Saúde

Técnica de enfermagem que queimou pé de bebê no ES é demitida após auditoria

29 set 2025 - 12:35

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Relatório da Sesa isenta hospital de culpa e será encaminhado ao Ministério Público. Recém-nascido José Peisino, que passou por cirurgia de enxerto, já recebeu alta e está em casa com a família
Saúde demite técnica que queimou pé de bebê na Serra; auditoria aponta falha individual. Foto: CAMILLA BAPTISTIN

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) concluiu a auditoria sobre o caso do recém-nascido José Peisino, que teve o pé gravemente queimado logo após o nascimento no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves (HJSN), na Serra, e anunciou nesta segunda-feira (29) a demissão da técnica em enfermagem envolvida. O relatório apontou que a profissional agiu de forma individual e não seguiu os protocolos da unidade, isentando o hospital de falhas estruturais ou de procedimento. A técnica foi desligada em 22 de agosto, três dias após o ocorrido.

O bebê, que ficou mais de um mês internado e passou por uma cirurgia de enxerto de pele, recebeu alta hospitalar na última quinta-feira (25) e já está em casa com a família. O relatório da auditoria será agora encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e ao Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES) para as devidas providências.

O procedimento que causou a queimadura
O caso ocorreu em 19 de agosto, logo após o nascimento de José. Segundo relato da família, a equipe de enfermagem informou que a temperatura do bebê estava em 36,2°C, um pouco abaixo do ideal de 36,7°C. Para aquecê-lo, a técnica em enfermagem teria aquecido um pedaço de algodão na resistência metálica do berço.

A avó da criança, que acompanhava o procedimento, relatou que o ato gerou faíscas. A profissional, no entanto, dobrou o algodão aquecido e o colocou dentro da meia do recém-nascido. “Quando ela dobrou, minha mãe não viu. Ela colocou dentro da meia dele e quando minha mãe percebeu, o macacão dele já estava pegando fogo”, contou a mãe, Sara Peisino. A mãe foi despertada pelo choro do filho e, ao chegar à sala, encontrou a equipe tentando socorrer o bebê e sentiu um forte cheiro de queimado.

Falha individual, aponta auditoria
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, afirmou que a investigação, concluída em 28 dias, determinou que não houve falha nos equipamentos ou na estrutura do hospital. A responsabilidade foi atribuída exclusivamente à conduta da profissional.

“Não houve nenhuma falha na estrutura física do hospital, nenhum tipo de equipamento ou elétrica, nem de procedimento do que é responsabilidade do hospital. O que houve foi uma falha individual da profissional que não se atentou aos protocolos tanto dos médicos quanto dos treinamentos que o hospital realiza”, declarou Hoffmann.

O secretário explicou que a ação correta para aquecer o recém-nascido seria o uso de roupas e cobertores. Segundo ele, a funcionária executou “procedimentos completamente fora dos padrões médicos e hospitalares. Temos a convicção absoluta que não houve nenhum dolo, apenas um erro da profissional”, completou.

Profissional estava em período de experiência
A técnica em enfermagem trabalhava no Hospital Dr. Jayme Santos Neves havia menos de quatro meses e estava em período de experiência. De acordo com o diretor do HJSN, Joubert Andrade da Silva, a contratação ocorreu após análise de currículo e avaliações psicológicas.

O secretário Tyago Hoffmann acrescentou que o hospital possui um protocolo para novos funcionários em maternidades de alto risco. “O hospital adota como protocolo que, quando uma profissional está entrando no serviço, ela deve ter acompanhamento de um profissional mais experiente por 90 dias. Isso aconteceu com essa profissional”, afirmou. Ele ressaltou, no entanto, que para adotar qualquer procedimento fora do padrão, seria necessário comunicar a chefia do setor, o que não foi feito.

Após o incidente, o hospital passou a exibir cartazes na maternidade alertando sobre os riscos do procedimento adotado pela técnica. A Sesa determinou que o alerta seja estendido a todas as maternidades estaduais.

Após cirurgia e um mês internado, José recebe alta
Com queimaduras graves no pé esquerdo, José foi transferido da maternidade para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) do próprio HJSN e, posteriormente, para o Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), em Vitória. No local, passou por procedimentos para remoção de tecidos necrosados e, no dia 18 de setembro, por uma cirurgia de enxerto de pele.

A alta hospitalar ocorreu na última quinta-feira (25), um mês e seis dias após seu nascimento. Em um vídeo, a mãe comemorou o retorno para casa. “Depois de um mês, a primeira noite em casa foi ótima, José dormiu muito. […] Só dele estar em casa já é um alívio tão grande”, disse Sara Peisino.

O tratamento do bebê, contudo, continua. A família informou que ele precisará retornar ao hospital a cada quatro ou cinco dias para a troca de curativos, procedimento que é realizado em centro cirúrgico. Ainda não é possível afirmar se o ferimento deixará sequelas.

“Quero agradecer a todo mundo que esteve com a gente nesse período orando, sofrendo com a gente, torcendo pela melhora dele, por este momento de alta. Ainda não finalizou, mas a gente está no caminho”, agradeceu a mãe.

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