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Tarifaço de Trump: Moraes autoriza investigação sobre possível uso de informação privilegiada para lucrar

22 jul 2025 - 09:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Inquérito sigiloso, solicitado pela AGU, apurará suposto uso de informação privilegiada em movimentações no mercado cambial antes do anúncio de sobretaxa do governo Trump contra produtos brasileiros
Moraes autoriza investigação sobre insider trading ligado a tarifas dos EUA. Foto: Pixabay

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (21) a abertura de uma investigação para apurar o suposto uso de informações privilegiadas, prática conhecida como insider trading, relacionado ao anúncio de tarifas do governo de Donald Trump contra o Brasil. O pedido partiu da Advocacia-Geral da União (AGU), que suspeita de movimentações atípicas no mercado de câmbio antes e depois da divulgação da medida que prevê taxar em 50% as exportações brasileiras para os Estados Unidos a partir de 1º de agosto.

A solicitação da AGU foi apresentada na semana passada no âmbito do inquérito que investiga o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por sua suposta articulação junto ao governo norte-americano para promover retaliações contra o Brasil e ministros do STF. Em seu despacho, Moraes decidiu que a apuração sobre o insider trading tramitará em uma petição separada e sob sigilo.

Contexto da investigação
A petição da AGU está vinculada ao inquérito que apura se Eduardo Bolsonaro atuou para barrar a ação penal sobre a trama que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. O deputado, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, licenciou-se do mandato parlamentar em março deste ano e mudou-se para os Estados Unidos, alegando ser vítima de perseguição política.

Na última sexta-feira (18), no mesmo inquérito, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF). Por determinação de Alexandre de Moraes, ele passou a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de casa entre 19h e 6h. A medida foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou risco de fuga. Bolsonaro é réu na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado e seu julgamento está previsto para setembro no Supremo.

Governo se mobiliza contra tarifaço
Também nesta segunda-feira (21), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reuniu-se com representantes de grandes empresas de tecnologia (big techs) para discutir o impacto das tarifas anunciadas por Trump. O encontro, incluído de última hora na agenda oficial, ocorreu no Palácio do Planalto e foi convocado pela comissão interministerial coordenada por Alckmin para dialogar com os setores afetados.

De acordo com a Vice-Presidência da República, participaram da reunião executivos da Visa, Apple, Expedia, Meta e Google, além de um consultor jurídico da Câmara Brasileira da Economia Digital. Representantes dos ministérios das Relações Exteriores, da Fazenda e do Desenvolvimento também estiveram presentes. Alckmin não concedeu entrevista à imprensa após o término do encontro.

A medida do governo Trump foi oficializada na semana passada, com a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil por supostas práticas desleais. O documento norte-americano cita como justificativas a corrupção, o desmatamento, decisões que limitam a atuação das big techs no país e o sistema de pagamentos Pix, que, segundo a alegação, prejudicaria empresas financeiras dos Estados Unidos.

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Atualizado: 22/07/2025 09:42

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