O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi submetido a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo na manhã desta sexta-feira (30), em uma clínica particular de Brasília, e já recebeu alta hospitalar. O procedimento, realizado sem intercorrências, faz parte dos cuidados médicos de rotina do chefe do Executivo, que agora seguirá em recuperação na residência oficial da Granja do Torto.
Procedimento e recuperação
De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o presidente segue sob acompanhamento das equipes lideradas pelos médicos Roberto Kalil Filho e Ana Helena Germoglio. A previsão é que Lula retome as atividades de rotina na próxima segunda-feira (2).
Esta não é a primeira intervenção oftalmológica do presidente; em 2020, ele realizou o mesmo procedimento no olho direito. A estratégia de operar em momentos distintos é recomendada por especialistas. “O ideal é que a cirurgia seja feita em um olho de cada vez, com diferença de algumas semanas entre os dois procedimentos”, explica a presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Maria Auxiliadora Frazão. “Assim, avaliamos os resultados, como o organismo responde, se o grau ficou bom e se evoluiu bem. Se sim, seguimos da mesma forma para o outro olho”, completa a médica.
O que é a catarata
A catarata é caracterizada pela perda de transparência do cristalino, a lente natural dos olhos, que se torna opaca e esbranquiçada. Embora seja um processo natural do envelhecimento, a condição também pode ser causada por diabetes, uso de medicamentos com corticoides ou traumas oculares.
Segundo o CBO, os sintomas incluem visão turva, nebulosa ou com aspecto de “véu”, além de sensibilidade à luz e dificuldade para enxergar à noite. O paciente pode perceber as cores desbotadas ou amareladas e ver halos ao redor de luzes. Em alguns casos, ocorre visão dupla em um único olho e a necessidade frequente de mudar o grau dos óculos.
Como funciona a operação
O tratamento é exclusivamente cirúrgico. O procedimento consiste na substituição do cristalino opaco por uma lente artificial transparente. A cirurgia é realizada com anestesia local, de forma rápida, indolor e sem necessidade de internação.
No pós-operatório, oftalmologistas recomendam repouso relativo, uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios, além de evitar carregar peso ou coçar os olhos. “Todas as pessoas terão que operar a catarata um dia, com o tempo, duas vezes, pois temos dois olhos”, afirma Frazão.
Apesar de ser uma cirurgia segura, existem riscos como infecções e descolamento de retina. “Por isso, a cirurgia deve ser realizada com planejamento e responsabilidade, sem subestimar um procedimento realizado dentro do olho”, alerta a presidente do CBO. Exames prévios são exigidos para avaliar condições como diabetes descontrolado, que podem contraindicar a operação.
Cenário no Brasil
A cirurgia de catarata é o procedimento oftalmológico eletivo mais realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Observatório da Saúde Ocular do CBO apontam que, entre janeiro de 2015 e novembro de 2025, foram realizadas 7,8 milhões de cirurgias na rede pública, registrando um aumento de 120% em uma década.
Somente nos primeiros onze meses de 2025, o volume atingiu 1.034.714 procedimentos. O perfil dos pacientes atendidos pelo SUS em 2024 mostra que 52% tinham entre 40 e 69 anos, enquanto 46% possuíam 70 anos ou mais.


















