O incêndio de grandes proporções, que destruiu completamente um galpão logístico de 30 mil metros quadrados localizado no polo de Canaã, em Viana, na Grande Vitória, gerou um prejuízo estimado em R$ 1 bilhão. Apesar da gravidade e do colapso da edificação, não houve registro de feridos. O combate às chamas, que teve início na manhã de sábado (7), resultou na perda total da estrutura e das mercadorias de cinco empresas.
Nesta terça-feira (10), as equipes do Corpo de Bombeiros entram na fase de rescaldo, após mais de 60 horas ininterruptas de operação. O fogo está controlado, confinado e isolado, mas focos remanescentes persistem em áreas de difícil acesso devido ao risco de novos desabamentos.
Prejuízos bilionários e empresas afetadas
O complexo logístico funcionava há cerca de dois anos e recebia diariamente uma média de 3 mil pessoas. O espaço era ocupado majoritariamente pelo depósito do Supermercados BH, além da Ybera Group (setor de cosméticos) e da Anhanguera Ferramentas. Outras duas empresas que operavam no local não tiveram os nomes divulgados.
Segundo o responsável por uma das empresas que intermedeia a locação no armazém, o impacto financeiro é expressivo. A estimativa aponta para R$ 100 milhões em danos à estrutura física e cerca de R$ 800 milhões em mercadorias perdidas, totalizando um prejuízo próximo a R$ 1 bilhão.
No local, estavam estocados materiais de alta combustão, incluindo alimentos, cosméticos, produtos farmacêuticos, derivados de petróleo, equipamentos, maquinário pesado e estruturas metálicas.
Dinâmica do incêndio e combate
As chamas começaram por volta das 6h de sábado (7). Um segurança percebeu o início do fogo e realizou a evacuação imediata do local. Cerca de 20 funcionários que estavam no plantão conseguiram sair ilesos. O sistema de sprinklers (chuveiros automáticos) chegou a ser acionado, mas não foi suficiente para conter o avanço do fogo.
A operação de combate mobilizou mais de 115 militares e consumiu, até o momento, mais de 400 mil litros de água. A ação conta com caminhões com bombas de longo alcance, autoescadas e caminhões com canhão monitor, permitindo o resfriamento da área sem expor os bombeiros ao risco de colapso estrutural.
“Não há segurança para adentrar o local, porque as estruturas oferecem risco. Por isso, fazemos muito combate por proximidade”, explicou o Coronel Siwamy. O tenente-coronel Malacarne reforçou que, nesta terça-feira, “só alguns pequenos focos vão aparecer e serão combatidos durante o dia”.
Impacto na Grande Vitória
A queima dos materiais gerou uma densa coluna de fumaça escura visível a 19 quilômetros de distância, sendo avistada de pontos como a Enseada do Suá, a Terceira Ponte e a Baía de Vitória.
Moradores do entorno relataram apreensão. “Acordei com minha mãe chorando. Quando vi a fumaça, fiquei apavorada”, disse a moradora Renata Silva.
Investigação e posicionamento das empresas
O Corpo de Bombeiros já iniciou o levantamento de informações para a perícia. O laudo técnico que apontará as causas do incêndio tem prazo de conclusão de até 20 dias.
Em nota, o Supermercados BH confirmou a perda total da estrutura e das mercadorias, ressaltando que “a segurança de nossos colaboradores é prioridade absoluta”. A Ybera Group informou a suspensão temporária das vendas e o acionamento de protocolos de segurança e seguros para a retomada operacional. A Anhanguera Ferramentas comunicou que trabalha para restabelecer a operação no estado.


















