Dois estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) foram expulsos e outros 16 suspensos por 90 dias após a instituição apurar um esquema de acesso indevido e venda de uma prova aplicada no primeiro semestre de 2023. O caso foi investigado por meio de um Inquérito Administrativo Disciplinar (IAD) instaurado em setembro do ano passado, a partir de uma denúncia formal.
Segundo a Ufes, os dois estudantes – um homem e uma mulher – invadiram o drive da disciplina de Anatomia e Fisiopatologia, ofertada no Centro de Ciências da Saúde (CCS), campus de Maruípe, e comercializaram a avaliação com colegas de turma. A conduta levou à abertura de um processo disciplinar conduzido por uma comissão formada por quatro docentes e um estudante, conforme prevê o Regimento Geral da universidade.
19 investigados e direito à defesa
Ao todo, 19 alunos foram investigados. Segundo a universidade, todos tiveram direito à ampla defesa durante o processo. O relatório final concluiu pela expulsão de dois deles, pela suspensão temporária de 16 e pelo arquivamento do processo em relação a uma estudante, por ausência de participação comprovada.
As punições foram aplicadas com base nas normas disciplinares internas da Ufes e comunicadas oficialmente aos alunos em despacho emitido pela Diretoria de Registro Acadêmico, vinculada à Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad), no dia 22 de maio. Também foram concluídas as exclusões de matrícula em disciplinas relativas ao primeiro semestre de 2024.
Comissão aponta atos incompatíveis com a vida universitária
O relatório da comissão responsável pela apuração classificou os atos como “incompatíveis com a moralidade da vida universitária” e destacou o desrespeito às autoridades acadêmicas, professores e servidores da instituição.
Os nomes dos estudantes envolvidos não foram divulgados pela Ufes. A universidade justificou que o processo ainda está em tramitação e que as decisões podem ser alvo de recurso, conforme previsto no regulamento da instituição.
Ufes reforça combate a fraudes
Em nota, a Administração Central da universidade afirmou que “preza pela probidade no âmbito da Universidade” e que qualquer denúncia de violação será “devidamente apurada na forma da lei”. A instituição também destacou que atua para garantir relações baseadas na integridade entre estudantes, docentes e técnicos-administrativos.
A Ufes informou ainda que não pode divulgar mais detalhes sobre o caso devido à tramitação ainda em curso do processo administrativo.


















