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Garis suspendem greve no ES, mas mantêm pressão por piso salarial de R$ 3 mil

24 jun 2026 - 14:40

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Após paralisação que impactou a coleta de lixo em 26 cidades capixabas, trabalhadores retomam serviços, mas entram em estado de greve para pressionar o Senado pela aprovação de projeto que regulamenta a profissão
Garis suspendem greve no Espírito Santo e mantêm mobilização por piso salarial nacional. Foto: Reprodução

Os garis e trabalhadores da limpeza urbana suspenderam a greve nacional no Espírito Santo nesta terça-feira (23), após dois dias de paralisação que afetaram os serviços de coleta de resíduos no estado. A decisão foi tomada mediante orientação da coordenação nacional do movimento e após uma reunião da categoria com representantes do governo estadual no Palácio Anchieta, em Vitória. Com a retomada gradativa das atividades, os profissionais entram agora em estado de greve para manter a pressão sobre o Senado Federal pela aprovação do Projeto de Lei nº 4.146/2020, que estabelece um piso salarial de R$ 3.036 e regulamenta os direitos do setor.

O acordo no Espírito Santo e a retomada dos serviços
A suspensão do movimento capixaba ocorreu após uma passeata pelas ruas da capital, que culminou no encontro com a Casa Civil. Os trabalhadores solicitaram a intermediação do governo estadual para apoiar a demanda em âmbito federal.

De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares do Espírito Santo (Sindilimpe-ES), Elivelton, a paralisação foi suspensa até segunda ordem da coordenação nacional. A limpeza e o recolhimento de lixo começaram a ser normalizados na noite de terça-feira, com as equipes atuando nas ruas de bairros como Jardim da Penha, em Vitória.

A presidente do Sindilimpe-ES, Evani Reis, ressaltou que a entidade permanecerá mobilizada nas bases da Grande Vitória e do interior para dialogar com os trabalhadores dos diferentes turnos. A liderança sindical também pontuou que aguarda uma nova agenda institucional para fortalecer o movimento localmente. “O nosso pedido é que em 15 dias haja uma nova reunião, não só com o governador, mas também com representantes da frente dos prefeitos do Estado do Espírito Santo”, explicou.

O que prevê o projeto de lei em tramitação
A principal bandeira da mobilização, que atingiu sete capitais e dezenas de municípios em todas as regiões brasileiras, é a votação urgente do PL 4.146/2020. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025 e aguarda análise dos senadores.

O documento estabelece os seguintes direitos e regras para a categoria:

  • Criação de um piso salarial nacional fixado em R$ 3.036,00.
  • Oficialização das funções de gari e coletor de resíduos urbanos.
  • Pagamento de adicional de insalubridade de 40% (grau máximo) sobre o piso.
  • Garantia de aposentadoria especial após 25 anos de atividade.
  • Padronização da jornada de trabalho em 40 horas semanais.
  • Concessão de benefícios complementares, como vale-alimentação, cesta básica e plano de saúde.

Reivindicações da categoria e próximos passos
Os trabalhadores da limpeza urbana argumentam que a regulamentação é a principal ferramenta para combater a precarização e a invisibilidade social. Segundo o sindicato, há profissionais terceirizados no Brasil que ainda recebem remunerações inferiores ao salário mínimo para desempenhar uma função essencial. “O nosso sonho é chegar pelo menos a dois salários mínimos. Nenhum trabalhador da limpeza urbana ganha mais de R$ 4 mil”, destacou Evani Reis.

A categoria também embasa o pedido de melhores condições de trabalho na alta insalubridade da profissão. A rotina exige exposição permanente a agentes biológicos, produtos químicos, resíduos contaminados e riscos de acidentes de trânsito, o que gera um intenso desgaste físico e emocional e dificulta, muitas vezes, o reconhecimento previdenciário em casos de adoecimento. “Somos os primeiros agentes de saúde e precisamos ter melhores salários e melhores condições de trabalho”, definiu a presidente do Sindilimpe-ES, destacando a contribuição do setor para a prevenção de doenças e proteção ambiental.

Com a proximidade do recesso parlamentar de julho no Congresso Nacional, a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs-CUT) e as lideranças estaduais reavaliam as estratégias. Informações da coordenação nacional indicam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deverá receber os representantes da categoria no final de julho, após o retorno dos trabalhos em Brasília. Até lá, o estado de greve fica mantido como forma de alerta para garantir que o projeto seja, de fato, colocado em votação.

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Atualizado: 24/06/2026 14:41

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