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Lula diz que não quer ‘briga’ com Trump e brinca sobre ser parente de Lampião

10 fev 2026 - 07:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil e CNN Brasil

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Durante evento no Butantan, presidente brinca sobre relação com o republicano e defende multilateralismo. Viagem a Washington para encontro bilateral está confirmada para março
Lula cita ‘sanguinidade de Lampião’ ao falar de Trump e diz que evita briga para não ganhar. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9), em São Paulo, que se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, soubesse de seu “parentesco com Lampião”, não provocaria o Brasil. A declaração, feita em tom de brincadeira durante cerimônia no Instituto Butantan, ocorreu no contexto da confirmação de uma viagem oficial do mandatário brasileiro a Washington, prevista para o próximo mês de março.

Ao comentar a relação com o líder norte-americano, Lula utilizou o humor para abordar a postura diplomática do Brasil. “Quando eu viajar [para os EUA], eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe? Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, disse o presidente.

Ainda na linha jocosa, Lula completou afirmando que evita conflitos diretos para não correr riscos inusitados: “Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer?”.

Apesar do tom descontraído, o chefe do Executivo aproveitou a oportunidade para reforçar a posição brasileira em defesa do multilateralismo no cenário global. Segundo Lula, a “briga” do Brasil é pela construção de uma narrativa que mostre que o mundo não pode prescindir da cooperação entre múltiplas nações.

“Nós precisamos provar, num debate político, que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os Estados […] O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, argumentou.

Encontro em Washington e Pauta de Segurança
A viagem de Lula aos Estados Unidos foi acertada após uma conversa telefônica com Trump em 26 de janeiro. Na ocasião, ficou combinado um encontro “olho no olho” na Casa Branca para março. A visita acontece em meio a um cenário de instabilidade internacional e discussões sobre cooperação estratégica.

Lula tem manifestado interesse em ampliar a parceria com os EUA na segurança pública, especificamente na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados bancários. Segundo o Palácio do Planalto, a iniciativa foi bem recebida por Trump.

Outro ponto central da agenda diplomática é a reforma do Conselho de Segurança da ONU, uma demanda histórica do petista desde seu primeiro mandato.

O impasse do ‘Conselho da Paz’
Existe ainda uma pendência diplomática envolvendo um convite feito por Donald Trump para que o Brasil integre um “Conselho da Paz”. Lula ainda não respondeu formalmente, mas propôs duas condições chave: que o órgão se limite à crise em Gaza e que a Palestina tenha um assento garantido.

A diplomacia brasileira avalia o estatuto do grupo como problemático, pois daria poder excessivo ao presidente norte-americano, e teme que a participação do Brasil possa legitimar uma espécie de “ONU alternativa”.

Histórico da relação: de tarifas a ‘amor à primeira vista’
A relação entre Lula e Trump passou por transformações recentes. Anteriormente, politicamente alinhado a Jair Bolsonaro, Trump criticou a forma como o governo brasileiro tratava o ex-mandatário, que à época era julgado por participação em plano de golpe de Estado, e a Casa Branca chegou a anunciar uma tarifa adicional de 40% contra importados brasileiros.

O cenário começou a mudar após encontros e conversas diretas. Em outubro passado, houve um primeiro telefonema e um encontro na Malásia para negociar as taxas. Em evento na última sexta-feira (6), Lula declarou que agora é “amigo de Trump” e relatou que o republicano costuma dizer que “foi amor à primeira vista”, referindo-se à “química” que tiveram durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, em 2025.

Investimentos no Butantan e vacinação
O evento desta segunda-feira marcou também o anúncio de investimentos federais de R$ 1,4 bilhão para ampliar a estrutura do Instituto Butantan. O objetivo é aumentar a capacidade de produção de vacinas e insumos imunobiológicos, reduzindo a dependência de importações.

O aporte inclui a fabricação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para vacinas como a DTPa (difteria, tétano e coqueluche) e contra o HPV. O governo anunciou ainda o início da vacinação contra a dengue para profissionais da Atenção Primária do SUS, utilizando um imunizante 100% nacional desenvolvido pelo instituto.

Com a proximidade do ano eleitoral de 2026, Lula tem utilizado agendas de saúde para contrapor a gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, enfatizando a defesa da ciência e do SUS. Presente na cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também teceu críticas à política antivacina de Trump, afirmando que a resposta brasileira é a ampliação do investimento no setor. O vice-presidente Geraldo Alckmin também compareceu ao ato.

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