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Ajuste fiscal é a saída para a indústria vencer o Custo-Brasil, alerta economista no ES

29 maio 2026 - 15:45

Redação Em Dia ES

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Durante o Encontro da Indústria 2026, em Vitória, Zeina Latif destacou a necessidade de reformas estruturais para aumentar a produtividade nacional e apontou o Espírito Santo como referência em gestão pública
Indústria Foto: Getty Images Signature

A necessidade de contenção do gasto público e a urgência de reformas estruturais para o crescimento econômico foram os temas centrais da palestra da economista, professora e autora Zeina Latif, durante o Encontro da Indústria 2026. Realizado em Vitória, no dia 25 de maio, em celebração ao Dia da Indústria, o evento foi promovido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) e pelo Centro da Indústria do Espírito Santo (CINDES), reunindo empresários, lideranças e autoridades políticas locais.

Com o tema “O desafio da produtividade do Brasil”, a economista detalhou o papel central da máquina pública, defendendo um Estado que cumpra suas funções básicas, mas que seja equilibrado por uma sociedade capaz de frear o avanço das despesas. “O ajuste fiscal é o alicerce e a base para políticas mais eficazes”, afirmou Latif ao público presente.

Para a especialista, a previsibilidade macroeconômica é essencial para reduzir a volatilidade da moeda e viabilizar a atração de investimentos de longo prazo. Ela pontuou que o atual cenário atinge diretamente o setor produtivo. “A indústria é o setor que mais sofre com o chamado Custo-Brasil, enfrentando um contencioso tributário que alcança a marca de 75% do PIB nacional”, alertou.

Além do peso tributário, a disparidade competitiva internacional foi apontada como um dos principais obstáculos. “A produtividade do trabalho no Brasil equivale a apenas 25% do patamar norte-americano”, destacou a economista. Segundo ela, o desafio imposto ao país é a aceleração de reformas pró-crescimento para que esses ganhos de produtividade se convertam na ampliação do mercado consumidor.

Pilares para o enfrentamento de gargalos

Para detalhar as soluções e as novas vantagens competitivas do país e do Estado, Zeina dividiu sua análise em três pilares fundamentais:

Instituições e equilíbrio macroeconômico
A economista ressaltou a severa rigidez orçamentária do país, lembrando que cerca de 95% dos gastos da União são obrigatórios, o que asfixia a capacidade de investimento em áreas críticas como infraestrutura e capital humano. Sem uma âncora fiscal clara, o ambiente de negócios sofre com juros elevados e volatilidade cambial. Em contrapartida a esse cenário nacional, o Espírito Santo foi classificado como uma referência por sua continuidade administrativa e gestão responsável, chancelada pela nota A+ na CAPAG (Capacidade de Pagamento), o selo máximo de excelência fiscal.

Produtividade e capital humano
O chamado “apagão de mão de obra” foi outro alerta da palestra. Dados apresentados mostram que apenas 4,5% dos jovens do ensino médio público possuem aprendizado adequado em matemática e português, criando uma barreira para a formação técnica exigida pela indústria contemporânea. A esse fator soma-se a insegurança jurídica: o Brasil tem o maior número de advogados por habitante do mundo e um sistema judicial altamente congestionado, sobretudo na área de execuções fiscais. Há ainda um desafio demográfico iminente, já que a população em idade ativa começará a encolher em 2036, tornando a adoção de tecnologias uma urgência contra a estagnação econômica.

Oportunidades e o futuro da indústria
Apesar dos gargalos estruturais, Latif mapeou oportunidades decisivas, começando pela Reforma do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O novo modelo tributário visa extinguir a cumulatividade e o resíduo fiscal, isentando investimentos e exportações, beneficiando diretamente cadeias industriais mais longas. A integração global também surge como um vetor de crescimento, seja pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, seja pela nova dinâmica comercial da China focada em inteligência artificial.

No âmbito regional, o Espírito Santo possui vantagens estratégicas. O Estado está bem posicionado para capitanear a transição verde, por meio da energia limpa e de créditos de carbono, e para a exploração de minérios críticos e terras raras, aproveitando sua forte e já consolidada vocação logística e portuária.

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Atualizado: 29/05/2026 16:28

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