política

Terceiro mandato de Lula pode ter a menor inflação acumulada desde 1999, aponta projeção

03 nov 2025 - 08:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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Se o índice de 19,11% se confirmar, superará o recorde do segundo mandato do presidente. Governo, no entanto, vê desafio na percepção popular para 2026
Terceiro mandato de Lula pode bater recorde de inflação mais baixa desde 1999, aponta projeção. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode terminar com a inflação acumulada mais baixa desde a implementação do regime de metas no país, em 1999. Segundo cálculo do economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), feito a pedido da Folha de S. Paulo, a inflação pode chegar ao final do governo acumulada em 19,11%. Se as projeções para este e o próximo ano se concretizarem, será o menor índice observado em um mandato presidencial nos últimos 25 anos, batendo o recorde anterior de 22,21%, registrado no segundo mandato de Lula (2006-2010).

A perspectiva de que a gestão petista alcance um novo recorde de menor inflação acumulada em 2026, ano eleitoral, tem sido celebrada no governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é um dos que tem incorporado esse discurso.

“O senhor [Lula] vai terminar o terceiro mandato com a menor inflação acumulada da história do Brasil. O mais importante é que o senhor está batendo esse próprio recorde. Porque antes desse mandato, o senhor já tinha batido esse recorde no segundo mandato”, disse Haddad durante o evento de lançamento do programa Reforma Casa Brasil.

No Brasil, o sistema de metas para inflação foi adotado em 1999, quando o alvo foi fixado inicialmente em 8% ao ano. Desde o início deste ano, está em vigor o regime de avaliação contínua, com alvo central de 3% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (oscilando entre 1,5% e 4,5%).

Desafio na percepção popular
Mesmo com a perspectiva de queda na inflação acumulada, o sentimento do brasileiro ainda é de peso no orçamento. De acordo com Braz, isso pode ser explicado porque esse indicador se difere de outros, como o IPCA, podendo gerar diferenças entre os números realizados e a percepção pública com relação aos preços. Para o economista, é necessário avaliar quais itens subiram acima da média durante o governo.

Uma pesquisa Datafolha de abril deste ano mostrou que, para 54% dos brasileiros, o governo Lula seria o principal responsável pelo aumento dos preços dos alimentos nos meses anteriores.

Para integrantes da equipe de comunicação do governo, ouvidos pela Folha sob reserva, essa disparidade entre os números realizados e a percepção popular ainda pode demonstrar um desafio a ser enfrentado para a campanha eleitoral de 2026.

Na avaliação desses interlocutores, isso deve ser atenuado com pautas voltadas à renda, emplacadas pela gestão petista, como o Auxílio Gás e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês (ainda em tramitação no Congresso). Eles apontam, ainda, que os efeitos de indicativos como a queda da inflação demoram mais a serem sentidos na ponta, pois a queda dos preços não significa que os itens estejam tão baratos quanto a população gostaria.

A questão dos alimentos
Na última campanha eleitoral, a promessa de que as famílias poderiam voltar a comer picanha e tomar uma “cervejinha” foi um mote de Lula. A queda dos preços é uma pauta cara ao governo desde 2022.

Em 2023, os preços das carnes registraram queda de janeiro a agosto, mas voltaram a subir a partir de setembro daquele ano. Em dezembro de 2024, a inflação da picanha estava em 8,74%, acima do IPCA cheio, que havia fechado o ano em 4,83%. O cenário em 2022 ia na direção oposta: enquanto o índice oficial fechou o ano em 5,79%, a inflação da picanha estava em 0,49%.

“Os salários dos trabalhadores são corrigidos pela inflação, então, se a picanha sobe igual ao IPCA, por exemplo, isso não é um problema, porque o seu salário vai acompanhar”, afirma Braz. “Só que o que acontece é que às vezes a carne sobe 20% e o seu salário sobe 4%. Então, um item de primeira necessidade subir 20% significa que você vai comer menos carne, você vai substituir carne por ovo, vai comer menos vezes na semana, vai comprar uma quantidade de quilo menor. Então você vai perder qualidade de vida”, complementa o economista.

A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, afirma que a alta de preços é o aspecto de maior impacto para a população. “É você chegar no mercado com R$ 100 e não conseguir comprar o que a sua cesta de consumo precisa”, diz. “Quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai pesquisar todos os meses os preços na economia […] ele vê uma média. Então, uma variação de preço mais contida, mas com sinal positivo, ainda é uma inflação. Os preços estão crescendo, mas crescendo em ritmo de um pouco mais devagar”, completa.

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Atualizado: 03/11/2025 09:51

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