A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira esteve em Linhares na tarde desta segunda-feira (23), acompanhada do governador Paulo Hartung. Eles sobrevoaram o balneário de Regência, onde a ‘lama’ de rejeitos atingiu o mar.
Além disto, Teixeira e Hartung visitaram alguns pontos da Vila e conversaram com pessoas ligadas aos órgãos ambientais que monitoram os impactos ambientais causados na fauna e flora de toda região cortada pelo Rio Doce.
Após a passagem por Regência, o governador e a ministra tiveram uma reunião de trabalho com representantes da Samarco, o prefeito Nozinho Corrêa (PP) e órgãos ambientais para discutirem ações que possam minimizar os impactos desta tragédia.
“Nós temos um impacto bastante expressivo e que nós teremos que monitorar. Nós devemos lembrar que tem muita lama que ficou no leito do rio e a lama ainda está descendo, porque começa a temporada de chuvas, que vai levantar essa lama e esta lama ainda vai chegar aqui”, confirmou a ministra.
A princípio a ministra Izabella disse que determinou um prazo de, no mínimo, 90 a 120 dias aos órgãos ambientais e a Agência Nacional das Águas (ANA), para monitoramento das regiões atingidas pela ‘lama’ da Samarco. Ela disse também, que apenas após o período de chuvas é que será possível ter uma posição concreta do fim do acidente e quais são as medidas efetivas a serem tomadas. Em seguida a ministra fez uma série de esclarecimentos sobre as ações que já estão sendo executadas para minimizar o impacto nas regiões atingidas:
Acesso à informação e responsabilidades da empresa
A ministra disse que dentre as medidas emergenciais está levar à população a informação sobre o que está acontecendo. Segundo ela, há ao longo do rio, diversas pessoas, que vivem isoladas e que precisam saber o que de fato está acontecendo, que não se pode beber água do rio, não se pode entrar no rio, pescar e agora também entrar no mar. Ela disse que este momento inicial é de trabalhar juntos e exigir que a Samarco cumpra o seu papel para a reconstrução do Rio Doce.
Marinha do Brasil
Nesta terça-feira (23) chega a Linhares um barco de pesquisa da Marinha do Brasil, que se unirá a técnicos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), para monitorar e avaliar os impactos desta tragédia.
Impactos no estado da Bahia e Vitória (ES)
Sobre as informações de que a ‘lama’ de rejeitos da Samarco estaria impactando as praias do estado da Bahia e também da capital do Espírito Santo, Vitória, Izabella afirmou que não há impactos nestas regiões.
Tartarugas Marinhas e fauna nativa
Algumas espécies da fauna nativa foram retiradas do seu habitat e levadas para o Centro de Recuperação do Instituto Chico Mendes, para que posteriormente sejam realocadas no seu local de origem. Segundo a ministra, a fauna marinha está sendo monitorada pelos órgãos competentes. Já as tartarugas marinhas foram retiradas e realocadas em área de preservação, pelo Projeto Tamar.
Embora as ações realizadas, Izabella Teixeira afirmou que mesmo com todos os esforços, pelo fato do impacto ser de grandes proporções, haverá muitas perdas. Porém, ela afirmou que com estas ações será possível posteriormente reintroduzir as espécies e repovoar o Rio Doce.
Laudos e relatórios
“É preciso medir hectare por hectare”. A ministra do meio ambiente disse que é preciso montar um relatório com dados específicos do que é preciso ser feito, para recuperação das áreas atingidas. Mas, ela lembrou que os trabalhos ainda estão sendo realizados e que estes laudos e relatórios só ficarão prontos quando forem encerrados os trabalhos de monitoramento dos impactos na região. E a partir daí, serão tomadas as medidas cabíveis.
Izabella ainda ordenou os três objetivos principais da sua visita a Linhares
– Prevenção – segundo ela, Linhares teve um tempo maior para se preparar para a chegada da lama, e desde o primeiro momento, o que o Governo Federal fez, foi enviar equipes de profissionais ligados ao meio ambiente para que se fosse realizada uma força tarefa para a retirada de espécies ameaçadas de extinção para a preservação.
– Revitalização do meio ambiente – como objetivo secundário a ministra pretendia reunir-se com as equipes que podem contribuir com projetos para a revitalização do meio ambiente. Ela confirmou, inclusive, que já está agendada uma reunião, ainda para esta semana, em Brasília com profissionais do Meio Ambiente dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais para que sejam traçados projetos de recuperação e revitalização do meio ambiente.
– Medidas emergenciais – o terceiro objetivo da visita da ministra foi o de entrar em contato com as instituições governamentais e gestores públicos sobre as medidas que precisam ser adotadas emergencialmente. Izabella Teixeira citou, por exemplo, estratégias de informação a população que vive nas margens do Rio Doce. Segundo ela este trabalho, de levar as pessoas orientações quanto ao contato com as águas, tanto do rio, quanto do mar, deve ser realizado pela empresa Samarco.
“Teremos que fazer com base científica, em parceria com instituições que são responsáveis por isso, com um processo de curto, médio e longo prazo, com transparência de toda a ação, com fundos instituídos para financiar isso, com a responsabilidade da empresa e mais do que isso, com engajamento da sociedade brasileira. O Rio Doce tem que voltar a ser Rio Doce, tem que voltar a ser doce e ter vida. Esta é a nossa responsabilidade como brasileiros”, garantiu a ministra.
Fundo para recuperação e novo modelo de governança
O governador do Espírito Santo Paulo Hartung acompanhou a visita da ministra e afirmou que sua vinda foi em atendimento a um pedido seu feito a presidenta Dilma Rousseff, que esteve em Colatina acompanhando de perto os impactos da ‘lama’ de rejeitos no município.
Hartung garantiu que dentre as ações a serem tomadas as principais são: elaboração de um plano de ação para recuperação da Bacia do Rio Doce, que perpasse pelas questões ambientais, sociais e econômicas; e redesenhar um novo modelo de gestão e governança, além da criação de um fundo financeiro para estas ações.
As ações, segundo o governador, estão sendo discutidas com todos os órgãos responsáveis, inclusive com os de Minas Gerais. E a principio, a prioridade está nos atos emergenciais e posteriormente colocar em prática estas ações que serão estratégicas e estruturais.
Redação Portal Linhares Em Dia{jathumbnail off}
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