política

Casagrande critica “razão ideológica” de tarifas de Trump e defende cautela do governo federal

11 jul 2025 - 09:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Governador do Espírito Santo classifica medida como "inaceitável" e de base político-ideológica. Setores como aço, rochas ornamentais e petróleo podem ser os mais prejudicados no estado
Casagrande critica "razão ideológica" de tarifas de Trump e defende cautela do governo federal. Foto: Divulgação

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, defendeu cautela e racionalidade por parte do governo federal ao reagir às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (10), no Palácio Anchieta, em Vitória, Casagrande classificou a medida do governo de Donald Trump como “inaceitável” e baseada em uma “razão ideológica”, e não em fundamentos econômicos. Acompanhado pelo vice-governador, Ricardo Ferraço, e pelo secretário de Desenvolvimento, Sérgio Vidigal, o governador detalhou os possíveis impactos para a economia capixaba e sugeriu paciência antes de qualquer retaliação.

A análise do governo estadual ocorre após o anúncio de que os Estados Unidos aplicariam uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, com a medida prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Segundo Casagrande, a justificativa apresentada em carta ao presidente Lula é, pela primeira vez, abertamente política. “Pela primeira vez, a gente vê aparecer no radar econômico mundial uma razão ideológica para estabelecer uma tarifa”, afirmou.

Impactos na economia capixaba
Questionado sobre os setores mais vulneráveis no Espírito Santo, o governador demonstrou preocupação, especialmente após a confirmação de que a nova tarifa de 50% será somada às já existentes. O aço, principal produto capixaba exportado para os Estados Unidos, seria um dos mais afetados.

“Se é a mais, a situação se agrava muito”, declarou Casagrande. “Você vai ter dificuldade para exportar para os Estados Unidos, que é o nosso maior produto exportado para lá. Poderá ter uma redução do mercado americano, e as empresas brasileiras e capixabas terão que buscar outros mercados”.

Além da siderurgia, o setor de rochas ornamentais e a exportação de petróleo cru também foram citados como áreas que podem sofrer redução de atividade econômica no estado. O governador alertou que a instabilidade gerada pela medida já provoca prejuízos, como a elevação do dólar, e pode desestimular investimentos. “Isso também afeta o ânimo dos empreendedores capixabas […] deixando o empreendedor e o cidadão, às vezes, com o pé no freio”, pontuou.

Posicionamento político e soberania
Para o governador, a reação brasileira deve ocorrer em duas frentes distintas. No campo político, ele defende uma resposta firme em defesa da autonomia nacional. “O governo federal e os brasileiros precisam reagir com força, contra qualquer tentativa de ameaça à soberania das nossas instituições, seja ela vinda dos Estados Unidos ou de qualquer outro país”, disse.

No entanto, na área econômica, a recomendação é de prudência. “A gente ter racionalidade para poder contar até 10 e a gente ter paciência”, aconselhou. Casagrande argumenta que entrar imediatamente em uma “guerra tarifária”, que seria a estratégia de Trump, não é o melhor caminho para o Brasil neste momento. Ele também mencionou o possível envolvimento de grupos políticos brasileiros na decisão americana. “Qual é o nível de envolvimento de grupos políticos brasileiros numa decisão como essa? Mas, seja qual for o nível de envolvimento, é uma decisão que penaliza o brasileiro”.

Estratégia e medidas do Governo
Sobre as ações práticas que o Estado pode tomar, Casagrande ressaltou que, embora o Espírito Santo já busque diversificar seus parceiros comerciais a médio e longo prazo, por meio de iniciativas como a Invest-ES, não há solução de curto prazo para um problema que se consolida em agosto. “Nós já estamos fazendo isso, mas isso vai se consolidando no médio e longo prazo, não é um assunto que a gente resolve agora”.

Em relação à lei de reciprocidade, que dá ao governo federal o poder de retaliar na mesma medida, o governador a considera um instrumento legítimo, mas que deve ser usado com sabedoria. “Estou sugerindo neste momento, não estou dizendo que não tenha que usar […] talvez você tenha que usar. Mas, neste momento, eu considero que o melhor é o governo ter muita paciência”.

Diálogo com o Governo Federal
Casagrande informou que ainda não havia conversado com membros do governo federal sobre o assunto, mas que o faria ao longo do dia. Ele também comentou sobre a agenda do presidente Lula, que tem uma visita confirmada a Linhares. “Até agora, está confirmada a vinda dele. Se ele vier, vou tratar sempre do tema”, garantiu, embora reconheça que o novo cenário de instabilidade pode alterar os planos presidenciais.

Ao final, o governador expressou a expectativa de que a falta de argumentos econômicos para a tarifa, visto que a balança comercial é favorável aos EUA, possa levar a um recuo. “Sem argumento só político-ideológico, não vejo muito como sustentar um argumento desse por muito tempo. Estou falando como uma avaliação minha, mas é mais uma expectativa e um desejo meu”.

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Atualizado: 11/07/2025 18:08

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