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Na Ales, Casagrande prega fim da polarização na abertura do ano legislativo

03 fev 2026 - 08:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Em sessão solene com plenário lotado, governador aponta "capacidade de convívio" como diferencial capixaba, enquanto presidente da Assembleia destaca protagonismo da Casa e desafios econômicos e políticos para 2026
Casagrande defende diálogo contra polarização na abertura do ano legislativo; Marcelo Santos projeta transição no Estado. Foto: Kamyla Passos/Ales

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) deu início aos trabalhos legislativos de 2026 nesta segunda-feira (2), em uma sessão solene marcada pela defesa da democracia e pela análise dos desafios futuros. Diante de um Plenário Dirceu Cardoso lotado de autoridades, o governador Renato Casagrande (PSB) pregou a humildade e o diálogo como ferramentas essenciais contra a polarização política, enquanto o presidente da Casa, deputado Marcelo Santos (União), projetou um ano de transição e mudanças de lideranças no Estado.

A cerimônia reuniu representantes de todos os Poderes e diversas instituições, incluindo o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), a presidente do Tribunal de Justiça (TJES), desembargadora Janete Vargas Simões, e o procurador-geral de Justiça, Francisco Martínez Berdeal, reforçando o clima de harmonia institucional.

O “segredo” do convívio e o combate à violência política
Em seu discurso, Renato Casagrande definiu a “capacidade do convívio” como o “segredo” para o desenvolvimento e estabilidade do Espírito Santo. O chefe do Executivo alertou para o contexto mundial de violência política e pediu uma postura contrária à arrogância por parte dos governantes.

“Estamos num momento que é preciso fazer uma força contrária ao excesso de arrogância, de prepotência e de violência que a gente vê em alguns representantes das nossas instituições do Brasil, outros estados, mas no mundo, em especial”, afirmou o governador.

Para Casagrande, a polarização, que segundo sua análise nasceu em 2013 e se intensificou nos pleitos de 2018 e 2022, representa o maior desafio atual para a classe política. Ele comparou a divisão ideológica a uma doença, que se tornou mais visível durante a pandemia de Covid-19.

“Teve que enfrentar e sobreviver a essa polarização, mas a gente tem que comemorar esse momento que a gente está vivendo aqui no estado”, disse, ressaltando que a sociedade atual almeja ser “horizontal” e rejeita o autoritarismo.

O governador também aproveitou a oportunidade para listar conquistas recentes atribuídas à gestão orçamentária rigorosa e à parceria entre as instituições, citando que o Estado encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego e a menor taxa de homicídios de sua história, além de alcançar o primeiro lugar em transparência e no ensino médio nacional.

Cenário internacional e protagonismo do Legislativo
O presidente da Ales, deputado Marcelo Santos, utilizou sua fala para contextualizar o Espírito Santo dentro de um cenário global instável. Ele citou o impacto das tarifas comerciais dos Estados Unidos, a desaceleração da economia alemã, a guerra entre Rússia e Ucrânia e a instabilidade no Oriente Médio como fatores que influenciam diretamente a economia capixaba, que é “aberta, produtiva e conectada ao mundo”.

Ao rememorar sua chegada à Assembleia em 2003, Marcelo Santos contrastou o cenário de um Estado “quebrado e endividado” daquela época com a situação atual de equilíbrio fiscal e segurança jurídica. Ele enfatizou a mudança de postura do Legislativo nos últimos anos.

“Deixou de ser figurante. E passou a ser protagonista. Entendemos algo essencial: diálogo não é submissão. Independência entre os Poderes não é conflito permanente”, declarou o parlamentar.

Marcelo Santos, que encerra um ciclo de seis mandatos na Casa, projetou 2026 como um marco histórico que abrirá espaço para novas lideranças. Ele destacou ainda as ações da Ales, como a obtenção do Selo Diamante de transparência da Atricon pelo segundo ano consecutivo, o programa de Arranjos Produtivos e a Escola de Formação Política para Jovens.

Defesa das instituições e democracia
Representando o Poder Judiciário, a presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, ocupou a tribuna para reforçar a importância do Legislativo na arquitetura do Estado Democrático de Direito. Em ano eleitoral, a magistrada pediu elevada consciência institucional.

“Esta sessão transcende o rito constitucional e se projeta como afirmação do compromisso republicano com a democracia, a legalidade e a confiança da sociedade em suas instituições”, pontuou a desembargadora, valorizando a harmonia e a independência entre os Poderes para a promoção da justiça social.

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