O Espírito Santo alcançou, pelo quinto ano consecutivo, uma redução significativa no número de gestações precoces. Dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), divulgados pela Secretaria da Saúde (Sesa) durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que ocorre de 1º a 07 de fevereiro, apontam que em 2025 foram realizados 4.650 partos de mães com idades entre 10 e 19 anos no estado. O número representa uma queda de 10,8% em comparação a 2024, quando foram registrados 5.213 nascimentos nessa faixa etária.
O recuo nos índices é resultado de ações integradas entre a Sesa e a Atenção Primária à Saúde (APS) nos municípios capixabas. A série histórica confirma a tendência de queda: em 2020, o estado contabilizou 6.842 partos em adolescentes; em 2021, o número caiu para 6.508; em 2022, para 5.724; e em 2023, para 5.568. Apesar dos avanços, as autoridades sanitárias alertam que o cenário ainda exige atenção, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade social.
Riscos à saúde e impacto social
A gravidez na adolescência é tratada como um desafio de saúde pública devido às complexidades físicas e emocionais envolvidas. Eduardo Pereira Soares, médico ginecologista e referência técnica da Saúde da Mulher na “Rede Alyne” da Sesa, explica que o corpo em desenvolvimento aumenta a probabilidade de intercorrências.
“Entre os principais riscos estão anemia, infecções, hipertensão gestacional, parto prematuro e recém-nascidos com baixo peso. Soma-se a isso a dificuldade de adesão ao pré-natal, que muitas vezes é iniciado de forma tardia ou irregular”, alerta o especialista.
Além das questões clínicas, a gestação precoce acarreta consequências socioeconômicas, como a interrupção dos estudos e a redução de perspectivas profissionais, perpetuando ciclos de dependência econômica. “A prevenção é fundamental e passa, sobretudo, pelo acesso à informação e ao cuidado. É importante que haja o debate contínuo sobre sexualidade, sexo seguro e métodos contraceptivos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta Soares.
Educação como estratégia de prevenção
Um dos pilares para a redução dos índices é o Programa Saúde na Escola (PSE), uma política pública presente nos 78 municípios do Espírito Santo, abrangendo 2.101 escolas da rede pública. Em 2025, o programa realizou 1.226 atividades coletivas sobre saúde sexual e reprodutiva, alcançando 76.255 estudantes.
A iniciativa, articulada entre as secretarias de Estado da Saúde e da Educação (Sedu), foca na prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e na orientação sobre direitos reprodutivos. Josymara Siqueira Duque, referência técnica do PSE na Sesa, destaca o papel do ambiente escolar na desconstrução de tabus.
“As escolas se configuram como espaços privilegiados para o acesso à informação qualificada. As ações podem contribuir para […] possibilitar a adolescentes e jovens condições para realizar escolhas mais conscientes e vivenciar sua sexualidade de forma plena, segura e responsável”, afirma Josymara.
Atenção Primária e novas tecnologias contraceptivas
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) funcionam como a porta de entrada para o acolhimento, oferecendo desde testes rápidos para ISTs até a distribuição de preservativos e anticoncepcionais. Christiani Pontara Faé, referência técnica em Saúde da Mulher da atenção primária da Sesa, reforça a importância da captação precoce da gestante adolescente para o pré-natal e a introdução de novos métodos de prevenção.
Recentemente, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel (Implanon). Voltado para adolescentes e mulheres de 14 a 49 anos, o método é de longa duração (até três anos) e alta eficácia.
“A incorporação do implante subdérmico […] fortalece as ações de planejamento reprodutivo e contribui para a redução desses índices”, pontua Christiani. Atualmente, o SUS disponibiliza diversos métodos, incluindo preservativos (únicos que protegem contra ISTs), DIU de cobre, pílulas orais e injetáveis.
Dados hospitalares e ações locais
Hospitais estaduais também monitoram a incidência de partos na adolescência. O Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves registrou 242 partos em jovens de 10 a 19 anos ao longo de 2025. No início de 2026 (de 1º a 23 de janeiro), foram 13 partos, um aumento em relação ao mesmo período de 2025, que teve 7 registros. A unidade conta com o projeto “Jayme Itinerante”, que nesta semana intensificará ações educativas sobre gravidez na adolescência fora do ambiente hospitalar.
Já no Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), foram realizados 112 partos nessa faixa etária em 2025. Nos primeiros 23 dias de janeiro de 2026, a unidade contabilizou 3 partos, contra 6 no mesmo período do ano anterior.


















