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Lula fecha 21 acordos na Ásia para atrair investimentos em saúde, tecnologia e agronegócio

23 fev 2026 - 10:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Gov

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Em agendas na Coreia do Sul e Índia, presidente formaliza parcerias em tecnologia, saúde e agronegócio, além de estabelecer meta de US$ 30 bilhões para o intercâmbio financeiro com os indianos até 2030
Governo federal assina 21 acordos na Ásia e projeta expansão bilionária no comércio. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu nesta segunda-feira (23) uma missão oficial no continente asiático, onde firmou um total de 21 acordos bilaterais durante visitas de Estado à Coreia do Sul e à Índia. As rodadas de negociações, realizadas em Seul e Nova Délhi, buscam a atração de investimentos para o Brasil em setores de alta tecnologia, produção de medicamentos, transição energética e agronegócio, além de elevar o status diplomático do país na região e traçar novas metas de fluxo comercial para a próxima década.

Parceria estratégica na Coreia do Sul
Na Coreia do Sul, o encontro com o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, resultou na elevação do relacionamento entre os dois países ao patamar de Parceria Estratégica, acompanhada do lançamento de um Plano de Ação para os próximos três anos. Durante a solenidade na Casa Azul, os governos assinaram 10 atos de cooperação em campos que vão desde a agricultura e saúde até o combate ao crime organizado.

Atualmente, o comércio bilateral é de US$ 11 bilhões, consolidando a Coreia do Sul como o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o país sul-coreano como o maior investidor daquele continente na América Latina.

“A transição energética abre novas frentes de complementariedade entre setores produtivos. As cadeias de minerais críticos guardam inúmeras oportunidades de agregação de valor. Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial”, citou Lula, acrescentando que as nações dão início a um “renovado ciclo de prosperidade compartilhada”.

Durante o Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, o governo brasileiro sinalizou o interesse em exportar carne bovina para o mercado sul-coreano e em atrair frigoríficos asiáticos para o Brasil. Na área aeroespacial, foi mencionada a atuação da startup sul-coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara.

Avanços na Índia e metas comerciais
A passagem pela Índia, concluída no domingo (22), teve como foco a expansão das relações econômicas. Em 2025, o fluxo comercial entre os países superou a marca de US$ 15 bilhões pela primeira vez. O objetivo estabelecido entre Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, é dobrar este montante.

“O primeiro-ministro Narendra Modi estabeleceu comigo a ideia de que nós precisamos ter uma meta para chegar a US$ 20 bilhões até 2030. Eu disse: nós vamos chegar a US$ 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte”, afirmou o presidente brasileiro.

A missão marcou a inauguração do 11º escritório internacional da ApexBrasil, sediado em Nova Délhi, e o anúncio da inserção de produtos brasileiros, como açaí, castanha e limão, em redes de supermercados indianas. Ao todo, 11 acordos governamentais foram firmados, incluindo a “Parceria Digital para o Futuro”, voltada para a governança e o desenvolvimento de inteligência artificial.

Foco na produção de medicamentos
A saúde pública foi um eixo central da viagem asiática. Na Índia, o Ministério da Saúde formalizou Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) voltadas à fabricação nacional de remédios oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS).

O investimento estatal pode chegar a R$ 10 bilhões em dez anos para o fornecimento dos medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe. Os acordos garantem a transferência de tecnologia de farmacêuticas indianas para laboratórios públicos brasileiros, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Bahiafarma e Furp, visando a redução da dependência externa.

Cenário global
Antes de embarcar para Seul, Lula abordou a geopolítica internacional. O presidente reiterou a cobrança por uma reformulação no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo a entrada de países da América Latina e da África, além da própria Índia. Sobre a relação com os Estados Unidos e a recente aplicação de tarifas, Lula adotou um tom conciliatório em relação a Donald Trump: “Eu estou convencido que na conversa a relação Brasil-Estados Unidos vai voltar à normalidade”.

A agenda ambiental brasileira também teve destaque com a participação da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Ela debateu a elaboração de um mapa do caminho global e nacional para o fim da dependência de combustíveis fósseis e reforçou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo que já conta com aportes internacionais de US$ 6,7 bilhões.

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Atualizado: 23/02/2026 10:35

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