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Trump dribla Justiça e taxa todo o mundo em 15%, mas Brasil será o menos atingido

23 fev 2026 - 10:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de g1 e CNN Brasil

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Suprema Corte americana derruba sobretaxas originais e republicano impõe alíquota global de 15%. Internamente, equipe econômica brasileira encarece entrada de máquinas e tecnologia para conter dependência externa
Brasil lidera queda de tarifas nos EUA após revés de Trump, mas eleva impostos de 1.200 produtos importados. Foto: Ricardo Stuckert/PR

As relações comerciais do Brasil passam por uma reconfiguração dupla e simultânea nesta semana. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte invalidou a maior parte do “tarifaço” do presidente Donald Trump na última sexta-feira (20), levando o republicano a impor uma nova taxa global provisória de 15% a partir desta terça-feira (24), medida que, na prática, beneficia diretamente e barateia as exportações brasileiras. No cenário interno, em movimento contrário, o governo federal brasileiro decidiu elevar o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, com foco em equipamentos industriais e tecnologia, para proteger a indústria nacional do avanço estrangeiro.

O vaivém nos EUA e o alívio para o Brasil
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos EUA anulou todas as tarifas aplicadas por Trump baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Isso derrubou imediatamente a taxa recíproca de 10% (criada em abril de 2025) e a sobretaxa de 40% sobre itens brasileiros (de julho de 2025).

Em resposta à derrota judicial, Trump acionou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite taxações por até 150 dias antes de avaliação do Congresso. O republicano anunciou inicialmente uma tarifa global de 10%, elevando-a para 15% já no sábado (21). As novas taxas entram em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24) e atingem todos os países que comercializam com os EUA.

Apesar da nova alíquota, o Brasil é o país mais beneficiado pela mudança. Segundo a Global Trade Alert, organização independente que monitora o comércio internacional, os produtos brasileiros terão a maior redução nas tarifas médias, com uma queda de 13,6 pontos percentuais. A China aparece na sequência, com recuo de 7,1 pontos, seguida pela Índia (-5,6 pontos).

Por outro lado, importantes aliados dos EUA passarão a enfrentar tarifas mais altas:

  • Reino Unido: +2,1 pontos
  • União Europeia: +0,8 ponto
  • Japão: +0,4 ponto

De acordo com o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a maioria dos produtos brasileiros pagará a tarifa normal acrescida do novo adicional temporário de 15%. No entanto, há ressalvas:

  • Aço e alumínio: Continuam com alíquotas de 50% (baseadas na Seção 232, não afetada pela Justiça), somando-se aos novos 15%.
  • Exceções americanas: Minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos estão isentos da nova tarifa global.

Governo comemora competitividade nos EUA
A decisão da Justiça americana afeta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras aos EUA, de acordo com cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) referentes a 2024. Antes da intervenção da Suprema Corte, 22% das exportações do Brasil estavam sujeitas à sobretaxa de 40%.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, avaliou a mudança de forma positiva, garantindo que as empresas brasileiras não perdem espaço, pois a taxa é uniforme.

“Mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade. Em alguns setores, ela zerou. Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves”, declarou Alckmin neste domingo. Ele acrescentou que a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos EUA, em março, servirá como uma avenida de negociação para debater questões não tarifárias.

Protecionismo interno
Enquanto o cenário internacional traz desoneração, no Brasil o governo adotou uma medida protecionista formalizada pela resolução Gecex nº 852. A determinação eleva o imposto de importação de 1.252 códigos de produtos, com vigência a partir de fevereiro e março de 2026. O foco da taxação são servidores de processamento de dados, switches, roteadores e máquinas industriais.

A motivação da equipe econômica é estrutural. Em 2025, o Brasil importou cerca de US$ 75 bilhões em bens de capital e tecnologia. Segundo nota técnica do Ministério da Fazenda, os produtos estrangeiros já representam aproximadamente 45% do consumo de máquinas e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações no país, níveis considerados ameaçadores para a indústria nacional.

Com a mudança estrutural para fortalecer a “Nova Indústria Brasil”, as alíquotas de importação, que antes contavam com isenções ou taxas inferiores a 7%, passarão a se concentrar em patamares próximos a 7%, 12,6% e 20%. A Fazenda defende que a medida segue uma tendência global de uso de instrumentos tarifários para corrigir choques externos, com baixo impacto inflacionário, por atingir bens de produção e não de consumo final.

O setor produtivo, no entanto, criticou a resolução. A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) alertou para o efeito cascata da decisão: “Esta medida não afeta apenas o setor de tecnologia, mas toda a economia nacional, uma vez que a tecnologia da informação constitui hoje a infraestrutura transversal que sustenta e viabiliza todos os demais setores econômicos.”

Para mitigar o impacto em projetos de infraestrutura, mineração, agronegócio e energia, o governo manteve exceções. Itens sem fabricação nacional ainda poderão usufruir de isenções ou reduções por meio do “ex-tarifário” e de regimes especiais de importação, como Repetro, Recof e drawback.

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Atualizado: 23/02/2026 11:22

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