abandonados pela família. Lidar com isso todos os dias requer um cuidado especial para não gerar sofrimento em nós profissionais. Também é preciso ter um olhar equilibrado e a consciência de que sozinhos não salvamos o mundo”, enfatizou Simone.
Uma das histórias que mais a marcou foi a transformação de vida de uma mulher em situação de rua, que vagava por 3 anos, pelas ruas de Cariacica. “A morte do marido desencadeou um surto. De vez em quando, ela ia ao Caps Cidade para se alimentar. Conseguimos criar vínculo e ela aceitou tratamento. Conseguimos benefícios socioassistenciais, a reinserção no mercado de trabalho e retorno ao ambiente familiar. Foi um processo extremamente significativo para a equipe. Isso foi uma grande motivação para que a gente não desista do que faz.”
Para a assistente social Atalia Ferreira da Silva, de 25 anos, o Serviço Social requer uma grande habilidade comunicativa, de escuta, e de trabalho focado na defesa intransigente dos direitos humanos. “No Caps Cidade, onde trabalho, realizamos muitas oficinas coletivas, feiras, assembleias dos usuários, entre outras atividades. Essa troca entre os atendidos permite que eles se reconheçam nos outros e se organizem enquanto um grupo potente. Também fazemos atendimentos individualizados quando é necessário. O objetivo do trabalho é desenvolver autonomia, protagonismo e a reinserção social.”


















