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Brasil inventou o futuro do dinheiro com o PIX, diz Nobel de Economia

23 jul 2025 - 09:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Em artigo, economista americano Paul Krugman destaca a eficiência e a alta adesão do sistema de pagamentos brasileiro, que considera um modelo para uma moeda digital de banco central que dificilmente será replicado nos Estados Unidos
Brasil inventou o futuro do dinheiro com o PIX, diz Nobel de Economia. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O economista norte-americano e vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, publicou um artigo nesta terça-feira (22) no qual analisa o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o PIX, sugerindo que o país pode ter desenvolvido o futuro do dinheiro. Em sua análise, Krugman, que é professor na Universidade da Cidade de Nova York, afirma que o modelo brasileiro é um caminho para a criação de uma moeda digital emitida por um Banco Central (CBDC, na sigla em inglês).

A publicação, intitulada “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”, surge em um contexto de críticas do economista à nova legislação sobre criptomoedas nos Estados Unidos, o “Genius Act”, aprovada durante o governo de Donald Trump. Segundo Krugman, a lei americana “abre caminho para futuras fraudes e crises financeiras” e impede que autoridades do país criem uma CBDC, uma alternativa centralizada às criptomoedas como o bitcoin.

A eficiência do sistema brasileiro
Krugman detalha que o Banco Central do Brasil planeja, de fato, criar uma moeda digital, e que o lançamento do PIX em 2020 foi um primeiro passo nessa direção. Ele descreve o sistema como “uma espécie de versão pública do Zelle”, uma plataforma privada operada por bancos nos EUA, mas ressalta que “o PIX é muito mais fácil de usar”.

Os dados apresentados no artigo mostram a dimensão do sistema no Brasil. “E, embora o Zelle seja grande, o PIX se tornou simplesmente enorme, sendo usado por 93% dos adultos brasileiros. Parece estar rapidamente substituindo dinheiro em espécie e cartões”, escreve o economista.

Os baixos custos de transação e a rapidez são destacados como pontos centrais do sucesso. As transferências são gratuitas para pessoas físicas e custam, em média, 0,33% do valor da transação para empresas. Em comparação, as taxas para cartões de débito nos EUA são de 1,13% e para cartões de crédito, 2,34%.

Contraste com criptomoedas e o cenário americano
Para o Nobel de Economia, o PIX alcançou o que os defensores das criptomoedas apenas prometeram. “Está conseguindo de fato o que os defensores de criptomoedas alegaram, falsamente, ser capaz de se alcançar por meio do blockchain, baixos custos de transação e inclusão financeira”, afirma.

Ele compara a adesão de 93% dos brasileiros ao PIX com os “2%, isso mesmo, 2% de americanos que usaram criptomoedas para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024”.

Apesar dos resultados positivos no Brasil, Krugman não acredita que um sistema semelhante possa ser implementado nos Estados Unidos em um futuro próximo. Ele aponta duas razões principais para isso. A primeira é o poder do setor financeiro americano, que, segundo ele, “jamais permitiria que um sistema público competisse com seus produtos”. A segunda é a oposição ideológica do partido Republicano, que, em sua visão, “jamais admitirá que um sistema de pagamentos operado pelo governo possa ser melhor do que alternativas do setor privado”.

A análise conclui com uma projeção sobre o futuro dos sistemas de pagamento. “Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil no desenvolvimento de um sistema de pagamento digital. Mas os EUA provavelmente permanecerão presos a uma combinação de interesses pessoais e fantasias cripto”, finaliza Krugman.

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Atualizado: 23/07/2025 10:06

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