“Por que tanta disparidade nos preços praticados na região norte do Estado em relação a outras regiões?” O questionamento foi feito pela deputada Janete de Sá (PMN), presidente da Frente Parlamentar que investiga possíveis abusos no aumento do preço dos combustíveis no Estado, durante a primeira reunião do colegiado nesta quinta-feira (9), no plenário Rui Barbosa. O encontro contou com a presença do presidente do Sindipostos, Nebelto Carlos dos Santos Garcia e do Diretor Jurídico do Procon Estadual, Igor Brito, entre outros representantes das duas entidades.
“O combustível que é vendido no Espírito Santo, fica estocado na Grande Vitória: em São Torquato e no Terminal da Vale do Rio Doce. No entanto, mesmo com a logística, na Grande Vitória, os preços são mais elevados aqui que na região norte” ponderou a presidente da Frente.
Alguns postos na cidade de Linhares, norte do Estado, vendem o litro da gasolina a R$ 2,84, apenas cinco centavos a mais do valor (R$ 2,79) que as distribuidoras pagam pelo litro à Petrobras, segundo o presidente do Sindipostos.
Nebelto Garcia explicou que o sindicato não interfere nos valores praticados por cada posto e por isso não pode responder sobre a questão, o que provocou o deputado Almir Vieira (PRP) a refazer a pergunta: “Como explicar os postos em Linhares vendendo o combustível a 2,84? Tem algo errado aí!”.
Segundo o assessor de imprensa do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Espírito Santo (Sindipostos), Álvaro Vargas Filho, o preço final do combustível vendido ao consumidor capixaba é definido por: Petrobrás com 32%; 11% de impostos federais Cide, Pis e Cofins; 27% de ICMS (um dos mais caros do país, segundo Vargas); o etanol anidro, que compõe a gasolina, com 12% e a distribuidora e a revenda representando 18% do valor.
“Nesses 18% não está somente o lucro das distribuidoras e dos postos, mas o custo administrativo e operacional da distribuidora e do posto e a margem de cada um, Tudo isso tem que caber, isso sem falar nas operações com cartões de crédito que “comem” 6 % desse valor” concluiu.
Outras afirmações foram usadas por Vargas para ilustrar o cenário do setor no Estado. Segundo o assessor o Espírito Santo compra mais caro e a margem do lucro é uma das menores do país; apesar da variação do preço, a margem de revenda praticamente se manteve desde 2010, e “na esmagadora maioria”, os postos daqui têm o combustível com a mesma qualidade que saiu da Petrobras.
O representante do Sindipostos também afirmou que o monopólio na produção; a distribuição na “mão de poucos” (80% do mercado nacional pertencem a quatro empresas); o custo fixo muito similar (impostos e custos ambientais) e a margem achatada, com base no volume, fazem com que a variação não possa ser grande, chamando a atenção para o que acontece nos postos em Linhares.
O Procon Estadual e donos de postos de combustíveis também participaram da reunião da Frente Parlamentar. O diretor jurídico do Procon Estadual, Igor Rodrigues Britto, disse que o órgão trabalha em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) na fiscalização da qualidade do produto que é comercializado no Estado.
“Em 2014, o Procon fiscalizou todos os postos que estão praticando o menor preço de venda no município de Linhares e não constatou nenhuma irregularidade na qualidade do produto vendido no município”, ressaltou Igor Rodrigues Britto.
Os donos de postos de combustíveis presentes no evento também apresentaram as dificuldades que enfrentam. “Há um paralelismo por região” disse um deles referindo-se às distribuidoras praticam preços iguais para uma determinada região e preços diferentes, entre regiões. “Se todo combustível vem da Petrobrás, porque tem alguns postos fazendo “milagre” por aí?” questionou outro revendedor.
Ao final da reunião ficou deliberado a convocação das distribuidoras de combustíveis, Shell, BR, ALE, Ipiranga e Atlantica, para prestarem esclarecimentos na próxima reunião da Frente Parlamentar, que deve ocorrer em 15 dias.
“Se a estocagem do combustível é feita em Vitória e Vila Velha, nós queremos entender a logística dos preços repassados aos postos para saber porque no Norte do Estado o preço é mais barato que na Grande Vitória. Nós estamos buscando informações para esclarecer o preço final de venda ao consumidor. O valor é elevado e nós queremos um produto de qualidade e com o valor nivelado na menor média possível” declarou Janete.
Estiveram presentes na reunião, os deputados Edson Magalhães (DEM), Almir Vieira (PRP), Euclério Sampaio (PDT), além da deputada Janete de Sá (PMN), presidente.

Redação Portal Linhares Em Dia
Por Web Ales
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