Equipes técnicas iniciaram o alinhamento para a execução de ações preventivas de limpeza e remoção de sedimentos na calha do Rio Doce, abrangendo trechos críticos em municípios do Espírito Santo. O planejamento visa a utilização de maquinário para desobstruir o leito, melhorar a circulação da água, recuperar margens e realizar a manutenção de dispositivos de drenagem, além de serviços emergenciais em vias e estruturas afetadas.
Representantes das gerências de Obras e Saneamento e de Reparação e Recuperação Ambiental da Secretaria de Recuperação do Rio Doce (Serd) realizaram visitas técnicas em Marilândia, Baixo Guandu e Linhares. O objetivo dos encontros foi definir o cronograma para o início dos trabalhos. Reuniões com o mesmo propósito estão sendo programadas para as cidades de Colatina e Aracruz.
Área de atuação e investimento
As intervenções estão orçadas em R$ 52,9 milhões e serão executadas através da contratação de horas/máquina, modelo adotado para buscar agilidade e redução de custos. A operação ocorrerá dentro da mancha de inundação estabelecida pelo Novo Acordo do Rio Doce, estendendo-se a uma faixa adjacente de até 100 metros nos cinco municípios citados.
De acordo com o planejamento, as medidas integram o Anexo 18 do Novo Acordo, focado na prevenção e enfrentamento de enchentes, aliando a restauração ambiental à retomada produtiva na bacia. A iniciativa parte do diagnóstico de que, após o rompimento da barragem de Samarco em 2015, a região passou a enfrentar eventos hidrológicos recorrentes e vulnerabilidade ambiental, o que exige intervenções planejadas e permanentes, superando a lógica de respostas apenas emergenciais.
Impacto dos sedimentos
A gerente de Reparação e Recuperação Ambiental, Juliana Valory, explicou que as visitas buscam identificar as demandas locais para o uso do maquinário.
“As visitas técnicas aos municípios têm justamente o objetivo de ouvir as equipes locais e identificar, de forma planejada, a necessidade do uso do contrato de horas/máquina em ações de resposta rápida e de prevenção. A cada período chuvoso, a bacia volta a sofrer com a remobilização de sedimentos, deposição de material em quintais produtivos e impactos em áreas de preservação permanente. O aumento da turbidez da água, por exemplo, impõe obstáculos adicionais ao seu tratamento para fins de abastecimento”, afirmou Valory.
Saneamento e tratamento de água
Além da limpeza da calha e das margens, o cronograma inclui tratativas para obras de saneamento básico na região. Segundo o secretário de Estado de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi, há um planejamento em curso para reformas e construção de estações de tratamento.
“Além destas ações preventivas na calha do rio, a Serd também está em contato direto com os municípios para planejar um pacote de reformas e construções de estações de tratamento de água e esgoto nas cidades impactadas. Desta forma, iremos reduzir as cargas poluidoras no rio e nos seus afluentes e vamos garantir melhoria da qualidade da água e na proteção da saúde pública dos moradores destas regiões”, concluiu Balestrassi.


















